Brasil leva 82 empresas à SIAL China 2026 e mira US$ 3,3 bilhões em negócios com o mercado asiático

O Brasil está com presença recorde na SIAL China 2026, principal feira de alimentos e bebidas da Ásia, com 82 empresas distribuídas em cinco pavilhões organizados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e entidades parceiras. O número supera as 54 empresas participantes da edição anterior e reflete o crescimento do interesse brasileiro no mercado chinês, maior parceiro comercial do país.
A missão, que se estende de 14 a 22 de maio nas cidades de Chongqing, Shenzhen, Xangai e Pequim, é liderada pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller. A expectativa é movimentar US$ 3,3 bilhões em negócios imediatos e futuros a partir das rodadas comerciais e dos acordos institucionais previstos na programação.
Brasil lidera presença na maior feira de alimentos da Ásia
A ApexBrasil coordena diretamente os pavilhões World Food e Proteínas. Também participam da organização a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio do projeto AgroBR.
Entre os produtos em destaque estão carnes bovinas e de aves, cafés especiais, açaí, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos da sociobiodiversidade brasileira. A variedade reflete a estratégia de diversificação da pauta exportadora, com foco em produtos de maior valor agregado.
“A China é um parceiro estratégico para o Brasil e esta missão representa mais um passo importante na diversificação e agregação de valor das exportações brasileiras”, afirmou Laudemir Muller. “Estamos ampliando a presença de empresas brasileiras no mercado chinês, fortalecendo setores tradicionais e abrindo espaço para cooperativas, agricultura familiar e produtos de maior valor agregado.”
Cooperativas chegam pela primeira vez ao mercado chinês
Um dos destaques da missão é a chegada do programa Cooperar para Exportar ao mercado chinês. Após a estreia internacional durante a Gulfood 2026, em Dubai, esta é a primeira participação da iniciativa na China. O programa conta com um pavilhão dedicado à agricultura familiar brasileira, reunindo dez cooperativas de diferentes regiões do país.
A estratégia busca ampliar a participação de pequenos e médios produtores no comércio internacional, um objetivo que ganha relevância diante do potencial de crescimento da demanda chinesa por alimentos diferenciados e com apelo de origem.
The Beef and Road: carne bovina avança para o interior da China
A missão também inclui a participação da ApexBrasil no roadshow “The Beef and Road”, promovido pela ABIEC em Chongqing. A iniciativa busca ampliar a presença da carne bovina brasileira em regiões do interior da China, além do eixo tradicional de Pequim e Xangai, por meio de encontros com compradores, distribuidores e parceiros locais.
Os números do comércio bilateral justificam a aposta. Em 2025, as exportações de carne bovina brasileira para a China atingiram cerca de 1,7 milhão de toneladas, volume muito superior às menos de 100 mil toneladas exportadas há pouco mais de uma década. No total, o comércio bilateral Brasil-China fechou 2025 em US$ 170 bilhões.
Luckin Coffee e café brasileiro: parceria em Shenzhen
Em Shenzhen, a delegação da ApexBrasil visitará uma loja tematizada com referências ao Brasil da Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China. A unidade faz parte da cooperação entre a empresa e a agência para promover o café brasileiro no país asiático, um mercado em rápida expansão no consumo de café.
A Luckin Coffee tem crescido de forma acelerada nos últimos anos e hoje opera milhares de unidades por todo o território chinês, representando um canal de distribuição estratégico para o café brasileiro junto ao consumidor urbano chinês.
MoUs e acordos institucionais em Pequim
A programação inclui ainda a assinatura de Memorandos de Entendimento (MoUs) com instituições chinesas em Pequim. Os acordos envolvem entidades ligadas à promoção de investimentos, finanças verdes e agricultura sustentável, áreas que têm crescido como prioridade nas agendas bilaterais.
A ApexBrasil também lançou recentemente o estudo Perfil de Comércio e Investimentos China, que mapeou as relações econômicas entre os dois países e identificou 385 oportunidades para exportações brasileiras em setores de maior valor agregado.
Por que a missão importa para o agronegócio e para os negócios brasileiros
A presença recorde na SIAL China 2026 sinaliza um movimento estrutural na relação comercial Brasil-China, que vai além das commodities tradicionais como soja e minério de ferro. A entrada de cooperativas, produtos da sociobiodiversidade e marcas de alimentos processados representa uma tentativa de subir na cadeia de valor das exportações brasileiras.
Para empreendedores e empresas do setor de alimentos e bebidas, a missão abre uma janela de observação sobre o que o mercado chinês demanda e como estruturar uma estratégia de internacionalização para a Ásia. A China seguirá sendo o destino mais relevante para as exportações brasileiras nos próximos anos, e quem entrar antes tende a construir relações comerciais mais duradouras.