AmFi supera R$ 3 bilhões em operações após crescer 700%

A AmFi superou R$ 3 bilhões em operações estruturadas depois de registrar crescimento de 700% em 2025. A startup, investida da Bossa Invest, atua na infraestrutura do crédito privado ao conectar originadores, gestores e investidores institucionais, sem funcionar como banco nem conceder empréstimos diretamente com capital próprio.
O avanço ocorre em um mercado de capitais mais ativo. Entre janeiro e maio de 2026, as ofertas no Brasil movimentaram R$ 283 bilhões, alta de 14,1% sobre o mesmo período do ano anterior, com 1.156 operações concluídas.
Crédito privado amplia demanda por infraestrutura
No mesmo intervalo, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$ 41,7 bilhões, crescimento de 36,5%, e responderam por 406 emissões. A expansão de fundos, debêntures, notas comerciais e outras estruturas aumentou a necessidade de organizar documentos, registrar ativos, acompanhar pagamentos e compartilhar dados entre diferentes participantes.
A AmFi ocupa essa camada operacional. Sua proposta é padronizar e integrar processos entre empresas que originam crédito, gestoras e investidores institucionais. A escala do negócio depende menos de milhões de usuários individuais e mais da capacidade de processar volumes maiores com controle, governança e segurança.
Bossa Invest aposta nos bastidores do mercado financeiro
Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest, afirma que o investimento acompanha uma mudança na tese das fintechs. Além de empresas voltadas ao consumidor, fundos de venture capital passaram a observar startups que fornecem tecnologia e processos para bancos, fundos e gestoras.
Segundo o executivo, o volume de R$ 3 bilhões indica demanda pela solução, mas também eleva a responsabilidade sobre risco, informação e consistência operacional. A evolução da empresa depende ainda de regulação, qualidade dos ativos e capacidade de integrar instituições com interesses diferentes.
A Bossa Invest informa ter investido em mais de 1.800 startups, sendo 364 brasileiras com aportes diretos. As empresas do portfólio somam valuation superior a R$ 5 bilhões. A gestora também registra mais de 130 saídas e afirma ter investido mais de R$ 31 milhões em novas empresas em 2025.
O caso da AmFi ilustra uma frente menos visível das fintechs: empresas que não oferecem conta, cartão ou empréstimo ao público, mas desenvolvem a infraestrutura usada para estruturar e acompanhar operações de crédito privado.
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