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Mercado Imobiliário

Valorização dos imóveis desacelera em maio, mas segue muito acima da inflação e do custo da construção

26/06/2026 • 13:43

Modern residential building with glass balconies, plants, and people walking outside
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IGMI-R, da Abecip, sobe 0,53% no mês e acumula alta de 18,45% em 12 meses; Recife, Curitiba, Salvador e Brasília seguem entre os mercados mais pressionados.

A alta dos preços dos imóveis residenciais no Brasil perdeu força em maio, mas segue em um patamar elevado e muito acima da inflação, do custo da construção e da variação dos aluguéis. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Abecip, avançou 0,53% no mês, abaixo dos 0,67% registrados em abril. Em 12 meses, a valorização passou de 19,53% para 18,45%, indicando desaceleração na margem, mas ainda confirmando um mercado de compra e venda aquecido no país.

A leitura de maio sugere uma mudança de ritmo, não de tendência. Os dados mostram que a valorização continua disseminada, embora de forma menos homogênea entre as capitais. Em mercados importantes, como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia, houve perda de intensidade no resultado mensal ou no acumulado em 12 meses. Ainda assim, o índice nacional segue em nível elevado e preserva uma distância relevante em relação aos principais referenciais do setor habitacional.

No recorte regional, o comportamento foi misto. No Sudeste, São Paulo desacelerou de 0,76% para 0,22% no mês e viu a taxa em 12 meses recuar de 16,83% para 15,15%. Belo Horizonte também mostrou acomodação, ao passar de 0,87% para -0,15% em maio, com o acumulado em 12 meses recuando de 19,03% para 16,79%. O Rio de Janeiro andou na direção oposta: a alta mensal acelerou de 0,13% para 1,21%, e a taxa em 12 meses avançou de 14,12% para 14,43%.

No Nordeste, o quadro também foi desigual. Fortaleza acelerou no mês, de 0,75% para 0,88%, embora tenha perdido força no acumulado em 12 meses, que recuou de 14,24% para 13,61%. Recife, um dos destaques do índice, desacelerou na margem: a alta mensal caiu de 0,86% para 0,29%, e a taxa em 12 meses passou de 28,69% para 28,07%. Salvador, por sua vez, ganhou força em maio, com avanço de 0,98%, ante 0,31% em abril, e aceleração do acumulado em 12 meses, de 23,49% para 24,62%.

No Sul, Curitiba segue entre os mercados mais pressionados, apesar de desaceleração expressiva no curto prazo. A capital paranaense saiu de alta de 1,78% em abril para 0,36% em maio, enquanto o acumulado em 12 meses passou de 29,57% para 28,39%. Em Porto Alegre, o mercado ficou praticamente estável no mês, com variação de 0,01%, após alta de 0,39% em abril, e acumulado de 18,53% em 12 meses. No Centro-Oeste, Goiânia saiu de alta de 0,85% para queda de 0,10%, com recuo da taxa anualizada de 14,24% para 12,11%. Brasília acelerou na margem, de 0,31% para 0,61%, mas também perdeu intensidade em 12 meses, de 27,46% para 23,66%.

Mesmo com essa acomodação, o mercado segue longe de um cenário de estabilidade. No acumulado de 2026, o IGMI-R nacional sobe 4,60%, resultado próximo ao observado em 2025 e acima de boa parte dos anos recentes. Entre as capitais, o maior destaque no ano é Recife, com valorização de 8,39%, seguida por Curitiba (7,46%), Porto Alegre (6,36%), Salvador (5,71%), Goiânia (5,44%) e Brasília (5,39%). O retrato é o de um mercado ainda valorizado, mas mais seletivo, em que o ritmo dos preços depende cada vez mais das condições específicas de cada cidade.

Os comparativos com outros indicadores reforçam esse diagnóstico. Segundo o gráfico IGMI-R x INCC, o IGMI-R acumula 18,45% em 12 meses, contra 6,68% do INCC. Já o gráfico de comparação com o IVAR mostra alta de 18,45% para os preços dos imóveis, diante de 5,42% dos aluguéis. Já o gráfico de comparação com o IPCA mostra que o índice segue muito acima do mesmo, em 4,72% no período. Em outras palavras, os imóveis continuam se valorizando em velocidade muito superior à inflação, aos custos de obra e ao mercado de locação.

Essa diferença sugere que a alta dos imóveis não pode ser explicada apenas pelo encarecimento da construção ou pela correção geral de preços da economia. Aponta para um mercado ainda sustentado por fatores estruturais, como oferta mais restrita em algumas praças, demanda resiliente e maior apelo do imóvel como ativo de preservação patrimonial. Mesmo com perda de fôlego em maio, a valorização segue relevante e mantém o mercado residencial em um patamar historicamente forte.

Sobre o IGMI-R
O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) é elaborado pela FGV/IBRE com dados da Abecip e acompanha a evolução dos preços dos imóveis residenciais no Brasil, com recortes nacional e por capitais. O indicador permite monitorar a dinâmica do mercado imobiliário urbano ao longo do tempo.

Sobre a Abecip
A Abecip representa o setor de crédito imobiliário e poupança no Brasil e acompanha a evolução do financiamento habitacional e dos principais indicadores do mercado residencial.