Em homenagem ao Dia das Mães, 8 mulheres em cargos de liderança comentam os principais desafios e trazem dicas para lidar com a pressão de ascender na carreira enquanto criam os filhos
Durante décadas, as mulheres sofreram a angústia de tentar conciliar a maternidade com a carreira profissional, se esmerando em desempenhar da melhor forma possível esses papéis. No entanto, está cada vez mais claro que tal harmonia entre essas duas frentes não só é impossível, como também injusta para as mulheres, que constantemente sofrem com o acúmulo de tarefas e baixo reconhecimento diante de suas conquistas.
Diante deste cenário, reunimos depoimentos de 8 executivas, que compartilham seus relatos sobre os desafios encontrados nesta jornada e como lidam com a pressão do mercado de trabalho em meio às suas angústias pessoais, se desprendendo do mito de que mulheres são melhores realizando diversas tarefas ao mesmo tempo. Veja abaixo:
Ana Bellino, executiva de Produtos e UX do Banco Digio

Ana Bellino reforça que o principal desafio neste equilíbrio é a expectativa em cima de ambos, mas a conciliação é justamente o que a permite ter um dia mais focado, objetivo e pragmático em relação às suas agendas, porque o seu desejo de chegar em casa é muito maior, e até diferente, de quem não tem filhos. “Isso torna o seu dia muito mais produtivo, para que você consiga sair num horário onde você conviva minimamente com seus filhos. O segundo ponto é justamente a hora de qualidade que você tem com seus filhos. Dado o desafio de você chegar em casa e ter um tempo para conviver com eles dentro da rotina, ou até ter um tempo antes mesmo de ir trabalhar, eu busco sempre este momento seja o melhor e maior qualidade possível com ambos”.
Maria Mestriner Colli – fundadora da Pampili

Para Maria Mestriner, fundadora da Pampili, conciliar a maternidade com o empreendedorismo foi desafiador, mas recompensador. Engravidou enquanto planejava sua empresa e desistir nunca foi uma opção. “Como empreendedora, reconheço a importância de representar mães em posições de liderança para inspirar outras mulheres, sempre prezamos pelo protagonismo”. Seus filhos cresceram envolvidos no negócio, Diego atua como CCO da Pampili e Guilherme fazendo parte do conselho. Criou o Instituto Terra do Rosa para acolher os filhos dos colaboradores, atualmente mulheres representam 80% do quadro dos funcionários, destacando que a presença de mães em cargos de liderança fortalece empresas, promovendo gestão eficiente, comprometimento, empatia e criatividade. Maria ainda enfatiza que “a maternidade nos ensina a pensar fora da caixa e fortalece o propósito de transformar o mundo em um lugar melhor”, finaliza a fundadora.
Marici Raspes, Gerente de Marketing da Di Santinni

Para Marici Raspes, Gerente de Marketing da Di Santinni, não há uma receita pronta para esse desafio. “Fui mãe aos 30 anos e aprendi a conviver com a rotina do trabalho e da maternidade. Precisei conciliar e equilibrar a energia necessária, tanto mental, emocional e física para poder ter um bom desempenho em todas essas funções”, conta. Ela ressalta que essa dupla jornada é bem intensa e exaustiva e que requer muita disciplina e, principalmente, saber trabalhar com foco e prioridades. “Mas no final vale muito a pena e vem a satisfação de ver todo o esforço se transformar em resultado, e em poder ter proporcionado o melhor para o meu filho”, destaca.
Michelle Wadhy, uma das fundadoras da Fast Escova

Michelle Wadhy, uma das fundadoras da Fast Escova, maior rede de escovarias da América Latina, comenta sobre a jornada como empreendedora e mãe. “Junto com a minha sócia, identificamos uma necessidade comum entre as mulheres: a dificuldade em encontrar horários disponíveis nos salões de beleza. Criamos a Fast Escova, um modelo de negócio de beleza que não precisa de hora marcada, para atender mulheres como eu, que precisam ser donas do seu tempo para equilibrar as múltiplas demandas do dia a dia. Ser mãe e empreendedora requer uma habilidade especial de gerenciar tempo e prioridades. Acredito firmemente que o conselho mais valioso para uma mãe que deseja conciliar carreira e maternidade é não se esquecer de si mesma, de seus desejos e necessidades como mulher”, afirma Michelle.
Nathalia Federmman, Diretora da ENNE

Para Nathalia Federmman, a maternidade trouxe lições valiosas para a vida pessoal e profissional. “Eu acredito que ser mãe me obrigou a exercitar a paciência e me despertou sensibilidade para entender que nem tudo é racional ou calculável, mesmo no trabalho. Isso é muito rico em um mundo em que tudo acaba sendo resumido a números e métricas”, comenta. “Sou mãe de gêmeos e ver que, mesmo duas pessoas que nasceram com minutos de diferença evoluem de maneira tão particular, me fez entender a subjetividade do desenvolvimento de uma equipe e de suas pessoas. No final das contas, são as relações que nos movem e nos fazem crescer, pessoal e profissionalmente”, finaliza.
Paula Martinelli, VP de Payroll da Neon

“Como mãe de três filhos pequenos, todos com menos de cinco anos, estabelecer uma rotina doméstica bem estruturada é fundamental para equilibrar o tempo entre trabalho e família de forma eficiente”, diz Paula. “Concentro meu trabalho das 9h às 18h, o que me permite dedicar as manhãs aos meus filhos antes do expediente e voltar a passar um tempo com eles após o jantar até as 20h, horário em que os coloco para dormir. Depois disso, busco praticar exercícios e cultivar relacionamentos significativos, seja com meu marido, minha mãe ou minhas amigas”. A executiva também destaca ter a sorte de contar com uma divisão de tarefas balanceada com seu esposo, tanto em relação aos afazeres domésticos quanto ao cuidado com as crianças. “Essa colaboração torna possível gerenciar uma jornada tão intensa, junto a uma rede de apoio que faz a diferença para manter todos os pratinhos girando, quando, por exemplo, preciso mudar de ambiente no home office para melhorar a concentração e consigo ajuda para cuidar dos pequenos enquanto estou trabalhando em outro local”, conclui.
Renata Marini – head de Marketing da Sinqia

A head de Marketing a Sinqia, Renata Marini, explica que ser líder é como desempenhar o papel de “mãe”, já que acolhe e trata as pessoas de sua equipe como se fossem parte da sua família. Assim como me preocupo com meu filho, também me preocupo com a saúde física e mental da minha equipe, e procuro sempre alertá-los a respeito da necessidade de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, revela. Para Renata, compartilhar a experiência da maternidade com a equipe é fundamental, pois isso cria um ambiente de compreensão e empatia. “Lidar com adversidades requer que as pessoas ao nosso redor tenham empatia pelo que estamos passando. Equilibrar todas essas responsabilidades é como equilibrar pratos: alguns dias um cai, outros dias outro cai. Ser mãe, mulher e líder envolve navegar por essas diferentes áreas da vida com graça e determinação”, finaliza.
Suzan Carolina Monteiro, Coordenadora de CX do Rei do Pitaco

Para Suzan Carolina, a maternidade já é desafiadora por conta própria e, ao ser conciliada a uma rotina de trabalho que inclui a liderança de uma equipe, torna-se algo ainda mais intenso. “O que permite o sucesso nessa dupla jornada é o planejamento, considerando a agenda diária das crianças e a do trabalho, junto à flexibilidade de horários para dar conta de tudo. Além disso, adiantar algumas tarefas cotidianas também ajuda bastante, como organizar as refeições da semana e deixar as mochilas prontas, seja da escola ou de outras atividades”, explica Suzan. “O fato de trabalhar remotamente é outro grande diferencial, que me permite estar mais próxima das crianças no dia a dia. O ambiente na empresa é acolhedor e, por vezes, quando elas entram na sala durante as reuniões, isso é sempre tratado com naturalidade” afirma.
Débora Crivellaro, Diretora de Operações da VCRP

Débora Crivellaro conta que criou as duas filhas trabalhando em grandes redações, em meio a fechamentos que se estendiam até a madrugada e muitas e longas viagens a trabalho, somados ao desafio de ser mulher em cargo de liderança em um ambiente cujo topo é majoritariamente composto por homens. Conseguiu driblar o pouco tempo que lhe restava para ficar com as filhas criando regras pétreas, tais como: almoçar todos os dias, não importa o que esteja acontecendo no mundo e na redação, em casa, dedicar os fins de semana ao lazer com a família e criar atividades em comum, como rodas de leitura, entre outros. Deu certo? Foi suficiente? Débora tem certeza que sim. “Minhas filhas têm hoje 22 e 18 anos, são jovens cheia de projetos e afetos, empáticas, justas e independentes”, diz a diretora de Operações. “A maternidade é um exercício conjunto, construído por mãe e filho, não uma obrigação ou um papel. E ser mãe é uma das facetas de uma mulher. Acredito na educação pelo exemplo e o exemplo que mais quis transmitir para elas foi da minha busca pelo prazer de estar viva. Se elas absorveram isso, estou feliz.”
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Por VCRP BRASIL
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