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Camila Farani comenta sobre como o embate entre Millennials X Geração Z reflete na maneira de fazer negócios

Recentemente, o embate Millennials X Geração Z viralizou. Tudo começou com um tweet de uma influenciadora perguntando para a Geração Z, o que os Millennials fazem que eles consideram “cringe” (gíria para “vergonhoso”, que dá “vergonha alheia”).  O resultado, a proliferação de conteúdos e memes que mostram os choques geracionais que sempre acontecem e eles impactam todas as áreas. De um lado, os Millennials nascidos entre os anos de 1980 e 1995, que tomam café da manhã, utilizam o Facebook e vestem calças skinny. Já do outro, a Geração Z, formada por jovens nascidos de 1995 a 2010, que são modernos, atuais e classificam tudo aquilo que um dia foi denominado cafona, como cringe.

A chegada da Internet é o principal marco entre as gerações que se comportam de maneira diferente e apresentam habilidades que ora demonstram flexibilidade nas relações, ora parecem que nem ao menos estabelecem relações interpessoais. Duas gerações que são impactadas pelo tempo e suas atualizações, apresentando pontos positivos e negativos de cada período que pertencem. E, um dos segmentos que tanto as diferem é o dos negócios. E sobre este assunto, falamos com Camila Farani, empresária e investidora, que reforçou durante entrevista a importância de ponderar e equilibrar os aspectos das duas gerações que, juntas, contribuem para o funcionamento dos negócios dentro e fora do ambiente virtual.

Camila Farani – Foto Divulgação

Millennials ou Geração Y

Os Millennials ou Geração Y, que hoje, se encontram na faixa etária entre os 26 e 40 anos, cresceram no início de uma crise financeira que afetava o mundo inteiro e um avanço tecnológico que mudava significativamente a rotina das pessoas.

Uma geração mais diversificada, considerada por muitos como liberal, eles apesar de serem adultos hoje, muitos já fizeram faculdade, outros ainda moram com os pais, poucos casaram e possuem casa ou apartamento próprio, características que demonstram que estão um pouco mais atrás, quando comparados as outras gerações.

É certo, que para maioria deles, a Internet é fundamental e lhes provoca o sentimento de pertencimento, de fazer parte do grupo. Ela funciona como um meio para adquirir conhecimento e entretenimento, além de contribuir para que conheçam marcas, que eles tem como preferidas.

Essa geração, tem um “q” de impaciente, quando se refere a compra de produtos e serviços, não aceitam falta de qualidade, ou falta de eficiência. Por isso, costumam optar por marcas renomadas, que já possuem um bom histórico, como Apple, Nike, Google e por aí vai. Outra forte característica de consumo dos Millennials é a preferência por viver experiências, ou seja, eles estão sempre investindo mais o dinheiro em “viver” e não se preocupam tanto, como acontece com a geração anterior, com a construção de um patrimônio.

A empresária e investidora Camila Farani, descreve a Geração Y como sendo mais flexível e adaptável. Segundo ela, quando o assunto é negócio e perfil de comportamento de cada geração, sejam clientes ou profissionais, essa geração sai na frente por ter conhecido o mundo antes da era digital. “A Geração Y consegue conversar com a geração anterior e também com a geração posterior. Pensa de maneira analógica e digital e, por consequência, extrai o melhor dos dois mundos. Ao tempo que as pessoas dessa geração têm facilidade em entender como funciona o digital, também têm lembranças de como era o mundo antes dessa era, o que pode ser bastante positivo”.

Geração Z

Já a Geração Z é marcada como uma geração cheia de opinião e independência. Ela dita, as próprias regras e não costuma mudar de opinião ou tomar atitudes por influência dos demais. São os nascidos entre 1995 e 2010 e representam, cerca de 25% da população mundial. Eles também são chamados de nativos digitais e para eles não há separação entre o mundo online e o mundo offline. Com isso, são capazes de absorver uma quantidade enorme de informação em pouco tempo, pois costumam assistir vídeos e ouvir áudios acelerados.

A conquista dessa geração e fidelização como clientes, vai além de simplesmente uma loja física que encante os olhos, ou um site super funcional e com um layout atraente, para esse grupo, a conquista diz respeito a simplicidade, comunicação, ecologia e valores que a marca possui. A Geração Z cresceu em meio a incertezas do futuro e muitos acontecimentos que causaram prejuízos ao meio ambiente, motivo que os levam a buscar e apoiar, empresas que tenham propósitos e raízes na sustentabilidade, por exemplo.   

Existe a tendência da Geração Z em empreender mais no ramo de sustentabilidade e meio ambiente, em relação às gerações anteriores, porque é uma demanda da sociedade, é por isso que este assunto está em alta, existe uma necessidade de falar sobre isso e criar soluções cada vez mais sustentáveis”, comenta Camila.

Com certeza, uma geração diferente de todas que passaram, a mais diversificada da história, a fluidez nos relacionamentos, a união e trocas com as diversidades culturais fazem dessa geração mais tolerante e respeitosa com as minorias e conectada com pessoas de diferentes regiões do planeta. O principal ponto que os torna, ímpares, é que a diferença não é algo que assusta ou imobiliza, e sim algo que atrai e encanta.

A soma dos perfis

Mesmo que as relações sejam próximas e os comportamentos se convirjam a todo tempo, por serem duas gerações que vivem juntas no mundo atual. A determinação, o foco e o empenho da Geração Y é algo ímpar. Mas as ideias inovadoras, a agilidade e a pluralidade da Geração Z são imbatíveis, segundo a empresária e investidora, ao abordar as habilidades empreendedoras de cada grupo.

Para Camila, o ponto negativo, por mais incrível que pareça, está na dificuldade que ambas têm de entender conceitos da outra geração que são importantes e necessários. “Além da inflexibilidade dos grupos, outra percepção que tenho das gerações, é que a Y se resguarde mais, toma mais cuidado ao opinar sobre assuntos polêmicos na Internet, como política e religião, por exemplo. E a Geração Z é um pouco mais difícil separar a vida profissional da vida privada e acontecem coisas como: falar mal do chefe ou da empresa no Twitter, o que pode causar um grande mal estar na empresa em que essa pessoa trabalha, caso algum colega ou o próprio chefe tenha acesso à publicação. É importante se posicionar e todos temos esse direito, mas o fanatismo, comentários sensacionalistas e intolerantes, nunca são bem vistos”, declara.

Hoje, com os pés fincados na era digital e suas constantes atualizações e novas tecnologias, o estranho seria se os negócios não acontecessem com mais força neste mesmo ambiente. O contato físico, antes imprescindível para o crescimento e desenvolvimento dos negócios, se adaptou ao novo formato antes mesmo da pandemia e agora, soma um grande percentual de comunicação realizado pelos canais digitais.

Durante muito tempo, o contato físico e o olho no olho era algo indispensável. Era considerado impossível criar laços minimamente afetivos apenas pela Internet. Com a pandemia esse conceito caiu um pouco, mas ainda não deixou de existir. Claro que o relacionamento interpessoal é importante para o desenvolvimento de uma empresa, mas a tendência é cada vez mais existir um formato híbrido (meio a meio) onde as pessoas possam desfrutar da vantagem dos dois modelos de trabalho. Muitas empresas que nunca cogitaram aderir ao home office, nem que fosse um dia na semana, já anunciaram que esse será o modelo de trabalho mesmo após o fim do isolamento social. Outras, até mesmo em momentos como o que vivemos, resistiram muito em abrir mão do trabalho presencial. Acredito que a flexibilidade será cada vez mais o caminho escolhido pelas empresas. Isso vai ser benéfico para ambas gerações”, ressalta a empresária e investidora.

Para a Geração Z, as reuniões presenciais ou online não possuem distinção, o que é diferente para os Millennials, que ainda apresenta certa resistência quando o assunto em pauta é de mais relevância. “Imagina os custos que são economizados ao fechar um negócio de maneira online com uma empresa em outra cidade, estado ou até país, além da economia de tempo. Porém, nós temos que continuar cuidando das relações. Seja para fechar um negócio ou o relacionamento com os colaboradores da sua empresa ou com seus sócios, é necessário ter esse cuidado de manter a relação com feedbacks, calls periódicas, etc. Acredito que quando a pandemia chegar ao fim, vamos mesclar mais os contatos físicos e online para fins de trabalho e negócios, tentar dosar”, comenta Camila.

As gerações e a suas maneiras de consumo da mídia

Geração Y
Com base em pesquisas recentes realizadas pelo portal InfoVarejo, para a Geração Y, o relacionamento de mídia social vem antes da compra. 60% dos Millennials negociam com uma marca que seguem e 59% seguem a marca antes de fazer a compra. Eles assistem à programação 4x mais via dispositivos conectados à TV. Porém, eles assistem 27% menos a televisão tradicional. Isso significa que, cada vez mais, serviços de streaming como Netflix e videogame são digeridos. 

Além disso, essa geração concentra a atenção em mais de uma tela por vez. Apenas, 2% troca de canal durante os comerciais, enquanto 92% usam uma segunda tela durante os mesmos. Ainda, 58% desses consumidores não se importam com publicidade, eles sabem que é ela que mantém as redes sociais que mais utilizam. Porém, 84% não gostam de publicidade tradicional e não confiável. 

Geração Z
Essa, sem sobra de dúvidas, é a geração mais conectada. Nascidos em meio ao mundo virtual, eles não conhecem o mundo sem Internet.  A Geração Z, em média, recebeu seu primeiro celular aos 10 anos de idade. A maioria cresceu brincando com os celulares ou tablets. Cresceram em um mundo hiperconectado, o que faz com que o smartphone seja a ferramenta preferida de comunicação.

No entanto, é importante observar que os membros da Geração Z não são cegados pelos “sinos e assobios” tecnológicos de qualquer canal de compras. Essa geração possui uma sede incessante por conteúdo e as redes sociais, como Instagram e Twitter, são formas de abastecer essa necessidade. Eles passam, em média, 3h por dia em seus dispositivos móveis, segundo as pesquisas do portal InfoVarejo.

A Geração Z não quer dívidas. Assim, os cartões de débitos e o mobile banking são os métodos de compra mais consumidos. Mais de 50% não ingressam em uma agência bancária há pelo menos três meses. 

É importante entender as Gerações

Divergências geracionais são comuns, mas quando falamos sobre a resiliência de cada grupo, a Geração Z chama a atenção. Por ser uma geração que cresceu ouvindo menos “nãos” de seus pais, essa geração não foi preparada adequadamente para suportar as frustrações que, invariavelmente, acontecem na vida profissional de qualquer pessoa. ” Uma pessoa que nunca ou quase nunca ouviu uma negativa, pode ter uma frustração muito grande quando escuta o primeiro não. O perigo é isso paralisar essa pessoa, fazer com que ela desista de seus projetos e objetivos, por exemplo. Contudo, ainda assim, não é impossível superar esse acontecimento. Precisamos falar cada vez mais sobre o assunto, inclusive, para que as pessoas entendam que os nãos, as frustrações fazem parte da vida e que nós temos a capacidade de sofrer, respirar fundo e nos reerguermos,” alerta Camila.

Por outro lado o excesso de resiliência da Geração Y também precisa ser discutido, pois pode atrapalhar a qualidade de vida das pessoas desse grupo, por aguentarem excessivas pressões no trabalho, além de se dedicarem por muito tempo em projetos que não estão dando certo, ocasionando sérios prejuízos financeiros as empresas.

Envolver e entender os Millennials e a Geração Z é essencial para os negócios hoje e no futuro, mesmo porque eles se relacionam e fazem parte do mercado atual que se mistura e se conecta, em grande parte, com as duas gerações.

O que a Geração Z quer é propósito e experiência, sempre, claro, se preocupando com os valores passados e defendidos pelas empresas. E a Geração Y, está presa ao legado e reconhecimento das marcas. Mas, é à medida que a Geração Z entra no mercado de trabalho, que seu poder de compra aumenta, que é preciso fazer diferente e entender que a forma de vender mudou e as empresas precisam evoluir e se adaptar. 

“A Geração Z se comunica muito mais e ao mesmo tempo as relações são mais líquidas e dinâmicas. As características que se destacam com essa geração é a empatia, a autenticidade, a espontaneidade e a conexão e hoje em dia, precisamos desses valores muito fortes nas empresas para lidar com esse público, sejam colaboradores ou clientes”, finaliza Camila Farani, empresária e investidora.


Por Lays Schiavinatto e Déborah Dorascienzi