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Jorge Bischoff conta como se tornou um franqueador “pé no chão”

O mais importante pra mim foi entender que o grande segredo para o sucesso da franquia é fazer com que o franqueado ganhe dinheiro.

Boa parte dos empresários que desejam expandir seus negócios já pensaram em franquear sua marca. Porém este trabalho requer muita organização, ampla experiência e domínio sobre o setor em que atua. Para o empresário e designer Jorge Bischoff, nome de peso no segmento premium de calçados, quando iniciou o processo de expansão do seu negócio ele não mediu esforços para se tornar um franqueador com uma rede de lojas que geram resultados satisfatórios, especialmente para seus franqueados.

Nascido em Igrejinha, cidade muito pequena na região de Porto Alegre no Rio Grande do Sul, colonizada por alemães e com forte economia no setor calçadista, o designer cresceu no meio do couro e da cola, como costuma dizer. “Quando minha mãe estava viva ela contava que, quando ela trabalhava na fábrica de sapatos como costureira, minha tia me levava, quando bebe, na fábrica para que minha mãe me amamentasse. Por isso costumo dizer que eu nasci no meio do couro e da cola”, relembra com entusiasmo.

Aos 12 anos de idade, Jorge Bischoff começou sua carreira no setor calçadista como operário em uma indústria da sua cidade natal. Ao longo do tempo, passou por todos os setores da fábrica e sempre teve o desejo de se tornar modelista de sapatos – termo utilizado na época para o que hoje conhecemos como designer. Com muita força de vontade e determinação, ele trabalhava durante o dia e estudava a noite, foi assim que adquiriu conhecimento e experiência como designer de sapatos, até que em 1997, abriu seu próprio estúdio de criação – o Criativare –, onde desenhava coleções para várias marcas na região de São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Foi durante uma festa de ampliação do Criativare que um jornalista ao entrevistar Jorge Bischoff, lançou a ideia para ele criar sua própria marca, e não apenas desenhar coleções para outras empresas. O designer ficou com essa ideia na cabeça e após três semanas ele decidiu colocá-la em prática. “Reuni minha equipe e disse a todos que lançaria minha própria marca, a Jorge Bischoff, naquele momento todos me chamaram de louco, mas ao longo do tempo foram aparecendo vários loucos no caminho que me ajudaram a viabilizar essa ideia” conta.

Após quatro anos desde de o lançamento oficial da marca Jorge Bischoff, que teve sua primeira loja inaugurada em 2003 na badalada Rua Padres Chagas, em Porto Alegre/RS, o então consagrado designer iniciou o projeto de expansão da marca através do modelo de franquias. Para saber mais dos desafios enfrentados no processo de franchising até o momento atual, nós da revista Empreende, conversamos com o CEO. Confira:

Jorge Bischoff – Créditos foto: Lu Prezia

Empreende – Há 14 anos você iniciou o sistema de franchising da Jorge Bischoff. Quais foram os principais aprendizados como franqueador da marca?

Jorge Bischoff – Eu tive uma vantagem muito bacana, como eu desenvolvia produtos para franqueadores, como a Andarella, CityShoes, e outras marcas relevantes no mercado, eu fiquei amigo dos gestores dessas organizações. Conversávamos e eu escutava muito como as coisas funcionavam, com isso eu sabia onde é que era o nó. Tanto que, quando eu falei que queria franquear minha marca, eles falavam ‘bah Jorge tu tá loco, não te mete neste negócio’ e eu dizia, ‘mas como não? Isso não pode ser tão ruim assim’. Então, muita coisa, quando montamos nosso sistema de franchising, a gente fez do nosso jeito. Não contratamos um especialista em franquias, focamos mais em contratar profissionais da área jurídica e em desenvolver nosso pessoal.

Eu jogava para a equipe o desafio de como poderíamos abrir lojas em Manaus, Belém, Passo Fundo, Ribeirão Preto e todas essas unidades deveriam ser iguais à loja em Porto Alegre, a loja em Gramado, ou seja, como manter o elevado padrão de atendimento e gestão em todas as lojas espalhadas pelo país. Minha equipe aderiu ao desafio e respondia ‘Vamos fazer isso acontecer!’. Por isso, não começamos tão acelerados, para não perder o padrão. E hoje nós temos um sistema muito bom de equipe de trabalho, de suporte, de supervisão, enfim, hoje tudo ficou mais fácil.

Atalhei muitos desafios, que talvez eu teria tido dificuldades se eu não tivesse convivido com esses processos antes. O mais importante pra mim foi entender que o grande segredo para o sucesso da franquia é fazer com que o franqueado ganhe dinheiro.

Empreende – Como funciona a logística para distribuir os produtos em várias lojas pelo país?

Jorge Bischoff – Hoje nossos produtos são faturados diretamente da indústria para as lojas. Mas há 3 anos, inauguramos um centro de distribuição no Espírito Santo onde alguns produtos são distribuídos para o Brasil inteiro, enquanto que os demais saem diretamente da indústria para otimizar o tempo. Quanto ao valor do frete, já está embutido no custo do produto. E quando a distribuição é via centro de distribuição, tem dois fretes, mas há uma vantagem tributária ao passar pelo Espírito Santo que compensa.

Empreende – Diante das dificuldades do ano de 2020, devido às restrições do comércio por causa da pandemia da COVID-19, houve alguma inauguração de loja?

Jorge Bischoff – 2020 foi um ano muito bom para nós. Quando começou a pandemia deu aquele desespero, na época estávamos com 80 lojas, pensamos que seria um caos, mas não fechamos nenhuma loja. Pelo contrário, chegamos a inaugurar novas lojas! O segundo semestre, nos meses de setembro, outubro e novembro, foi ótimo de vendas, além de assinarmos vários contratos para o ano seguinte, no caso 2021, e assim as coisas foram andando. A marca ficou muito forte no meio da pandemia, porque cuidamos muito dos franqueados, além de sobrar mais espaço no mercado e por estar mais aquecido. Depois parou um pouco, em março de 2021, mas já não sentimos tanto, porque todas as lojas já estavam com sistema de vendas online.

Empreende – Sobre a questão das vendas online, como vocês trataram desse tema como os franqueados?

Jorge Bischoff – Abrimos uma plataforma para cada franqueado, onde ele mesmo consegue fazer suas vendas online. Hoje funciona assim, por exemplo, cada franqueado pode vender para quem quiser comprar online, ou seja, ele pode vender online para qualquer outra localização além da localização da sua loja física. Tivemos que reaprender a trabalhar com o varejo que era só físico e agora com um varejo que não é mais tão físico assim. A pandemia só acelerou as coisas que talvez demoraria uns dois ou três anos para acontecer, mas que a gente fez tudo em um ano só. Com relação ao e-commerce da Jorge Bischoff, esse já existia há anos, com a pandemia ele só cresceu no meio do processo.

Empreende – Quando você iniciou o projeto de franquias, você imaginava que chegaria a tantas unidades espalhadas pelo país?

Jorge Bischoff – Eu levei cinco anos desde o lançamento da marca Jorge Bischoff até o momento de franquear, porque a gente se preparou muito bem para isso. Minha ideia sempre foi que a gente crescesse muito, eu tinha certeza que isso aconteceria. Nossa previsão hoje é terminar 2022 com 125 lojas operando no Brasil, ou seja, agora a gente entra em um crescimento acelerado, temos planos para os próximos três anos de abrir muitas lojas pelo país. Eu te diria que foi tudo bem programado, inclusive poderíamos ter mais lojas, mas no começo eu quis fazer com que a gente seguisse todo um protocolo de amadurecimento.

Segundo o empresário, hoje no Brasil ainda há espaço para mais de 200 lojas, por isso, ele ainda não tem intenção de abrir franquia no exterior. Por outro lado, a marca já está inserida em lojas de multimarcas em mais de 60 países, representando hoje 18% da sua produção.

Em 2021 foram inauguradas 15 lojas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas e Espírito Santo. Recentemente, dia 15 de dezembro de 2021 foi inaugurada a última loja do ano em Bento Gonçalves/RS, completando as 95 lojas espalhadas por todo território nacional. Para 2022 a marca já tem 14 contratos assinados para aberturas de novas unidades e deseja chegar a 125 lojas.

Dentre as linhas de calçados da empresa que mais se destacaram no segundo semestre de 2021, foi a coleção Say Yes, a qual é muito desejada pelas noivas, com sua tradicional pedra azul, que tem o intuito de levar sorte ao casamento, esta linha teve seu melhor semestre de vendas devido ao aumento de casamentos que vem acontecendo no último semestre deste ano. “Parece que o mundo resolveu casar, nestes últimos meses está uma loucura” diverte-se ao falar.

Atualmente o setor calçadista brasileiro emprega mais de 271 mil trabalhadores, indicando um aumento de 17%, ou seja, 24 mil postos de trabalho gerados em relação ao ano passado. No ano de 2021 os principais empregadores dos estados de Rio Grande do Sul, Ceará e Bahia, já superam os dados de 2019, segundo relatório da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Mesmo em meio a um cenário de incertezas, especialmente no mercado doméstico, a inteligência de Mercado da Abicalçados aponta para o ano de 2022 uma expectativa de crescimento médio de 2,6% na produção de calçados, totalizando 879 milhões de pares, 22 milhões a mais do que a projeção para o ano corrente.

Da redação – Revista Empreende