Tesouro prefixado: vale a pena investir?

João Beck, economista e sócio da BRA, e Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, comentam o assunto e cuidados nesse tipo de investimento

O Tesouro Direto Prefixado tem oferecido rendimentos acima de 10% nas aplicações para 2026 e tem se revelado uma boa opção de investimento nas últimas semanas. Isso porque o aumento do risco fiscal no Brasil, além das diversas turbulências internacionais, aumenta o cenário de incerteza e os juros pagos aos investidores.

Entre as opções de investimentos dentro do Tesouro Direto, estão os ativos atrelados a Selic, IPCA (indicador de inflação) e prefixados, opção em que há uma taxa de rentabilidade definida e fixa da compra até o vencimento.

Para João Beck, economista e sócio da BRA, a alta da inflação impactou principalmente setores relacionados à energia e à alimentação. Ele reforça que é fundamental ter cautela nas tomadas de decisões. “Para a pessoa física sem o arcabouço técnico para prever os efeitos da inflação futura, fica arriscado comprar prefixado. Se a inflação continuar surpreendendo, ele vai amargar perdas nesse investimento“, diz.

“É importante dizer que quando a expectativa de juros sobe, os títulos IPCA também sobem e para o investidor comum essa pode ser uma opção melhor porque, ao levar esse título para o vencimento, temos o investimento corrigido pela inflação somado a uma taxa prefixada“, comenta Beck.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, reforça a importância de, em cenários de incerteza como o atual, ao comprar um título prefixado, prestar atenção em seu prazo e não tanto no rendimento do ativo.

O risco de um prefixado de longo prazo é a inflação vir mais alta e corroer o rendimento. Se a inflação acumulada vier acima de 9%, por exemplo, pode fazer com que tenha remuneração quase nula”, diz.

Por isso, uma opção, segundo ele, é manter prazos de até 2 anos e alocar em títulos vinculados à inflação. Em relação às expectativas para o próximo ano, Jansen aponta que, se o risco fiscal continuar crescendo, a taxa do prefixado deve aumentar ainda mais. “A curva de juros precifica o aumento da inflação. O aumento do risco Brasil e o teto de gastos impactam o crescimento da Selic“, afirma.

João Beck acredita também que, se a inflação continuar surpreendendo como neste ano, a expectativa para 2022 é de maior rendimento para o prefixado. “Está de fato com muita ‘gordura’, com muito prêmio de risco. O mercado precificou nas taxas de juros um cenário muito ruim de inflação. Se não ocorrer nenhuma ruptura grande, esse título vai ter um bom rendimento comparado com o CDI”, explica.

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Por Hochmuller Multimídia
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