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Com passagem pela NASA, brasileiro apoiado por Fundação Estudar chega ao doutorado nos Estados Unidos

nasa vehicle assembly building in cape canaveral

Formado pela Unicamp, aluno desenvolveu estudo sobre contaminantes na Lua

Nascido em Santos e criado em São Vicente, o engenheiro Raphael Nakamine Alves Hailer começou sua trajetória escolar com dificuldades em matemática e física durante o ensino básico. O que poderia ser uma limitação, se tornou superação, redefinindo o seu desempenho acadêmico e moldando uma mentalidade orientada à curiosidade científica. “Eu percebia nas aulas particulares que não tinha dificuldade nenhuma, era muito uma questão de autoconfiança”, afirma.

O interesse pelo setor espacial surgiu ainda na adolescência, mas era mantido em segredo. “Dizer que eu tinha sonho de trabalhar na NASA era uma coisa que eu nunca contava pra ninguém por medo de ser ridicularizado”, relembra. A trajetória que o levaria aos Estados Unidos começou a se estruturar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde ingressou inicialmente em Física e depois migrou para Engenharia Mecânica após participar de uma equipe dedicada ao desenvolvimento de foguetes.

A experiência prática em projetos aeroespaciais direcionou sua formação técnica e o colocou em posição de liderança dentro da equipe universitária. A combinação entre desempenho acadêmico e vivência em competições internacionais abriu portas para programas de duplo diploma na França. Raphael escolheu o Institut Polytechnique de Paris, onde aprofundou a formação em engenharia e pesquisa.

A etapa internacional consolidou sua vocação científica e o inseriu em redes acadêmicas de alta performance. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de integrar o Jet Propulsion Laboratory Visiting Student Research Program, iniciativa que permite a estudantes internacionais desenvolver pesquisas no laboratório da NASA.

A participação exigia, além da aprovação técnica, comprovação de bolsa para custear o período no exterior. O apoio veio por meio da Fundação Estudar, da qual Raphael é Tech Fellow. A vertica integra o Programa de Bolsas Líderes Estudar e é voltada a talentos das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Durante três meses em 2024, Raphael desenvolveu na NASA um projeto voltado à análise da dispersão de contaminantes moleculares na superfície da Lua. A pesquisa envolveu a criação de códigos computacionais capazes de simular o comportamento de partículas liberadas por missões espaciais e contribui para a compreensão do impacto humano em áreas estratégicas para futuras explorações lunares.

Para Raphael, o impacto do suporte foi estruturante. “Eu precisava do dinheiro pra realizar esse sonho, mas fui aprendendo que vai muito além da bolsa”, afirma. Ele destaca o papel da rede de contatos e da mentoria ao longo do processo. “Você tem uma dúvida, qualquer coisa, tem alguém pra te ajudar. É um suporte incrível.” Ao avaliar sua trajetória, sintetiza. “Foram vários fatores no meio do caminho, mas a Fundação foi com certeza um catalisador.”.

O trabalho dialoga com um setor que cresce globalmente e demanda profissionais altamente qualificados. No Brasil, segundo a Brasscom, o Macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação representou 6,5% do Produto Interno Bruto nacional em 2024, com produção de R$ 762,4 bilhões e crescimento médio anual de 8,4% nos últimos três anos. O relatório projeta investimentos de R$ 774 bilhões em tecnologias de transformação digital até 2028.

Esse cenário amplia a relevância de políticas e iniciativas voltadas à formação de capital humano em áreas estratégicas. Criado há 33 anos, o Programa de Bolsas Líderes Estudar já beneficiou mais de 900 talentos. Dados da própria Fundação indicam que 76% dos bolsistas assumem cargos de liderança em até três anos após a formação e 81% iniciam seus próprios negócios depois de ingressarem no programa. Mais da metade afirma que as conexões proporcionadas pela rede foram decisivas para o crescimento de suas iniciativas.

Após concluir a graduação no Brasil, Raphael foi aprovado em um programa de doutorado nos Estados Unidos, onde pretende aprofundar estudos em mecânica dos fluidos, simulações numéricas e modelagem computacional. Atualmente trabalha como engenheiro mecânico em São Paulo enquanto se prepara para a nova etapa acadêmica.

Processo seletivo

O processo de seleção ocorre uma vez por ano e inclui inscrição online, entrevistas, painéis com fellows e uma etapa final híbrida. Entre os pré-requisitos estão ter até 34 anos, ser brasileiro nato ou naturalizado e estar matriculado, em processo de aceitação ou cursando o ensino superior, no Brasil ou no exterior. Os interessados podem se inscrever clicando aqui. 

O critério central da seleção permanece a análise de entregas concretas já realizadas pelos candidatos e dos comportamentos que levaram a esses resultados, independentemente da área de atuação. Pessoas de todos os cursos e universidades seguem elegíveis.

Serviço:

Líderes Estudar

Inscrições: link