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Financas Mercados

Copom corta Selic para 14% ao ano e mantém cautela sobre novas reduções

05/08/2026 • 20:26

Group of professionals seated around a conference table with laptops during Banco Central do Brasil meeting
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Decisão unânime representa o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros, mas Banco Central evita antecipar os próximos passos da política monetária

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, decidiu nesta quarta-feira, 5 de agosto, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e confirmou a expectativa predominante entre os agentes do mercado financeiro.

Este foi o quarto corte consecutivo promovido pelo Banco Central desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, em março de 2026. Desde então, a Selic acumulou uma redução de 1 ponto percentual, saindo de 15% para os atuais 14% ao ano. Com o novo movimento, a taxa básica de juros atingiu seu menor nível desde março de 2025, embora permaneça em um patamar considerado restritivo para a atividade econômica.

O resultado já era amplamente esperado pelos investidores. Em levantamento realizado pela Reuters antes da reunião, 38 dos 42 economistas consultados projetavam exatamente um corte de 0,25 ponto percentual. Outros participantes esperavam a manutenção da Selic em 14,25%.

Apesar da continuidade do ciclo de redução dos juros, o comunicado divulgado pelo Copom não apresentou uma indicação clara sobre o que será decidido no encontro seguinte, marcado para os dias 15 e 16 de setembro. A autoridade monetária destacou que continuará acompanhando a evolução do cenário econômico e que pretende manter a política monetária suficientemente restritiva para garantir a convergência da inflação para a meta.

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Banco Central mantém postura cautelosa

O tom adotado pelo Copom mostra que o Banco Central pretende preservar flexibilidade para interromper ou prolongar o ciclo de cortes, dependendo principalmente do comportamento da inflação, da atividade econômica, das expectativas do mercado e das contas públicas.

Em análise encaminhada à reportagem, a avaliação é de que a decisão confirmou a estratégia de redução cuidadosa dos juros adotada pela autoridade monetária.

“A decisão do Copom veio em linha com as expectativas do mercado e reforça a estratégia de conduzir o ciclo de flexibilização monetária de forma gradual. O comunicado preserva um tom cauteloso, deixando claro que, embora o processo de desinflação tenha avançado, ainda há preocupação com as expectativas de inflação e com o grau de incerteza do cenário.”

Embora os indicadores recentes tenham mostrado uma melhora no ambiente inflacionário, o Banco Central ainda identifica riscos capazes de dificultar a convergência dos preços para a meta. Entre esses fatores estão a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, a resiliência do mercado de trabalho, as incertezas relacionadas à política fiscal e os possíveis efeitos do ambiente internacional sobre o câmbio e os preços das commodities.

O balanço de riscos para a inflação continua inclinado para cima, segundo o comunicado. Isso significa que, na avaliação do Copom, os fatores capazes de provocar uma inflação maior do que a esperada ainda possuem peso relevante nas decisões de política monetária.

Projeção de inflação permanece acima da meta em 2026

No cenário de referência apresentado pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, em 2026 foi reduzida de 5,2% para 5,1%. Para 2027, entretanto, a estimativa subiu de 3,7% para 3,8%.

Já para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a projeção de inflação foi mantida em 3,2%. O número está próximo da meta oficial, de 3% ao ano, mas ainda ligeiramente acima dela. O regime brasileiro prevê um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo limites entre 1,5% e 4,5%.

A manutenção da projeção de 3,2% no horizonte relevante ajuda a explicar por que o Banco Central encontrou espaço para reduzir novamente a Selic. Ao mesmo tempo, a revisão para cima da estimativa de 2027 e a persistência das expectativas desancoradas justificam a ausência de uma sinalização mais firme sobre cortes adicionais.

“Na nossa avaliação, o Banco Central evitou sinalizar uma sequência pré-definida de cortes, reforçando que os próximos passos continuarão dependentes da evolução dos dados. A mensagem é de que o ciclo de queda da Selic permanece em curso, mas sem compromisso com um ritmo mais acelerado.”

Atividade econômica também entra no radar do Copom

A desaceleração gradual da economia tem contribuído para a flexibilização da política monetária. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, avançou apenas 0,1% em maio na comparação com abril, considerando a série com ajuste sazonal.

Nos 12 meses encerrados em maio, o indicador acumulou crescimento de 1,4%. Já no período de janeiro a maio de 2026, a expansão foi de 1,2% em relação aos mesmos meses do ano anterior. Os números sugerem perda de força da atividade, ainda que sem uma contração generalizada da economia.

Esse processo de moderação é importante para o Banco Central porque uma atividade menos aquecida tende a reduzir a pressão sobre os preços, especialmente no setor de serviços. Contudo, o Copom continua observando sinais de resiliência no mercado de trabalho, fator que pode sustentar o consumo, a renda e a inflação por mais tempo.

Impacto imediato nos mercados deve ser limitado

Como a redução para 14% já estava incorporada às projeções dos investidores e aos preços dos ativos financeiros, o impacto imediato da decisão sobre o dólar, a Bolsa e a curva de juros tende a ser limitado. A principal reação deverá ocorrer a partir da interpretação do comunicado e das apostas sobre a reunião de setembro.

“Para os mercados, a decisão tende a ter impacto limitado, uma vez que o corte já estava amplamente precificado. O foco passa a ser a evolução da atividade econômica, das expectativas de inflação e do cenário fiscal, fatores que definirão o espaço para novas reduções da taxa de juros ao longo das próximas reuniões.”

Uma Selic menor, em termos gerais, reduz gradualmente o custo de captação das instituições financeiras e pode favorecer a concessão de crédito, o consumo e os investimentos das empresas. Esse efeito, porém, não ocorre imediatamente, pois a transmissão das decisões do Banco Central para os juros cobrados de consumidores e empresas depende das condições de risco, inadimplência, concorrência bancária e expectativas econômicas.

Para os investimentos, a queda da Selic também pode diminuir, ao longo do tempo, a atratividade relativa das aplicações conservadoras vinculadas aos juros, enquanto ativos como ações, fundos imobiliários e títulos de prazo mais longo podem ser beneficiados. O patamar de 14% ao ano, no entanto, ainda mantém a renda fixa brasileira com remuneração elevada.

O mercado passa agora a acompanhar a ata da reunião, prevista para 11 de agosto, quando o Banco Central deverá apresentar mais detalhes sobre os debates realizados pelos integrantes do Copom. Os próximos dados de inflação, atividade econômica, emprego e contas públicas serão decisivos para determinar se haverá um novo corte em setembro ou se o Comitê optará por uma pausa no processo de flexibilização monetária.