Banco Central busca ancorar as expectativas com aperto monetário

Por *Allan Augusto Gallo Antonio

Ontem, dia 7, iniciou-se a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A expectativa do mercado é que nesta reunião o órgão aumente a taxa de juros para 9,25% ao ano. A decisão esperada segue na linha da tentativa do órgão de controlar a inflação e ancorar as expectativas do mercado.

Ainda em agosto de 2021, o BC havia decidido subir os juros para o patamar de 5,25% ao ano, em função dos riscos da variante delta e pelo efeito dos estímulos monetários internacionais, que, apesar de beneficiarem os países emergentes no curto prazo, sinalizavam a necessidade de aumento da taxa que permaneceu baixa por mais tempo do que o recomendado por alguns especialistas. Vale dizer que já naquele patamar a elevação representou o maior aperto monetário desde 2003.

Nessa mesma direção, no final de outubro o COPOM decidiu subir a taxa para 7,75% ao ano, principalmente devido aos riscos envolvendo a inflação persistente e a decorrente necessidade de cumprir a meta de inflação.

Adaptação ao cenário real
A ideia da equipe econômica de manter os juros baixos para estimular a economia e desincentivar o rentismo poderia ser um mecanismo eficaz num cenário de normalidade, mas a verdade é que as rodadas de estímulo monetário e a facilidade na obtenção do crédito acabaram agravando o fenômeno inflacionário decorrente da crise sanitária. Não apenas no Brasil, mas em todo o mundo foi preciso adaptar o cenário ideal para cenário real, principalmente num horizonte de incertezas devido a nova variante.

O que o BC espera com essa elevação?
Nos próximos meses o mercado parece esperar novas elevações na taxa de juros no mundo inteiro, especialmente até que a emergência sanitária seja solucionada. No caso brasileiro, a intenção é conter a demanda aquecida e estimular poupança.

Implicações práticas
Uma vez confirmada a elevação para 9,25% ao ano, passará a valer a regra de rendimento da poupança conhecida popularmente como “poupança velha”. Nesse cenário, todas as aplicações em poupança terão rendimento fixo de 0,5% ao mês, ou 6,17% ao ano, mais a taxa referencial. O rendimento da aplicação em poupança será um pouco maior, mas ainda continuará abaixo de outras modalidades de renda fixa.

Cenário internacional
Embora a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, tenha negado que o cenário caótico nos Estados Unidos não seja consequência dos pacotes de estímulo da administração de Joe Biden, a verdade é que por lá os preços subiram ao nível mais alto nos últimos 30 anos. O aumento da taxa de juros americana recomendado pelo FMI ao FED (Banco Central Americano) aponta que é hora de fechar a torneira e encerrar a festa por lá também.

*Allan Augusto Gallo Antonio, formado em Direito e Mestre em Economia e Mercados, é analista do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.



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