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Estado de São Paulo tem em média 95 afastamentos diários de professores por saúde mental

Levantamento exclusivo do Centro do Professorado Paulista (CPP) revela mais de 25 mil licenças médicas entre janeiro e setembro de 2025. Cada afastamento dura, em média, 35 dias

O Estado de São Paulo registrou 25.699 licenças médicas concedidas a professores da rede estadual por transtornos mentais e comportamentais (CID-10) entre janeiro e setembro deste ano, o que equivale a uma média de 95 afastamentos por dia. As informações foram obtidas com exclusividade pelo Centro do Professorado Paulista (CPP), a partir de dados da Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME) via Lei de Acesso à Informação.

No período analisado, os afastamentos somaram 911.634 dias longe das salas de aula, ou seja, cada afastamento dura, em média, 35 dias. O cenário evidencia uma crise crescente de adoecimento emocional entre educadores, marcada por sobrecarga, condições precárias de trabalho e estresse acumulado.

“Esses números são um grito de alerta. O professor está adoecendo a cada dia. São jornadas longas, múltiplas escolas, violência, desvalorização e cobrança constante”, afirma Alessandro Soares, Diretor-Geral Administrativo do Centro do Professorado Paulista (CPP). 

Capital concentra quase metade das licenças 
A capital paulista lidera os afastamentos, com 13.534 licenças no período, uma média de 49 por dia. Na sequência, aparecem as regiões de Campinas (3.356 licenças, média de 12 por dia) e São José dos Campos (1.582 afastamentos, média de 6 por dia). Embora a concentração seja maior na capital, a distribuição dos casos demonstra que o problema atinge todo o território paulista e tem caráter estrutural.

Para o Diretor do CPP, a pressão emocional enfrentada pelos professores se intensificou nos últimos anos, com salas superlotadas, maior carga administrativa, falta de suporte psicossocial e episódios de violência nas escolas. A sensação de isolamento e a ausência de políticas de prevenção também são apontadas como fatores agravantes. 

“O sofrimento emocional dos professores é estrutural. Ele nasce da precarização e da solidão no trabalho docente. Não há cuidado psicológico suficiente, nem tempo para o professor cuidar de si. Por isso, é de suma importância a ampliação do suporte psicológico aos profissionais da educação, uma vez que a manutenção desse cenário compromete não apenas o bem-estar dos professores, mas também a qualidade do ensino e o futuro dos estudantes”, finaliza Soares.