E-commerce no Brasil pode crescer 104% até 2036
Ilustração gerada por IA / Revista Empreende
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Projeção divulgada em março pelo EBANX, com dados do World Data Lab, estima alta de 104% no gasto anual online do país até 2036; consumidores com 65 anos ou mais devem ganhar participação.
O gasto anual dos brasileiros com compras online pode avançar 104% até 2036, segundo projeção divulgada pelo EBANX em 24 de março de 2026, a partir de dados desenvolvidos com o World Data Lab (WDL). A estimativa indica crescimento superior ao projetado para o gasto total dos consumidores no país, que inclui desembolsos presenciais e digitais e pode subir 66% no mesmo intervalo. O dado deve ser lido como projeção de longo prazo, e não como resultado já observado pelo mercado.
A publicação também indica uma mudança gradual no perfil etário do consumo digital brasileiro. Na base analisada pelo estudo, pessoas entre 45 e 65 anos respondem por 29% do gasto online atual no país, à frente das faixas de 30 a 45 anos, com 25%, e de 15 a 30 anos, com 19%. A participação dos consumidores com 65 anos ou mais é projetada para passar de 14% para 19% até 2036. Os números constam em estudo do EBANX elaborado com dados do World Data Lab. (business.ebanx.com)
Projeção combina consumo, faixa etária e meios de pagamento
A projeção divulgada pelo EBANX não mede apenas o tamanho potencial do comércio eletrônico. O levantamento segmenta os consumidores por renda, idade e forma de pagamento, fatores que ajudam a explicar por que o crescimento esperado do ambiente digital não depende exclusivamente da entrada de jovens compradores. Nesse recorte, a expansão do consumo online se relaciona tanto à ampliação da base de consumidores quanto à evolução dos hábitos de quem já utiliza canais digitais.
O World Data Lab informa que suas projeções usam estatísticas governamentais, dados das Nações Unidas e informações de bancos centrais harmonizadas em um modelo de consumo. Na apresentação elaborada para o EBANX Summit 2026, a organização estima que o gasto online global de adultos passe de US$ 9,5 trilhões em 2026 para US$ 23 trilhões em 2036. A participação das compras digitais no gasto total, segundo o material, avançaria de 15% para 22% no período. (worlddatalab.com)
Esse cenário internacional não equivale a uma previsão específica para o Brasil, mas ajuda a situar a estimativa de expansão de 104% divulgada para o mercado brasileiro. Para empresas que vendem pela internet, a leitura central é que a evolução do e-commerce passa a exigir segmentação que vá além da associação automática entre compra digital e público jovem. A composição da demanda tende a incluir consumidores com trajetórias, renda disponível e preferências de pagamento diferentes.
Consumidores acima de 45 anos já têm peso relevante
Os dados divulgados em março mostram que consumidores de 45 a 65 anos já formam a maior faixa de participação no gasto online brasileiro, com 29% do total. O grupo de 30 a 45 anos aparece em seguida, com 25%; consumidores entre 15 e 30 anos representam 19%. Os percentuais não indicam que os compradores mais jovens deixarão de ser relevantes, mas revelam que o consumo digital no país está distribuído entre diferentes fases da vida.
Entre os consumidores com 65 anos ou mais, a projeção é de aumento de cinco pontos percentuais na participação no gasto online total: de 14% no período de referência do estudo para 19% em 2036. A mudança acompanha uma expansão mais ampla da população consumidora, definida pela pesquisa como pessoas com gasto diário igual ou superior a US$ 13, em paridade do poder de compra. (business.ebanx.com)
Segundo o EBANX, o Brasil pode adicionar 21,8 milhões de pessoas à classe consumidora até 2036, chegando a mais de 174 milhões. Isso representaria alta de 14% em dez anos. A faixa com maior crescimento nessa base seria a de pessoas com mais de 65 anos, com avanço projetado de 46%, seguida pelo grupo de 45 a 65 anos, com 23%. Mulheres responderiam por 53% dos novos integrantes da classe consumidora brasileira no período projetado. (business.ebanx.com)
Na prática, a informação não permite concluir que consumidores de idade mais alta tenham comportamento idêntico ou prefiram os mesmos produtos. Ela indica, porém, que marcas, marketplaces e serviços digitais não podem estruturar comunicação, navegação ou atendimento exclusivamente para um usuário jovem e habituado a resolver toda a jornada de compra sem apoio. Clareza no checkout, descrição objetiva de produtos, políticas de troca visíveis e opções de pagamento compreensíveis se tornam componentes comerciais, e não apenas decisões de design.
Pix e cartões dividem espaço no checkout brasileiro
A projeção de crescimento do comércio eletrônico também depende de como os consumidores conseguem pagar. No recorte apresentado pelo EBANX, dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) indicam que o Pix representa 45% do volume do comércio digital brasileiro, enquanto os cartões de crédito respondem por 40%. Carteiras digitais aparecem com 9%, e o boleto bancário, com 6%. Os percentuais foram publicados pelo EBANX em seu relatório Beyond Borders 2026. (business.ebanx.com)
A coexistência desses métodos é especialmente relevante para operações que atendem perfis etários e faixas de renda diferentes. O cartão de crédito permanece importante, mas a presença do Pix, de carteiras digitais e do boleto demonstra que a experiência de pagamento no Brasil não é organizada em torno de uma única ferramenta. Para o varejo digital, concentrar a jornada em apenas uma modalidade pode reduzir a compatibilidade com os hábitos efetivos de parte dos clientes.
O peso do Pix também altera a discussão sobre conversão. A escolha do meio de pagamento não se limita ao processamento financeiro da compra: ela interfere no tempo de conclusão do pedido, no nível de familiaridade do consumidor com a página e na percepção de controle durante a transação. Ao mesmo tempo, a diversidade de opções exige que empresas apresentem as alternativas de maneira transparente, sem sobrecarregar o checkout nem dificultar a identificação de custos, prazos ou regras de parcelamento.
No caso do público mais velho, a ampliação da participação no consumo online torna essa organização ainda mais relevante. A projeção não autoriza tratar pessoas acima de 65 anos como um bloco único, mas aponta que esse grupo deve ocupar parcela maior dos gastos digitais até 2036. Estratégias que pressupõem baixa adoção tecnológica apenas pela idade podem deixar de captar consumidores que já utilizam serviços digitais ou que estão entrando nesses canais à medida que ampliam sua renda e seu repertório de pagamentos.
Mercados emergentes concentram a expansão prevista
O avanço projetado para o Brasil ocorre em um contexto em que os mercados emergentes devem concentrar parte relevante do aumento do consumo online mundial. O World Data Lab estima que 60% do novo gasto de consumidores que migrará para canais online até 2036 estará nessas economias. A organização também projeta que os mercados emergentes adicionem 930 milhões de adultos à classe média no período, enquanto as economias desenvolvidas tenham redução de 37 milhões de pessoas nessa faixa. (worlddatalab.com)
Na mesma apresentação, o WDL calcula que o número de compradores online em mercados emergentes suba de 1,8 bilhão para 2,6 bilhões até 2036, com 741 milhões de novos compradores. De acordo com o material, 92% dessa nova base será formada por consumidores de classe média. Esses dados não substituem análises locais de renda, logística e concorrência, mas reforçam que o crescimento do e-commerce está ligado à expansão do poder de compra e ao acesso a meios de pagamento digitais. (worlddatalab.com)
Para empresas brasileiras, a combinação entre crescimento projetado do gasto online, maior presença de pessoas acima de 45 anos e diversidade de meios de pagamento cria uma agenda operacional concreta. O desafio não é apenas atrair tráfego, mas reduzir barreiras entre descoberta, decisão e finalização da compra. Isso inclui oferecer informações completas, compatibilidade com dispositivos móveis, pagamentos adequados ao mercado local e atendimento capaz de lidar com dúvidas antes e depois da conversão.
O e-commerce brasileiro tende a ser mais diverso em idade e hábitos de pagamento do que narrativas baseadas apenas em gerações mais jovens sugerem. A projeção do EBANX e do World Data Lab não é uma garantia de crescimento para cada empresa, mas oferece um sinal relevante para o planejamento: ampliar vendas digitais até 2036 dependerá de entender que a próxima etapa do mercado pode ser definida menos por um consumidor único e mais pela capacidade de atender públicos com diferentes níveis de renda, experiência e confiança nos canais online.
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