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IBP debate transformação na saúde mental corporativa: revisão da NR-1 coloca foco em riscos psicossociais e cultura organizacional

20/05/2026 • 17:20

Painel de discussão sobre saúde mental no trabalho e revisão da NR-1

A saúde mental no trabalho deixou de ser um tema marginal nas agendas corporativas e integrou-se definitivamente aos objetivos estratégicos das organizações brasileiras. Essa transformação ganhou novo impulso com a revisão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que redefine as responsabilidades das empresas na gestão de riscos psicossociais e amplia a discussão sobre o impacto do ambiente corporativo no bem-estar dos colaboradores. Para discutir em profundidade os desafios e oportunidades trazidos por essa mudança regulatória, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) organiza, nesta quinta-feira (21 de maio), o “Papo Técnico NR-1” — encontro estratégico voltado a gestores, profissionais de saúde e segurança e lideranças interessadas em entender como a nova norma vai transformar a gestão de pessoas nas empresas.

Saúde mental como responsabilidade estratégica

Durante anos, a saúde mental no ambiente corporativo foi tratada como um tema periférico, frequentemente associado apenas a iniciativas de bem-estar ou programas pontuais de qualidade de vida. Hoje, graças a mudanças regulatórias como a revisão da NR-1, essa questão ascendeu ao nível de responsabilidade estratégica — uma mudança que reflete a compreensão crescente do impacto dos riscos psicossociais na produtividade, na retenção de talentos e na saúde financeira das organizações.

Karla Pereira, coordenadora do Grupo de Trabalho de NR-1 do IBP e psicóloga do trabalho pela BRMED, que moderará o evento, ressalta a importância dessa transformação: “A saúde mental no trabalho deixou de ser um tema periférico e passou a fazer parte da agenda estratégica das organizações. A revisão da NR-1 reforça a importância de olhar para os riscos psicossociais de forma preventiva, estruturada e integrada à gestão de saúde e segurança”.

A afirmação de Karla sintetiza bem a mudança de paradigma. Não se trata apenas de cumprir obrigações legais, mas de reconhecer que o cuidado com a saúde mental é fundamental para manter uma força de trabalho engajada, produtiva e resiliente — especialmente em tempos de transformação digital, pressão por resultados e mudanças constantes no mercado.

Os impactos da revisão da NR-1 no dia a dia corporativo

A revisão da Norma Regulamentadora nº 1 trouxe mudanças significativas na forma como as empresas devem gerir riscos psicossociais. A norma passou a exigir abordagens mais estruturadas, preventivas e integradas à gestão geral de saúde e segurança do trabalho — deixando para trás o modelo reativo que predominava anteriormente.

Entre as principais mudanças está a responsabilização maior das lideranças empresariais pela implementação de políticas de prevenção de riscos psicossociais. Cabe agora às organizações não apenas identificar fatores de risco (como assédio moral, pressão excessiva, falta de clareza nos objetivos, isolamento social ou falta de suporte), mas também desenhar estratégias preventivas que envolvam toda a cadeia de gestão de pessoas.

Isso significa que práticas comuns — como distribuição inadequada de carga de trabalho, comunicação falha entre departamentos, falta de reconhecimento ou ausência de desenvolvimento profissional — passaram a ser reconhecidas como fatores de risco oficial do ponto de vista regulatório, e não apenas como questões de recursos humanos.

Cultura organizacional como fator crítico

Não há como discutir saúde mental no trabalho sem abordar a cultura organizacional. A revisão da NR-1 colocou a cultura como um componente-chave na prevenção de riscos psicossociais — o que força as empresas a fazer uma autoanálise honesta sobre seus valores, práticas de liderança, formas de comunicação e tratamento de conflitos.

Uma cultura que promove assédio moral, discriminação, falta de transparência ou autoritarismo não conseguirá cumprir integralmente a NR-1, independentemente de quantos psicólogos a organização contratar ou quantos programas de bem-estar implementar. A transformação cultural é o alicerce.

Gestores e lideranças que participarem do “Papo Técnico NR-1” terão a oportunidade de explorar como suas organizações podem evoluir em termos de cultura para criarem ambientes verdadeiramente psicologicamente saudáveis — não apenas para cumprir a lei, mas para construir vantagens competitivas reais.

Experiências práticas: do offshore à regulação profissional

O evento também apresentará dois trabalhos técnicos que exemplificam abordagens concretas ao tema. O primeiro aborda um programa de acompanhamento e gestão de saúde mental do trabalhador offshore, setor notoriamente desafiador do ponto de vista psicológico pelos períodos de isolamento, pressão operacional e distância da família.

O programa em questão já realizou mais de 30 mil atendimentos a trabalhadores offshore, propondo uma abordagem preventiva baseada em check-ins emocionais antes do embarque. Essa prática simples — uma conversa estruturada que avalia o estado emocional do trabalhador antes que ele embarque para uma plataforma — conseguiu reduzir significativamente riscos operacionais associados a depressão, ansiedade e outros agravos psicológicos.

O segundo trabalho apresentado será sobre a Resolução CFP nº 14/2023, que regulamenta a atuação de profissionais de psicologia na avaliação de fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. A resolução reforça que uma avaliação adequada de riscos psicossociais deve considerar características individuais, processos de trabalho, ambiente, gestão, políticas de prevenção e mecanismos de proteção.

Especialistas que conduzirão a discussão

O “Papo Técnico NR-1” reunirá nomes respeitados nos temas de saúde ocupacional, psicologia do trabalho e gestão de riscos. Entre os participantes estão Rodrigo Gris (gerente de Higiene Ocupacional e Ergonomia da Petrobras), Fernanda Sola (CEO/Head of Psychology da CEPEMRH) e Bruno Chapadeiro (professor da Universidade Federal Fluminense). Essa combinação de expertise prática (Petrobras), consultoria especializada (CEPEMRH) e academia (UFF) promete uma discussão equilibrada entre realidade operacional, inovação em soluções e fundamentação teórica.

A programação inclui pitches dos especialistas, atividade interativa com o público, painel de respostas e momento de networking — oferecendo tanto aprendizado técnico quanto oportunidades de conexão entre profissionais da área.

O contexto mais amplo: por que isso importa agora?

A revisão da NR-1 não emerge do vazio. Ela reflete reconhecimento crescente no Brasil e globalmente de que a saúde mental é um determinante central da qualidade de vida no trabalho e, portanto, da sustentabilidade dos negócios. Organizações que conseguem criar ambientes de trabalho psicologicamente saudáveis registram menor rotatividade, melhor engajamento, maior produtividade e menor incidência de afastamentos por problemas de saúde mental.

Além disso, há uma mudança geracional em curso: profissionais mais jovens entram no mercado com maior consciência sobre saúde mental e disposição reduzida de aceitar ambientes tóxicos. Empresas que não adaptarem suas culturas e práticas de gestão para contemplar a saúde mental enfrentarão competição aumentada por talentos.

Inscrições e informações práticas

O evento é gratuito e aberto ao público interessado. As inscrições estão disponíveis no site do IBP. Será realizado na sede do IBP, no Centro do Rio de Janeiro (Avenida Almirante Barroso, 52, 21º andar), a partir das 14h de quinta-feira (21 de maio).

A programação:

14h — Welcome Coffee
14h30 — Abertura
15h — Pitch dos especialistas
15h30 — Atividade interativa com o público
16h — Painel com respostas
17h15 — Encerramento
17h30 — Networking e café

Para profissionais de gestão de pessoas, saúde ocupacional, segurança do trabalho e lideranças interessadas em entender e antecipar o impacto regulatório e operacional da revisão da NR-1, o “Papo Técnico NR-1” representa uma oportunidade valiosa de aprendizado e network. A transformação da saúde mental em eixo estratégico das organizações está em curso — e este evento ajuda a traçar o caminho.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por FSB Comunicação (assessoria do IBP) e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.