O setor offshore atravessa um ciclo de pressão crescente por atualização tecnológica, impulsionado tanto pela modernização dos ativos quanto pela adoção de novas metodologias de inspeção. A utilização da tecnologia brasileira da Vidya em operações offshore nos Estados Unidos, conforme reportado pela T&B Petroleum, demonstra a expansão internacional de soluções avançadas para monitoramento e integridade de ativos. De um lado, a urgência em estender a vida útil de ativos maduros impulsiona a adoção de tecnologias disruptivas: empresas brasileiras estão exportando inovação para otimizar manutenção. No Brasil, a Transpetro anunciou o primeiro petroleiro do Brasil com tanques certificados via inspeção por drones, marcando um avanço significativo na digitalização de processos críticos e na redução de riscos operacionais.
Além da digitalização, a necessidade de revitalizar embarcações e unidades offshore avança como pauta estrutural da indústria. A Petrobras estendeu o prazo da licitação para o Floating Production, Storage, and Offloading (FPSO) destinado à revitalização do campo de Albacora, reforçando a demanda por unidades capazes de operar com maior eficiência, segurança e aderência a padrões internacionais. Esse movimento revela a complexidade de manter a competitividade da frota em um contexto de ativos envelhecidos e pressões regulatórias globais.
Para Gabriel Junqueiro Seabra, Líder em Segurança Marítima e Conformidade para Integridade de Ativos Offshore e Gestão de Riscos Ambientais, a digitalização só cria valor quando ancorada em processos rastreáveis de inspeção e manutenção. Ele avalia que drones precisam fechar o ciclo de achados–correções–verificação sob regras de classe. "Em frotas, a tecnologia sem governança não entrega disponibilidade; o ganho vem de padronizar, priorizar riscos e comprovar a eficácia das ações", explica.
A crescente necessidade de renovação da frota também é evidente no mercado norte-americano, onde decisões envolvendo unidades de apoio offshore (OSVs) têm exigido maior rigor na avaliação de custos, riscos e viabilidade operacional. Análise da Riviera Maritime Media mostra que a atualização de embarcações sujeitas ao Jones Act enfrenta desafios relacionados à idade avançada dos cascos e à escalabilidade das reformas necessárias, movimento que pode ser acelerado caso o SHIPS Act consiga injetar nova vida na frota americana envelhecida. "Esses dados reforçam que a manutenção da frota, mesmo em países com tradição marítima, exige investimentos consistentes e alinhamento regulatório contínuo", afirma.
Gabriel explica que esse movimento global representa uma virada histórica: "Estamos diante de um setor que precisa conciliar frota envelhecida, novas exigências regulatórias e expectativas crescentes de desempenho ambiental. Essa combinação coloca a integridade estrutural no centro das decisões de investimento". Segundo o especialista, tendências internacionais mostram que a manutenção baseada em risco, o monitoramento preditivo e a digitalização de inspeções são hoje pilares indispensáveis para manter a competitividade e cumprir as regulamentações estatutárias, como Safety of Life at Sea (SOLAS) e International Convention for the Prevention of Pollution from Ships (MARPOL).
Gabriel também reforça a necessidade de observar atentamente as diretrizes do American Bureau of Shipping (ABS) sobre extensão de vida útil de ativos offshore. "Essas práticas mostram que operar uma embarcação por mais tempo exige muito mais do que manutenções programadas; requer avaliação profunda de fadiga, deformações e soldas, elementos que estão no limite da engenharia naval e da segurança marítima", explica. Para ele, manter o ativo em operação com segurança depende de integração entre análise técnica, gestão de riscos e aderência total aos códigos internacionais.
Para navegar neste ecossistema de regras sobrepostas, a figura do especialista em conformidade torna-se central. Gabriel é um vistoriador de classe experiente, com mais de dez anos de atuação no setor marítimo e offshore. Sua expertise inclui a coleta e validação de dados para estudos de fadiga estrutural, avaliação de deformações, inspeção visual de soldas e condução de verificações estatutárias. Seu trabalho envolve extensas inspeções de campo e verificações de conformidade, além do acompanhamento de Ensaios Não Destrutivos (END) para assegurar a integridade estrutural e o atendimento aos requisitos regulatórios. Ao atuar na linha de frente de operações submetidas a rigorosos padrões técnicos, consolidou sua proficiência em SOLAS, MARPOL, International Safety Management (ISM Code), International Ship and Port Facility Security (ISPS Code), Regulamentos de Classe e Código de Regulamentos Federais dos EUA (46 CFR), arcabouço que rege a segurança da vida no mar, a prevenção da poluição e os requisitos estruturais de embarcações.
Atualmente, atuando como Vistoriador Sênior na American Bureau of Shipping (ABS) na Austrália, Gabriel acumula expertise tanto em integridade quanto em sistemas críticos de propulsão e combate a incêndio. Sua gestão direta em portfólios de vistorias alcançou elevados padrões de conformidade com os requisitos da Organização Marítima Internacional (OMI) e de Estados de bandeira, coordenando vistorias complexas com múltiplas partes interessadas sem nenhuma não conformidade relevante. Com a criação da metodologia Maritime Operational Compliance and Integrity Framework (MOCIF), Gabriel integra inspeção, verificação e ação corretiva para reduzir o tempo de inatividade (downtime) e elevar a confiabilidade dos ativos através de uma manutenção baseada em riscos.
Sobre os próximos desafios do setor, Gabriel assevera que tecnologias emergentes como gêmeos digitais, inspeções remotas, análise preditiva serão decisivas para evitar incidentes, prolongar a vida útil de embarcações e preparar ativos para mercados como eólica offshore, hidrogênio e combustíveis alternativos. "O futuro da frota offshore depende da capacidade de transformar conformidade em vantagem competitiva e integridade operacional em valor econômico e ambiental mensurável", conclui.