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Mercados

Mercado financeiro hoje: Ibovespa supera 173 mil pontos e dólar recua nesta sexta-feira

Publicado em 26/06/2026 • 13:37 | Atualizado em 28/06/2026 • 18:22

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Bolsa brasileira tenta encerrar uma sequência de oito semanas de perdas, enquanto investidores avaliam o emprego aquecido no Brasil, a inflação persistente e os riscos de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.

Dados de mercado atualizados até aproximadamente 12h30 desta sexta-feira, 26 de junho de 2026.

O mercado financeiro brasileiro opera em recuperação nesta sexta-feira (26), apesar do ambiente mais cauteloso no exterior. Depois de iniciar o pregão em queda, o Ibovespa ganhou força com o avanço das ações de grandes bancos e retomou o patamar dos 173 mil pontos.

Por volta das 12h30, o principal índice da B3 avançava aproximadamente 0,7%, aos 173,2 mil pontos. O movimento colocava a Bolsa brasileira a caminho de encerrar a semana com valorização próxima de 3%, interrompendo uma sequência de oito semanas consecutivas de perdas. Na quinta-feira (25), o índice já havia subido 0,87%, terminando o dia aos 171.990 pontos.

O dólar comercial, por sua vez, era negociado perto de R$ 5,17, com queda de aproximadamente 0,2% diante do real. Ao longo da semana, a moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,14 e R$ 5,22, refletindo as mudanças nas expectativas para os juros brasileiros e norte-americanos.

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Emprego forte reduz espaço para novos cortes da Selic

Um dos principais indicadores divulgados nesta sexta-feira foi a taxa de desemprego brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desocupação ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio.

O percentual representa o menor resultado para um trimestre terminado em maio desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2012. No mesmo período de 2025, o desemprego estava em 6,2%. A taxa de subutilização da força de trabalho caiu para 13,3%, enquanto o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.726.

Embora seja positivo para o consumo e para a renda das famílias, o mercado de trabalho aquecido também pode manter a inflação de serviços pressionada. Isso reforça a possibilidade de o Banco Central adotar uma postura mais cautelosa antes de realizar novos cortes na taxa Selic.

O Comitê de Política Monetária reduziu os juros em 0,25 ponto percentual na reunião da semana passada, levando a Selic para 14,25% ao ano. A ata divulgada nesta semana indicou que ainda pode existir espaço para flexibilização monetária, mas deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade e das expectativas.

Juros futuros recuam, mas permanecem elevados

Os contratos de juros futuros operavam em queda nesta sexta-feira, acompanhando o recuo do petróleo e um ambiente externo um pouco mais favorável para os ativos de renda fixa.

Pela manhã, o contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 projetava taxa de aproximadamente 14,05%. O DI para janeiro de 2029 recuava para 14,24%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 era negociado perto de 14,31%. Apesar da queda diária, os números continuam mostrando que o mercado espera juros elevados durante um período prolongado.

A curva também reage aos dados de inflação. O IPCA-15 avançou 0,41% em junho, desacelerando em relação aos 0,62% registrados em maio. Em 12 meses, porém, a prévia da inflação acelerou de 4,64% para 4,80%, acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta brasileira.

Alimentação e bebidas subiram 0,74%, enquanto habitação avançou 0,72%. Juntos, os dois grupos responderam por aproximadamente dois terços da inflação registrada no mês.

Bancos sustentam o Ibovespa, enquanto Petrobras sofre com o petróleo

A recuperação do Ibovespa foi liderada principalmente pelas ações dos grandes bancos. O setor financeiro ajudou a compensar a pressão negativa exercida pela Petrobras e por empresas ligadas às commodities.

Os papéis da estatal foram afetados pela forte queda do petróleo no exterior. Por volta das 11h, o barril do Brent para agosto recuava cerca de 3,8%, negociado a US$ 72,66. O preço voltou a se aproximar dos níveis anteriores ao agravamento do conflito no Oriente Médio, diante da percepção de redução dos riscos imediatos para o fornecimento global.

Entre os destaques positivos do Ibovespa durante a manhã estavam MBRF, com alta próxima de 5%, e Totvs, que avançava mais de 3%. Na ponta negativa, Braskem recuava mais de 7% depois que o Citi reduziu sua recomendação para as ações e cortou significativamente o preço-alvo da companhia.

Wall Street enfrenta nova pressão sobre empresas de tecnologia

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários abriram em queda. O Dow Jones recuava 0,30%, o S&P 500 perdia 0,64% e o Nasdaq caía aproximadamente 1% nos primeiros negócios.

As empresas de tecnologia e semicondutores continuaram sob pressão, diante das dúvidas sobre a sustentabilidade das valorizações ligadas à inteligência artificial e do impacto dos juros elevados sobre companhias com preços considerados mais esticados.

A inflação norte-americana voltou a preocupar o mercado. O índice PCE avançou 0,4% em maio e acumulou alta de 4,1% em 12 meses. O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,3% no mês e 3,4% em um ano.

O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos também foi revisado para um crescimento anualizado de 2,1% no primeiro trimestre. A combinação entre inflação elevada, economia resistente e mercado de trabalho forte aumentou as apostas de que o Federal Reserve poderá elevar os juros ainda em 2026.

Resumo da semana: Bolsa reage, mas inflação continua no centro das atenções

A semana entre 22 e 26 de junho foi marcada por uma recuperação dos ativos brasileiros depois de quase dois meses de desempenho negativo na Bolsa.

O Ibovespa acumulava alta de aproximadamente 2,2% até o fim da manhã desta sexta-feira, saindo da região dos 168 mil pontos no fechamento da semana anterior para mais de 172 mil pontos. Com a nova valorização registrada no início da tarde, o ganho semanal se aproximava de 3%.

A ata do Copom, o IPCA-15 e o Relatório de Política Monetária dominaram as discussões internas. O mercado reconheceu a desaceleração mensal da inflação, mas demonstrou preocupação com o avanço do índice acumulado em 12 meses e com a resistência do mercado de trabalho.

No câmbio, o dólar permaneceu volátil, mas terminou a semana próximo de R$ 5,17. Nos juros, as taxas futuras recuaram nos últimos pregões, embora continuem indicando uma política monetária bastante restritiva.

No exterior, a semana foi negativa para as ações de tecnologia. O Nasdaq caminhava para uma perda semanal próxima de 4%, enquanto o S&P 500 recuava cerca de 2%. O Dow Jones, com maior participação de empresas industriais e financeiras, acumulava alta aproximada de 0,8%.

O que esperar do mercado financeiro na próxima semana

A semana de 29 de junho a 3 de julho será decisiva para as expectativas de juros internacionais.

No Brasil, a segunda-feira (29) começa com a publicação do Relatório Focus e do IGP-M de junho. Em maio, o IGP-M havia avançado 0,84%, acumulando alta de 1,95% em 12 meses. O indicador é utilizado no reajuste de contratos de aluguel, tarifas e serviços.

Na terça-feira (30), o IBGE divulgará o Índice de Preços ao Produtor, importante para avaliar a evolução dos custos da indústria. O Banco Central também publicará as estatísticas fiscais referentes a maio, que deverão renovar as discussões sobre déficit público, dívida e credibilidade da política fiscal brasileira.

No exterior, o mercado acompanhará os índices de atividade industrial da China, dos Estados Unidos e da Europa, além da inflação da zona do euro e do encontro anual de bancos centrais promovido pelo Banco Central Europeu em Sintra, Portugal.

O principal evento está marcado para quinta-feira (2), quando os Estados Unidos divulgarão o relatório oficial de empregos de junho. A expectativa preliminar é de criação de aproximadamente 135 mil a 172 mil vagas, dependendo da projeção considerada, com taxa de desemprego próxima de 4,3%.

Um número de empregos muito forte poderá ser interpretado negativamente pelos mercados, pois aumentaria o risco de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve. Um resultado mais fraco, por outro lado, poderia reduzir as apostas de aperto monetário, favorecendo ações, moedas emergentes e títulos de longo prazo.

Os mercados norte-americanos permanecerão fechados na sexta-feira, 3 de julho, em razão do feriado antecipado da Independência dos Estados Unidos. Com isso, parte dos ajustes deverá ocorrer já na quinta-feira, o que pode aumentar a volatilidade no câmbio e nas bolsas globais.

Além dos indicadores econômicos, petróleo, tensões no Oriente Médio e oscilações das empresas ligadas à inteligência artificial continuarão influenciando o comportamento dos investidores. Para o mercado brasileiro, a combinação entre dados fiscais, inflação e expectativas para a Selic determinará se a recuperação do Ibovespa terá força para continuar durante o início do segundo semestre.