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Brasil negocia US$ 3,3 bilhões em alimentos na maior feira asiática com 82 empresas em Xangai

20/05/2026 • 08:31

soja

O Brasil levou 82 empresas à SIAL China 2026, a maior feira de alimentos da Ásia, realizada em Xangai entre os dias 12 e 14 de maio, com expectativa de negociar aproximadamente US$ 3,3 bilhões em produtos alimentares. A participação de empresas do setor de alimentos, bebidas e insumos agrícolas segue a estratégia do governo de diversificar mercados e aproveitar a demanda chinesa por produtos de origem brasileira, especialmente soja, carnes e lácteos.

O Ministério da Agricultura e a ApexBrasil lideraram a delegação que participou do evento, marcado por encontros entre empresários brasileiros e distribuidores, varejistas e processadores chineses. A SIAL China é um dos principais eventos de negócios do setor alimentício asiático, frequentada por buyers profissionais que representam redes de varejo, processadoras e indústrias transformadoras de toda a região Asia-Pacífico.

Soja lidera pauta com receio de concorrência americana

A soja brasileira segue sendo o produto-destaque nas negociações China. O Brasil é o maior fornecedor de soja para a China, suprindo aproximadamente 60% da demanda chinesa por oleaginosa. Com a safra 2025/2026 projetada como recorde pelo USDA e pelo IBGE, o Brasil tem margem de oferta confortável para ampliar volumes e consolidar sua posição no mercado chinês.

Porém, a incerteza com as políticas de tarifas americanas sob a administração Trump cria pressão sobre os preços globais de soja. Se Trump impuser tarifas sobre exportações chinesas, a China pode aumentar suas compras de soja brasileira para compensar a redução de compras americanas. Por outro lado, uma redução de tarifas pode normalizar as compras chinesas de soja dos EUA, reduzindo a demanda por produto brasileiro.

Carnes e lácteos ganham espaço em negociações

Além da soja, as carnes bovinas e suínas brasileiras tiveram destaque na SIAL. A China é o segundo maior importador de carnes brasileiras, atrás apenas do mercado doméstico. Com a demanda chinesa permanentemente elevada por proteína animal de origem brasileira, empresas de processamento e frigoríficos brasileiros participam ativamente de feiras asiáticas em busca de novos contratos de fornecimento.

Os lácteos brasileiros também avançam em presença nos mercados asiáticos. Queijos, leite em pó e derivados lácteos ganham espaço em prateleiras de supermercados chineses, alimentando demanda por produtos brasileiros percebidos como de qualidade superior em comparação com produtos locais chineses. As exportações de lácteos crescem cerca de 15% ao ano, movimento que é acompanhado por fábricas e cooperativas que modernizam processos para atender aos padrões de qualidade chineses.

Tecnologia e rastreabilidade entram na pauta

Um elemento novo nas negociações 2026 é o foco em rastreabilidade e certificações de sustentabilidade. Importadores chineses, pressionados por consumidores urbanos de alta renda em cidades como Pequim, Xangai e Guangzhou, passaram a exigir comprovação de origem, práticas sustentáveis de produção e cumprimento de normas ambientais cada vez mais rigorosas.

Empresas brasileiras que investem em certificações como rainforest Alliance, FSC (para produtos florestais) e programas de rastreabilidade blockchain ganham vantagem competitiva em negociações com importadores chineses sofisticados. O mercado de alimentos premium na China cresce acima do mercado geral, criando oportunidades para produtores brasileiros que conseguem agregar valor às commodities tradicionais.

Contexto de negociações Trump-Xi afeta perspectivas

O encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim (13 a 15 de maio) aconteceu algumas semanas antes da SIAL, criando um contexto de cautela nas negociações. Embora o encontro tenha tido caráter principalmente simbólico com poucas concessões comerciais efetivas, a sinalização de que negociações sérias estão em andamento ofereceu alguma previsibilidade aos mercados.

Trump sinalizou que pode aumentar compras agrícolas americanas pela China como concessão nos diálogos comerciais. Se esse acordo se concretizar, pode reduzir o espaço para produtos brasileiros. Porém, analistas apontam que a China provavelmente manterá diversificação de fornecedores, garantindo espaço para soja, carnes e outros produtos brasileiros mesmo com possível aumento de compras americanas.

Oportunidades e desafios para agronegócio brasileiro

A participação de 82 empresas brasileiras na SIAL China 2026 reflete a importância estratégica do mercado chinês para o agronegócio nacional. China, Irã, Índia e União Europeia são os principais compradores de produtos agrícolas brasileiros, e qualquer volatilidade nesses mercados afeta diretamente as receitas de produtores, cooperativas e empresas de exportação.

Para mais contexto sobre a dinâmica de agronegócio e exportações brasileiras, confira nossa cobertura de tendências do setor. Acompanhe também as análises de China Business para entender como as relações comerciais sino-brasileiras seguem evoluindo em 2026.