Recentes
Fim das bets no Brasil ameaça R$ 1,14 bilhão dos clubes• Bros 2027: segurança sustenta estratégia de preço da Honda• Globoplay transforma audiência em receita com streaming híbrido• Alerta vermelho: onda de calor transforma temperatura em variável de gestão• Xbox reduz preço do Game Pass e redesenha economia da assinatura• Pirarucu transforma documentação em ativo econômico na Amazônia• Empresa catarinense conecta gestão a marcas globais• Certificação ISO melhora atendimento no setor funerário• DEX lança cartão, depósito via IBAN e pagamentos por QR Code• Nova lei portuguesa não muda direito à cidadania por sangue• Fim das bets no Brasil ameaça R$ 1,14 bilhão dos clubes• Bros 2027: segurança sustenta estratégia de preço da Honda• Globoplay transforma audiência em receita com streaming híbrido• Alerta vermelho: onda de calor transforma temperatura em variável de gestão• Xbox reduz preço do Game Pass e redesenha economia da assinatura• Pirarucu transforma documentação em ativo econômico na Amazônia• Empresa catarinense conecta gestão a marcas globais• Certificação ISO melhora atendimento no setor funerário• DEX lança cartão, depósito via IBAN e pagamentos por QR Code• Nova lei portuguesa não muda direito à cidadania por sangue• Fim das bets no Brasil ameaça R$ 1,14 bilhão dos clubes• Bros 2027: segurança sustenta estratégia de preço da Honda• Globoplay transforma audiência em receita com streaming híbrido• Alerta vermelho: onda de calor transforma temperatura em variável de gestão• Xbox reduz preço do Game Pass e redesenha economia da assinatura• Pirarucu transforma documentação em ativo econômico na Amazônia• Empresa catarinense conecta gestão a marcas globais• Certificação ISO melhora atendimento no setor funerário• DEX lança cartão, depósito via IBAN e pagamentos por QR Code• Nova lei portuguesa não muda direito à cidadania por sangue• Fim das bets no Brasil ameaça R$ 1,14 bilhão dos clubes• Bros 2027: segurança sustenta estratégia de preço da Honda• Globoplay transforma audiência em receita com streaming híbrido• Alerta vermelho: onda de calor transforma temperatura em variável de gestão• Xbox reduz preço do Game Pass e redesenha economia da assinatura• Pirarucu transforma documentação em ativo econômico na Amazônia• Empresa catarinense conecta gestão a marcas globais• Certificação ISO melhora atendimento no setor funerário• DEX lança cartão, depósito via IBAN e pagamentos por QR Code• Nova lei portuguesa não muda direito à cidadania por sangue•
Esporte

Fim das bets no Brasil ameaça R$ 1,14 bilhão dos clubes

26/09/2026 • 20:15

Camisa de futebol sem patrocinador simboliza o fim das bets no BrasilImagem ilustrativa criada com inteligência artificial para a Revista Empreende.
Ouvir materia voz de IA no navegador

O fim das bets no Brasil colocou o futebol nacional diante de uma mudança bilionária. A Medida Provisória nº 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. Em vigor desde a publicação, a decisão atinge tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line e obriga clubes, campeonatos e emissoras a redesenhar contratos e estratégias comerciais em poucos dias.

O cronograma é curto. Novos depósitos nas plataformas já estão proibidos. Apostadores poderão retirar o saldo até as 23h59 de 5 de outubro, e os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. No futebol, novas contratações de publicidade e patrocínio estão vedadas imediatamente; materiais já contratados poderão permanecer até 5 de outubro.

Fim das bets atinge 14 clubes da Série A

O impacto mais visível estará nas camisas. Segundo levantamento divulgado pelo UOL com base nos balanços de 2025, empresas de apostas são patrocinadoras máster de 14 dos 20 clubes da Série A e respondem por R$ 1,14 bilhão em aportes. O valor equivale a 7,9% do faturamento conjunto dos times da elite, que somou R$ 14,9 bilhões. Ao mesmo tempo, a dívida agregada dessas equipes chegou a R$ 14,3 bilhões.

A ruptura também alcança o nome das principais competições da CBF, placas de campo, transmissões e arenas. Brasileirão e Copa do Brasil têm naming rights vinculados a uma operadora do setor. Isso significa que o desafio vai além de trocar uma marca no uniforme: será preciso reconstruir uma cadeia de receitas que se espalhou por praticamente toda a experiência do torcedor.

O caso mais simbólico é o do Grêmio. Dois dias antes da proibição, o clube anunciou um contrato de três anos com uma casa de apostas, estimado em R$ 140 milhões. Em nota, o Tricolor afirmou que aguardará os desdobramentos da medida e que o impacto sobre as receitas da indústria do futebol ainda precisa ser mensurado. O episódio mostra a velocidade com que uma fonte considerada previsível passou a representar incerteza.

Publicidade

Clubes estudam reação e buscam novas receitas

Antes da assinatura da MP, clubes e federações divulgaram um manifesto no qual classificaram as restrições como ameaça ao futebol brasileiro. Agora, departamentos jurídicos avaliam contratos, cláusulas de rescisão e possíveis questionamentos à medida. A MP tem força de lei imediata, mas precisa ser analisada pelo Congresso para continuar valendo depois do prazo constitucional.

Também há conversas sobre uma linha de crédito voltada a equipes endividadas. Dirigentes das Séries A e B defendem financiamento com juros mais baixos para pagar passivos e investir em infraestrutura. O desenho, o valor e os critérios, porém, ainda não foram definidos. A eventual ajuda tende a abrir outro debate: até que ponto recursos públicos devem amortecer uma crise criada por contratos privados?

Para os clubes, a saída mais urgente será diversificar patrocinadores. Bancos, varejo, tecnologia, energia, mobilidade e programas de sócio-torcedor devem voltar ao centro das negociações. Times com audiência digital forte e gestão comercial profissional tendem a reagir mais rápido. Já agremiações dependentes de um único patrocinador poderão enfrentar cortes de orçamento, revisão de salários e menor capacidade de contratação.

O que muda para torcedores e campeonatos

A MP nº 1.394 garante a devolução dos valores mantidos por apostadores e prevê bloqueio de plataformas, aplicativos e meios de pagamento. O governo também enviou ao Congresso um projeto de lei para tipificar crimes relacionados à exploração e à divulgação de apostas. Conteúdo jornalístico, educativo, acadêmico ou crítico permanece resguardado.

A justificativa oficial combina endividamento e saúde pública. Dados apresentados pelo Ministério da Saúde estimam em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos. Mais de 1,3 milhão de brasileiros já solicitaram autoexclusão das plataformas, segundo o governo.

O fim das bets no Brasil não encerra apenas um mercado: ele testa a capacidade de adaptação financeira do futebol. Nas próximas semanas, clubes terão de provar que conseguem preservar competitividade sem depender de uma receita que cresceu rapidamente, mas carregava riscos sociais e regulatórios. A bola continuará rolando — o que muda é quem pagará a conta ao redor do campo.