Cerebras estreia na Nasdaq com valuation de US$ 101,75 bilhões após aporte da Bossa Invest

O IPO da Cerebras Systems recolocou a infraestrutura de inteligência artificial no centro do mercado global de capitais. A fabricante americana de chips para IA precificou sua oferta a US$ 185 por ação, acima da faixa esperada, levantou US$ 6,38 bilhões e se tornou um dos maiores IPOs de 2026 até agora.
Na estreia na Nasdaq, os papéis abriram com alta de 89%, levando a companhia a um valuation totalmente diluído de US$ 101,75 bilhões. O movimento mostra que investidores institucionais seguem dispostos a pagar múltiplos elevados por empresas ligadas a semicondutores, processamento de dados e capacidade computacional, áreas que sustentam a expansão da inteligência artificial generativa.
Cerebras saiu do mercado privado para a bolsa
A Cerebras nasceu como uma empresa privada de tecnologia nos Estados Unidos e chegou ao IPO como uma companhia de chips para inteligência artificial, sem vínculo estatal. Após a listagem na Nasdaq, deixou de ser uma empresa fechada e passou a ser uma companhia privada de capital aberto, com ações negociadas em bolsa.
Antes da oferta pública, a empresa havia levantado US$ 1,1 bilhão em uma Série G, em setembro de 2025, com valuation pós-money de US$ 8,1 bilhões. Em fevereiro de 2026, captou mais US$ 1 bilhão em uma Série H, quando passou a ser avaliada em aproximadamente US$ 23 bilhões.
Poucos meses depois, chegou à bolsa com uma avaliação muito superior, em um sinal da velocidade com que ativos privados de IA podem ganhar valor quando combinam tecnologia proprietária, demanda global e escassez de infraestrutura computacional.
Bossa Invest entrou antes do IPO
A Bossa Invest realizou aportes na Cerebras ainda nas rodadas privadas, antes da abertura de capital e antes que a companhia passasse a ser negociada em bolsa. Para a gestora, o caso reforça a tese de que parte relevante da valorização em tecnologia ocorre antes do IPO.
“O IPO da Cerebras mostra que o valor mais relevante em tecnologia muitas vezes é capturado antes da bolsa. O papel da Bossa Invest é buscar esse acesso com curadoria, análise de risco e acompanhamento próximo, porque não basta encontrar uma empresa promissora, é preciso entender se ela tem tecnologia, mercado e execução para atravessar ciclos até chegar a uma janela de liquidez”, afirma Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest.
Chips de IA atraem demanda global
A estreia ocorre em um momento em que chips, data centers e capacidade computacional estão entre os ativos mais disputados da economia global. A Cerebras atua em um segmento dominado por empresas como a Nvidia, mas ganhou espaço ao desenvolver chips especializados para treinamento e inferência de modelos avançados de IA, com arquitetura própria baseada em processadores de grande escala.
A demanda pela oferta, mais de 20 vezes sobrescrita, indica que o mercado busca novas formas de exposição à inteligência artificial, além das companhias já consolidadas em bolsa.
“A alta da estreia chama atenção, mas o mais relevante é o processo que levou a empresa até esse ponto. Venture capital não é apostar em manchetes, é construir exposição a negócios que podem redefinir mercados antes que eles estejam no radar de todos”, afirma Paulo Tomazela, CEO da Bossa Invest.
Sobre a Bossa Invest
A Bossa Invest atua em investimentos em startups B2B e B2B2C de base digital, majoritariamente nos estágios pré-seed e seed. Segundo o material enviado pela empresa, a gestora já investiu em mais de 1.800 startups, sendo 364 brasileiras com investimentos diretos.
De acordo com a Bossa, essas empresas somam valuation consolidado superior a R$ 5 bilhões. A gestora também informa ter mais de 130 exits e, em 2024, ter investido mais de R$ 28 milhões em novas empresas, além de aprovar mais R$ 27 milhões em novos aportes.
Segmentos com maior presença no portfólio
- Fintechs: 11%
- Edtechs: 8%
- Agrotechs: 6%
- Logística: 6%
- HRtechs: 5%
Fundada por João Kepler, a Bossa Invest tem entre seus sócios Thiago Nigro, Janguiê Diniz e Thiago Oliveira.
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