Mercados

Ibovespa abre terça pressionado por tecnologia nos EUA e aguarda Galípolo no Senado

19/05/2026 • 08:21

O Ibovespa abre esta terça-feira (19) em terreno negativo, acompanhando a queda dos índices futuros norte-americanos, puxados por um sell-off nas ações de tecnologia. O Nasdaq Futuro recua 0,84%, o S&P 500 Futuro cede 0,52% e o Dow Jones Futuro perde 0,25% no pré-mercado, segundo dados do InfoMoney. No câmbio, o dólar segue abaixo de R$ 5, cotado a R$ 4,998, após a queda de 1,37% registrada na segunda-feira.

A agenda doméstica é movimentada. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa a partir das 10h de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O evento tem potencial de gerar volatilidade nos juros futuros, que na véspera fecharam em baixa por toda a curva, com o DI para janeiro de 2027 terminando a sessão a 14,135%, queda de 0,100 ponto percentual.

Petróleo recua com cancelamento do ataque ao Irã

Os preços do petróleo operam em queda após Donald Trump confirmar o cancelamento do ataque militar planejado contra o Irã para esta terça. O presidente americano afirmou no Truth Social que decidiu aguardar após pedido dos líderes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, que sinalizaram que “negociações sérias estão em andamento”.

O Petróleo WTI recua 0,41%, a US$ 108,21 por barril, enquanto o Brent cede 1,25%, a US$ 110,67. O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian também fechou no vermelho, com queda de 0,87%, a 798,50 iuanes, pressionado por medidas mais rígidas de controle da capacidade de produção de aço na China.

Bolsas da Ásia fecham sem direção

Os mercados asiáticos encerraram o dia sem tendência definida. Xangai avançou 0,92% e Hong Kong subiu 0,48%, enquanto o Nikkei japonês recuou 0,44%. A bolsa australiana liderou as altas, com o ASX 200 subindo 1,17%. O PIB do Japão no primeiro trimestre cresceu 2,1% na base anual, acima da estimativa de 1,7% dos analistas.

Na Europa, os mercados operam em alta. O DAX alemão lidera os ganhos com alta de 1,46%, seguido pelo CAC 40 francês, com 1,00%, e o FTSE 100 britânico, que avança 0,76%. O G7 encerra nesta terça sua reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais em Paris.

Cenário político interno adiciona pressão

No front político, nova pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg mostra que o senador Flávio Bolsonaro perdeu terreno nos cenários de primeiro e segundo turnos para a eleição presidencial de outubro. A queda nas intenções de voto está associada à repercussão da reportagem sobre suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que segue preso na Polícia Federal.

O presidente Lula cumpre agenda em São Paulo, com encontro previsto com lideranças do setor de construção civil, o que pode gerar declarações relevantes para o mercado imobiliário e de crédito habitacional.

Juros futuros: curva fecha em queda na véspera

Os juros futuros encerraram a segunda com recuo generalizado ao longo da curva, refletindo o alívio cambial com o dólar abaixo de R$ 5 e a menor percepção de risco global após o cancelamento do ataque ao Irã. O DI para janeiro de 2029 fechou a 13,995%, queda de 0,170 ponto percentual — o maior recuo da curva na sessão anterior.

O mercado aguarda a fala de Galípolo no Senado para calibrar as expectativas em relação à política monetária. Qualquer sinalização sobre o ritmo do aperto dos juros ou sobre o comportamento da inflação pode mover os DIs de forma expressiva ao longo do dia.

Por que a abertura desta terça importa para investidores

A sessão de hoje concentra um conjunto raro de catalisadores simultâneos: Galípolo no Senado, petróleo em queda, futuros americanos negativos e cenário político doméstico ainda sob pressão. Para o investidor de bolsa, o dia pede seletividade: setores como petróleo e mineração tendem a sofrer mais com o cenário externo, enquanto empresas voltadas ao consumo interno e à economia doméstica podem se beneficiar do câmbio mais comportado e da expectativa de juros futuros em queda.

Quem acompanha o noticiário de mercados da Revista Empreende sabe que pregões com múltiplos vetores exigem atenção redobrada. A combinação de política monetária interna, geopolítica no Oriente Médio e agenda eleitoral brasileira cria um ambiente de alta volatilidade que deve se estender ao longo dos próximos pregões. Para mais contexto sobre a política do Banco Central, confira também nossa cobertura de macroeconomia e de economia e investimentos.