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China amplia cooperação em inteligência artificial com Brasil e Brics

20/05/2026 • 08:28

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A China avançou seus esforços de cooperação em inteligência artificial com o Brasil e os demais países do Brics nesta terça-feira (19 de maio) durante o evento Convergência de Energia dos Brics – IA Sem Limites, realizado em São Paulo. O encontro reuniu empresários, acadêmicos e representantes institucionais dos dois países para debater as alternativas tecnológicas ao domínio das grandes empresas norte-americanas na área de IA.

O Centro de Desenvolvimento e Cooperação em Inteligência Artificial China-Brics, lançado em julho de 2024, marcou seus dois anos com a proposta de expandir o acesso à tecnologia chinesa de forma aberta, promovendo transferência de conhecimento e capacitação de talentos nos países em desenvolvimento. A rede hoje reúne instituições de dez países.

Alternativas tecnológicas para o Sul Global

Jeff Xiong, secretário-geral do Fórum Acadêmico do Sul Global, afirmou que as empresas chinesas buscam ajudar países como o Brasil a “construir suas próprias capacidades, incluindo capacidade tecnológica, industrial e formação de talentos”. A estratégia contrasta com o modelo das empresas estadunidenses, que operam sob lógica de mercado e controle de dados.

Xiong enfatizou que a tecnologia chinesa de código aberto poderia permitir que agricultores brasileiros desenvolvam soluções próprias “sem preocupação de deixar os dados para os EUA”. A abordagem aponta para uma mudança na dinâmica de negócios com a China, com foco em soberania digital e desenvolvimento endógeno.

Xuhui como polo de inovação

O distrito de Xuhui, em Xangai, foi destacado como um dos principais polos tecnológicos globais, concentrando mais de 1,7 mil empresas de inteligência artificial, além de universidades e centros de pesquisa. Wang Hua, vice-secretário do comitê distrital de Xuhui, ressaltou as aplicações industriais da IA e a importância da cooperação bilateral.

A Rede Brasileira de Serviços do distrito de Xuhui foi oficialmente lançada durante o evento, abrindo caminhos para que empresas brasileiras acessem infraestrutura chinesa de inovação e capital de risco. Para empresários brasileiros interessados em inteligência artificial e tecnologia, essa rede representa uma oportunidade de acesso a recursos antes restritos.

Infraestrutura e data centers como agenda paralela

Além das plataformas de IA pura, o encontro contou com presença de empresas ligadas a infraestrutura digital, automação industrial e data centers. José Miguel Vilela, representante da V.tal, destacou que o Brasil possui vantagens competitivas para receber investimentos em data centers, como disponibilidade energética, matriz renovável e infraestrutura de fibra óptica.

Executivos chineses também apresentaram soluções de integração entre hardware e software para conectar máquinas industriais em larga escala, apontando aplicações de IA voltadas à produção industrial, agronegócio e gestão energética. Para o setor de inovação brasileiro, essas apresentações sinalizam um pipeline robusto de investimentos chineses nos próximos anos.

Governança tecnológica como debate central

O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP), presidente da Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Legislativa de São Paulo, afirmou que a inteligência artificial deve ser integrada às políticas públicas “com uso consciente e respeito a princípios éticos e sociais”. Segundo ele, os Brics podem desempenhar um papel estratégico na construção de mecanismos multilaterais de governança tecnológica.

A posição reflete uma mudança na agenda dos países em desenvolvimento, que passam a reivindicar maior participação nas definições globais de padrões de IA, em vez de apenas consumir tecnologia desenvolvida nos EUA. Para empresários que atuam em startups e inovação, essa abertura significa novas fontes de financiamento e parceria.

Por que essa cooperação importa para o Brasil

O Brasil é a maior economia da América Latina, e a cooperação em IA com a China abre caminhos para desenvolvimento tecnológico endógeno sem dependência unilateral do Vale do Silício. Segundo Bai Chinhui, conselheiro comercial do Consulado-Geral da China em São Paulo, os dois países devem “abrir um novo capítulo de cooperação” em áreas como manufatura inteligente e economia digital. Para profissionais em carreira tech, essa dinâmica representa oportunidades de trabalho em empresas que se posicionam como intermediárias entre a China e o mercado brasileiro.