Alta da Selic: Copom divulga ata da reunião

Nesta terça (10), o Banco Central divulgou a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi realizada na semana passada. No texto, o comitê justificou a aceleração do ciclo de alta da taxa Selic para 5,25% afirmando que o risco fiscal foi o principal fator da decisão.

“O Comitê ponderou que os riscos fiscais continuam implicando um viés de alta nas projeções. Essa assimetria no balanço de riscos afeta o grau apropriado de estímulo monetário, justificando assim uma trajetória para a política monetária mais contracionista do que a utilizada no cenário básico”, diz a ata da reunião.

Após a elevação de 1 ponto porcentual na semana passada, com a Selic em 5,25% ao ano, o BC disse hoje na ata que “antevê outro ajuste da mesma magnitude” na próxima reunião. Além disso, afirmou que “considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação“.

Na quarta passada, o Copom decidiu elevar a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, de 4,25% para 5,25% ao ano. O aumento veio em linha com a expectativa do mercado e interrompe a sequência de elevações de 0,75 ponto percentual.

Em comunicado, no mesmo dia, o comitê mencionou outro ajuste da mesma magnitude e enfatizou que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Segundo João Beck, economista e sócio da BRA, a atitude do comitê traduziu no exato tom o que o mercado já sinalizava mostrando alinhamento com o compromisso da meta em tom ainda mais rígido que o último comunicado, principalmente quando sinaliza juros para patamar acima do neutro.

Especial destaque para a divisão de responsabilidades com o Congresso, o que já havia sido sinalizado em comunicados recentes, mas agora com mais ênfase. Mesmo a despeito de melhoras no perfil da dívida pública, o comunicado mostrou que a continuidade de políticas de estímulo preocupam“, afirma.

Para Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, o comitê se mostra preocupado e se vê “correndo” atrás da curva de juros. “O mercado de juros antecipou a alta e está ditando o ajuste do COPOM. As expectativas de juros para dezembro aumentam após essa ata“, explica.

Com a alta da Selic, a renda fixa fica mais atrativa. De acordo com Beck, para prazos mais longos de investimento, o Tesouro Selic é preferível. “Para os investidores mais conservadores, ficar somente no Tesouro Selic vai ser a melhor opção. Já investidores mais iniciados no mundo dos investimentos, com perfil mais arrojado e horizonte de prazos mais longos, acima de 4 anos, o Tesouro IPCA é um investimento melhor. Mas é preciso ficar atento às oscilações ao longo do caminho, que chamamos de ‘marcação a mercado’. O ideal é que o Tesouro IPCA seja carregado até o vencimento, só assim é garantida a remuneração contratada no ato da aplicação. Vendendo antes o título antes do vencimento, o investidor se sujeita a surpresas negativas – mas eventualmente positivas também“, diz Beck.

Já o tesouro pré-fixado é para um nicho específico de clientes e carrega um componente especulativo. Nesse título, o investidor será remunerado com a taxa que o mercado está projetando hoje para o futuro. Ou seja, se a taxa de juros observada no futuro ficar acima do que o mercado projeta, você não participará dessa remuneração“, comenta.

Jansen Costa acredita que, mesmo com a alta da Selic, a rentabilidade continua negativa tanto em poupança como Tesouro Selic devido à inflação. “Com a alta da Selic, a renda fixa pode voltar para o jogo sim se o investidor optar por mudar a maneira de investir e buscar, por exemplo, títulos pré-fixados para um prazo de até 12 meses. Consegue, assim, ter juros real perto de zero e um rendimento melhor do que no Tesouro Selic ou poupança diminuindo a chance de ficar negativo em relação à inflação”, diz.

Em relação ao mercado de criptomoedas, nada muda com a taxa Selic a 5,25%. “A alta da Selic não influencia nas criptomoedas. O bitcoin faz parte de um mercado globalizado cotado em dólar. O volume negociado no Brasil não é expressivo comparado ao mercado global. Se o dólar cair pressionado pelo aumento dos juros, a gente vê apenas uma precificação diferente, mas em termos de cotação global do bitcoin não influencia em nada“, completa Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move.

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