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Crescimento das apostas expõe empresas a novos riscos trabalhistas e de governança

Crescimento das apostas expõe empresas a novos riscos trabalhistas e de governança

Já são 305 companhias que solicitaram autorização para operar, segundo dados do Ministério da Fazenda compilados pela Benevento Advocacia

O setor de apostas no Brasil mostra sinais claros de retomada. Depois de cair de mais de 2.000 empresas autorizadas em 2023 para apenas 67 em janeiro de 2025, o mercado voltou a ganhar fôlego: neste ano, já são 305 companhias que solicitaram autorização, segundo dados do Ministério da Fazenda compilados pela Benevento Advocacia.
 

O mercado de apostas movimenta cifras bilionárias. Em 2024, o Banco Central apontou que as plataformas online registravam entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês em transferências via Pix, enquanto as loterias da Caixa arrecadavam cerca de R$ 1,9 bilhão no mesmo período. Já em 2025, o volume mensal das apostas online saltou para R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões. Pesquisa do Instituto DataSenado indica ainda que 12% dos brasileiros com 16 anos ou mais apostaram em plataformas esportivas em trinta dias.
 

Esse cenário, marcado por fácil acesso e forte digitalização, não impacta apenas consumidores. Ele traz reflexos diretos para o ambiente corporativo, já que a exposição crescente ao jogo amplia riscos de endividamento e dependência entre trabalhadores.

Entre os principais riscos para as empresas estão:

  • Queda de produtividade, com colaboradores utilizando aplicativos de apostas em horário de trabalho.
  • Pressão financeira interna, expressa em pedidos frequentes de adiantamento salarial.
  • Maior risco de fraudes, especialmente em áreas sensíveis como financeiro, compras e tesouraria.
  • Aumento do absenteísmo e rotatividade, com impacto no custo de reposição e treinamento.
  • Risco reputacional e legal, caso a empresa não possua protocolos adequados de apoio e prevenção.

Para Caren Benevento, sócia da Benevento Advocacia e pesquisadora do Grupo de Estudos do Direito Contemporâneo do Trabalho e da Seguridade Social da Universidade de São Paulo, esse é um desafio que precisa estar na agenda de governança das organizações. “As apostas já fazem parte da rotina de muitos trabalhadores, e ignorar esse cenário pode custar caro às empresas. Políticas internas de prevenção, integradas ao compliance e ao jurídico, são ferramentas estratégicas para reduzir riscos, preservar a produtividade e proteger a reputação corporativa.”
 

Entre as medidas que podem ser adotadas pelas organizações estão:

  • Programas de bem-estar financeiro e de educação sobre uso responsável do dinheiro.
  • Apoio psicológico e canais de acolhimento internos.
  • Protocolos de compliance voltados para prevenção de fraudes.
  • Treinamento de gestores para identificar sinais de risco, como mudanças de comportamento, isolamento social e aumento de faltas.

Caren destaca que o papel do jurídico empresarial é atuar de forma integrada à gestão de pessoas. “Mais do que identificar sinais de risco, as empresas precisam estruturar políticas alinhadas à legislação trabalhista e às regras de compliance. Essa combinação não só previne passivos, como fortalece a governança e transmite confiança a investidores, clientes e colaboradores”, finaliza a advogada.
 


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