EUA e Irã avançam em memorando de 60 dias para cessar-fogo e negociações nucleares; acordo ainda depende de Trump

Entendimento preliminar prevê manutenção da trégua e abertura de negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas aprovação final da Casa Branca segue pendente
Negociadores dos Estados Unidos e do Irã chegaram nesta quinta-feira (28) a um entendimento preliminar para um memorando de 60 dias que prevê a manutenção do cessar-fogo em vigor e o início de negociações formais sobre o programa nuclear iraniano. A informação foi publicada inicialmente pelo site americano Axios, com base em autoridades dos EUA, e repercutida por agências internacionais, como a Reuters.
Apesar do avanço diplomático, o acordo ainda depende da aprovação do presidente Donald Trump para se tornar um compromisso oficial do governo americano. Sem o aval da Casa Branca, o memorando não entra formalmente em vigor.
Memorando busca reduzir tensão entre EUA e Irã
Segundo o Axios, o documento funciona como uma estrutura diplomática temporária destinada a diminuir as tensões militares no Oriente Médio e abrir espaço para negociações mais amplas entre Washington e Teerã. O texto não representa um acordo definitivo de paz nem resolve os principais impasses sobre o programa nuclear iraniano.
Entre os temas debatidos nas negociações estão:
- manutenção do cessar-fogo;
- segurança no Estreito de Ormuz;
- possíveis flexibilizações de sanções econômicas;
- exportações iranianas de petróleo;
- limites ao enriquecimento de urânio pelo Irã.
O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para a economia global, já que cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pela região.
Trump e Marco Rubio sinalizam posições diferentes
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nos últimos dias que havia “algo bastante sólido sobre a mesa”, indicando avanço nas conversas diplomáticas.
Donald Trump, porém, alterna declarações mais conciliatórias com discursos de pressão máxima contra Teerã, especialmente sobre a capacidade iraniana de enriquecer urânio. A postura do presidente americano é vista como decisiva para o futuro do entendimento.
Conflito no Oriente Médio segue instável
Mesmo durante as negociações, houve relatos de novos ataques envolvendo forças americanas e grupos alinhados ao Irã na região, reforçando a percepção de fragilidade do cessar-fogo.
O mercado internacional do petróleo reagiu com forte volatilidade ao longo do dia, refletindo a incerteza sobre a durabilidade do possível acordo entre EUA e Irã.
A escalada do conflito ganhou força no fim de fevereiro de 2026, após ataques americanos e israelenses contra instalações iranianas, seguidos por retaliações de Teerã e episódios envolvendo o Estreito de Ormuz. Desde então, o petróleo chegou a operar próximo de US$ 100 por barril, elevando preocupações globais com inflação e desaceleração econômica.
Impactos para economia global e Brasil
Nos mercados financeiros, a perspectiva de avanço diplomático foi inicialmente recebida com otimismo. Bolsas internacionais reduziram perdas e investidores passaram a monitorar os efeitos de uma eventual normalização no Golfo Pérsico sobre os preços do petróleo e a inflação global.
Para o Brasil, um eventual acordo pode aliviar pressões sobre combustíveis, fretes e custos industriais. Analistas, no entanto, alertam que o cenário permanece altamente instável e sujeito a mudanças rápidas no campo diplomático e militar.
Próximos passos do acordo entre EUA e Irã
Caso Donald Trump aprove o memorando, EUA e Irã terão 60 dias para tentar construir um acordo mais amplo envolvendo:
- programa nuclear iraniano;
- sanções econômicas;
- segurança marítima no Golfo Pérsico;
- exportações de petróleo.
Se houver rejeição ou novas exigências da Casa Branca, o risco de uma nova escalada militar no Oriente Médio volta a crescer.
A Revista Empreende acompanha os desdobramentos do conflito e seu impacto sobre os mercados financeiros, o preço do petróleo e a economia brasileira. O desfecho das negociações entre Washington e Teerã é um dos fatores mais relevantes para o comportamento do Ibovespa, do dólar e da inflação nas próximas semanas.