IA transforma o varejo de flores e otimiza operações

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A inteligência artificial começa a transformar um setor em que tempo, demanda e experiência de consumo precisam estar cada vez mais conectados. No Brasil, a cadeia de flores e plantas ornamentais movimentou R$ 21,23 bilhões em 2024 e gerou 265 mil empregos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). O resultado mostra a dimensão de uma atividade que vai muito além da produção no campo e envolve comércio, serviços, logística e contato direto com o cliente.
Nesse cenário, a digitalização do varejo de flores ganha importância. Diferentemente de outros segmentos, a floricultura brasileira tem no mercado doméstico seu principal destino, enquanto o comércio eletrônico amplia as possibilidades de acesso ao consumidor. Ao mesmo tempo, trata-se de uma cadeia que lida com produtos perecíveis e com forte concentração de vendas em determinadas datas e ocasiões.
"Em um negócio marcado por oscilações de demanda, diferentes ocasiões de consumo e necessidade de agilidade, a capacidade de analisar dados pode apoiar decisões sobre estoque, pedidos, planejamento e logística. A tecnologia também contribui para identificar padrões de comportamento e antecipar necessidades, reduzindo a distância entre o que o consumidor procura e aquilo que o varejo consegue oferecer", explica Clóvis Souza, CEO e fundador da Giuliana Flores.
A transformação já está acontecendo no comércio eletrônico de forma mais ampla. A segunda edição da pesquisa "Na Rota do E-commerce", da Loggi, realizada em março de 2026, mostra que 97% dos empreendedores entrevistados já utilizam inteligência artificial, enquanto 86% afirmam que ainda não aproveitam todo o potencial da tecnologia. Marketing e criação de conteúdo aparecem como principais aplicações, mas atendimento, gestão, planejamento e vendas também estão entre as áreas que incorporam a ferramenta. O cenário mostra que o desafio já não é apenas experimentar a IA, mas encontrar aplicações capazes de gerar impacto concreto na operação.
O atendimento é outro ponto em que essa transformação ganha relevância. No Brasil, essa mudança encontra um canal particularmente importante: o WhatsApp. Estudo recente realizado pela Yalo em parceria com a IDC apontou que 95% das empresas brasileiras pesquisadas utilizavam o aplicativo para comunicação empresarial.
"No varejo de flores, em que muitas compras estão associadas a ocasiões específicas e precisam ser realizadas com rapidez, responder a uma dúvida, consultar informações ou acompanhar um pedido pode fazer parte da própria experiência de compra", diz o CEO.
Souza complementa que empresas do setor começam a utilizar IA em canais digitais para automatizar demandas recorrentes e dar mais agilidade à comunicação. Na prática, a tecnologia pode assumir parte das interações mais simples, enquanto as equipes humanas permanecem concentradas nas situações que exigem contexto, julgamento e sensibilidade.
O próximo passo, portanto, não está apenas em adotar ferramentas de inteligência artificial, mas integrá-las à operação. "Para o varejo de flores, isso significa utilizar dados e tecnologia para compreender melhor a demanda, tornar processos mais eficientes e melhorar a experiência do consumidor sem perder de vista a dimensão humana que está na origem desse mercado. À medida que o setor cresce e se digitaliza, a IA tende a deixar de ser um recurso complementar para se tornar uma das ferramentas que ajudam a conectar planejamento, atendimento e entrega", finaliza Souza.
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