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Cadu Evangelisti, o chef dos chefs dentros de realitys

“Aprendemos que o desespero era o que eliminava a galera. Então quem soubesse controlar melhor os nervos era quem iria mais longe. Eu soube controlar os meus”

Cadu Envangelisti e Felipe Bronze - Crédito: Foto Cedida pela Record/ Top Chef Brasil
Cadu Envangelisti e Felipe Bronze – Crédito: Foto Cedida pela Record/ Top Chef Brasil

Criado em Ribeirão Preto (SP), longe da agitação de sua cidade natal, São Paulo, e rodeado de mulheres inspiradoras, que compartilharam, mesmo que de forma involuntária, os aromas e rituais culinários pertencentes a sua família, o chef Cadu Evangelisti, ex-participante do Top Chef Brasil, da terceira edição, soube desde cedo que a cozinha seria elemento central em sua vida. Esse despertar aconteceu de maneira orgânica, durante a sua primeira infância, quando provou uma combinação simples, porém muito saborosa. “Tomate com orégano. Lembro que achei a combinação mais incrível do mundo e eu tinha uns 5 anos”, relembra e diz que essa simplicidade é elemento fundamental na concepção de seus preparos.

Para Cadu, a comida é sagrada. E,fazendo uma analogia, o nosso entrevistado, selecionou a sua divina trindade de ingredientes: missô, coentro e limão. “Minha cozinha é autoral, divertida, livre de rótulos e com muita influência asiática”, complementa ele, que compartilhou, no programa, todas essas características com muito bom humor e criatividade.

Chef Cadu Evangelisti - Crédito: Fotos Cedida pela Record/ Top Chef Brasil
Chef Cadu Evangelisti – Crédito: Fotos Cedida pela Record/ Top Chef Brasil

Despertar orgânico

Segundo o participante do reality gastronômico Top Chef Brasil, apresentado pela rede Record, com os jurados Felipe Bronze, Emmanuel Bassoleil e Ailin Aleixo, o paladar aguçado se desenvolveu muito cedo, mas, contudo, o paulistano não optou, a princípio, seguir a carreira na gastronomia. “Tentei o curso de Publicidade e Propaganda, por estar inseguro com o mercado pouco valorizado na época”, conta. “ Porém, com menos de 2 anos de formado, larguei tudo e resolvi me jogar na cozinha”, diz, mas salienta que a graduação tem grande valia para o seu desenvolvimento profissional. “Adquirir conhecimento sobre a marca ou produto que eu mesmo posso ser e, assim, consigo trabalhar a minha imagem de forma inteligente”, frisa.

Após consolidar seu desejo por atuar no ramo, Cadu foi atrás de especializações. “Estudei em São Paulo, na escola Laurent. Trabalhei em hotéis, bufês e restaurantes, mas uma passagem marcante e curiosa foi quando atuei por dois anos em um açougue, para entender tudo sobre carnes. Foi incrível”, diverte-se ao lembrar.

Carreira profissional fora do eixo

Para o profissional, atuar em Ribeirão Preto, mesmo sendo uma grande cidade, do interior paulista, há alguns obstáculos a serem transpostos. “Faço um tipo de comida mais compreendida nos grandes centros, onde as pessoas têm mais referência de alta gastronomia. Aqui, temos bons chefes e restaurantes, para todos os gostos, mas em uma linha mais tradicional, até por uma questão de demanda”, fora a procura, o chef salienta que o acesso aos ingredientes na região é menor.

Entretanto, esse déficit parece não desencorajar Cadu de produzir pratos elaborados que carregam sua assinatura. “Mas sigo desbravando e quebrando muitos paradigmas. Vejo, hoje em dia, colegas usando ingredientes e técnicas que eu comecei a usar. Vejo um público mais aberto a novas experiências, muito pelo trabalho que venho desenvolvendo, com uma comida mais provocante e zero convencional”, fala. Ele ainda salienta: “não sei por quanto mais tempo fico por aqui. Sinto que para chegar onde quero preciso sair em algum momento, mas por enquanto tá divertido desbravar tudo isso”.

Para saber mais dos desafios enfrentados – e amor conquistado – até o final de sua trajetória no reality, nós da revista Empreende, conversamos com Cadu Evangelisti. Confira:

Antes de mais nada: você já tinha participado de outro reality, The Taste, no canal GNT, em 2016. Ter vivenciado outra competição gastronômica ajudou a encarar esse novo desafio?

As duas experiências foram bem diferentes. O The Taste faz muitos anos. Eu estava despreparado e sem expectativa. Para o Top Chef, fiquei mais confiante e certo que poderia ir mais longe. Não me ajudou, pois nada se compara com o Top Chef, em especial a parte do confinamento; é um negócio surreal.

Como surgiu a oportunidade de participar?

Bom, na verdade, fui convidado. Depois de ter aceito, passei por um processo seletivo super rigoroso, com entrevistas e provas. No total, foram 45 dias de seleção.

Dentro do programa, qual foi a experiência que te marcou? Por quê?

É um reality muito difícil. Uma mistura de confinamento com provas de gastronomia. Uma loucura. Todos os participantes ficam confinados, sendo filmados e microfonados 24h por dia. Saímos de casa, apenas, para participar das provas. Ao total, fiquei confinado por 36 dias, sem celular, notícias e contato com a família. O que mais me impactou, dentro dessa experiência, foi ficar confinado e sendo observado pelas câmeras.

Como era o dia a dia com os outros participantes? Como vocês lidavam com a pressão que antecede as gravações?

No começo, foi muito estranho morar com desconhecidos, que, ainda por cima, eram meus adversários na competição. Depois de um tempo, foi ficando mais tranquilo. Me dei bem com todos os competidores e, lá, pelo 7º dia, já me senti em casa. Em relação as provas, a gente não sabia o dia e nem horário. Não sabíamos se estávamos de “folga” ou não. Entretanto, com o passar dos tempos, entendemos o padrão do programa. Com isso, já acordávamos preparados, nos apoiando e, em especial, nos acalmando. Mas tinha um corredor nos bastidores, antes de entrar na cozinha que era só chegar perto, que o nervosismo vinha forte – mesmo já acostumados.

Como é ter seus pratos avaliados pelos jurados?

No começo da competição era difícil. Por que, cozinhava para agradar os jurados. Depois, passei a cozinhar o que realmente acreditava e gostava; daí tudo começou a fluir. Uma das críticas mais pesadas foi no 6º episódio, com uma preparação que usei muitos ingredientes e comentaram que meu prato parecia um carnaval. Contudo, também tive ótimos elogios: “genial”, “obra prima” e “espetacular”. Um que marcou muito foi quando o chef Felipe Bronze falou, na semifinal, que fiz o melhor prato entre todos os participantes. Fiquei muito feliz em ter feito, “o prato da temporada”.

É inevitável não falar do seu envolvimento com a Nat Scavone, essa relação ajudou de alguma maneira a lidar com a competição?

Sim, ajudou muito! A gente se apoiava demais e ter alguém te dando suporte em uma competição de alto nível e com os nervos à flor da pele é um luxo. Nos apaixonamos perdidamente e, isso, poderia nos tirar o foco da competição, mas não foi isso que aconteceu. A gente deu muita força, lá dentro, inclusive nas provas.

Como foi a construção do seu menu final? Você já tinha idealizado ele no começo do programa ou foi algo que foi alterado no meio do seu trajeto?

Meu menu foi baseado na minha história, na minha carreira. Comecei a pensar nele, mais ou menos, no 7º episódio, quando comecei a, de fato, imaginar que poderia estar entre os finalistas do reality.

Você esperava ser um dos finalistas? Teve alguma estratégia para chegar a final?

Eu sonhava, mas esperar, eu não esperava. Não tive nenhuma estratégia traçada. Eu só buscava, todos os dias, dar o melhor de mim. Tudo mesmo. Tratava toda prova como sendo a última da minha jornada no programa.

Participar do programa mudou algo na sua carreira?

Mudou bastante. Sempre trabalhei muito e isso nunca vai mudar. Agora, a diferença é que mais pessoas conhecem o meu trabalho. É estranho ser parado nos aeroportos do Brasil inteiro para tirar fotos ou ser elogiado. É uma sensação muito maluca.

Por Camila Firmino – Revista Empreende