Fim da escala 6×1 avança na Câmara: relatório prevê jornada de 40 horas e duas folgas semanais sem redução salarial

Parecer apresentado pelo relator Leo Prates propõe transição para jornada de 40 horas semanais, descanso em dois dias e manutenção integral dos salários; entidades empresariais estimam impacto de até R$ 267 bilhões por ano
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força na Câmara dos Deputados após a apresentação do parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA) à PEC 221/2019, proposta que prevê a redução gradual da jornada de trabalho no Brasil. O texto estabelece uma transição para a jornada semanal de 40 horas, com dois dias de descanso por semana e sem redução salarial.
Pelo relatório, a jornada máxima passaria das atuais 44 horas para 42 horas semanais após 60 dias da promulgação da proposta. Depois de um período de 12 meses, o limite seria reduzido para 40 horas semanais. O texto também prevê duas folgas semanais, sendo uma delas preferencialmente aos domingos — e não obrigatoriamente.
A proposta é considerada uma alternativa intermediária entre os projetos que defendem a adoção imediata da semana de quatro dias e os setores empresariais que resistem à mudança. A PEC original da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) propõe jornada de 36 horas semanais. Já o parecer de Leo Prates busca uma transição mais gradual.
Segundo o relator, categorias específicas poderão manter modelos diferenciados por meio de convenções coletivas e legislação própria, desde que sejam respeitados limites máximos de dias consecutivos trabalhados e número mínimo de folgas mensais.
Empresas estimam impacto bilionário
A discussão sobre o fim da escala 6×1 divide trabalhadores, governo e setor produtivo. Entidades empresariais afirmam que a mudança pode gerar forte impacto econômico.
Estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada pode elevar os custos das empresas brasileiras entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões por ano, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como comércio, indústria, serviços, supermercados, hotelaria e alimentação.
Representantes da indústria defendem que eventuais mudanças ocorram por negociação coletiva, e não diretamente pela Constituição. Em audiência pública na Câmara, empresários argumentaram que uma redução abrupta da jornada poderia afetar produtividade, inflação e geração de empregos.
Por outro lado, sindicatos e movimentos ligados ao trabalho afirmam que a escala 6×1 está associada ao desgaste físico e emocional dos trabalhadores, além de comprometer qualidade de vida, convivência familiar e saúde mental.
Votação deve ocorrer nos próximos dias
O parecer foi apresentado à comissão especial da Câmara e a expectativa é que a votação do relatório aconteça ainda nesta semana. Caso aprovado, o texto seguirá para análise no plenário da Câmara dos Deputados, onde precisará de ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos para avançar.
O tema se tornou uma das principais pautas trabalhistas em discussão no Congresso em 2026 e vem sendo acompanhado de perto por sindicatos, empresários e investidores.
Para acompanhar os desdobramentos da votação na Câmara e os impactos nos diferentes setores da economia, a editoria de Carreira da Revista Empreende seguirá cobrindo o tema em tempo real. Os efeitos sobre o mercado financeiro e as ações de empresas do varejo e da saúde também serão monitorados à medida que a votação avançar.