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Notícias Empresariais

Agentes de IA realizam 120 milhões de pagamentos em uma semana e transformam o comércio digital

30/07/2026 • 20:58

Robot interacting with laptop displaying an online shopping cart and checkout page
Ouvir materia voz de IA no navegador

Sistemas de inteligência artificial já pesquisam produtos, avaliam opções e concluem compras em nome dos consumidores. Mercado global do comércio agêntico pode movimentar até US$ 5 trilhões até 2030.

Os agentes de inteligência artificial estão deixando de atuar apenas como ferramentas de pesquisa e recomendação para começar a concluir compras diretamente em nome dos consumidores. Um dos exemplos mais expressivos dessa transformação ocorreu na China, onde o Alipay AI Pay processou mais de 120 milhões de transações entre os dias 5 e 11 de fevereiro de 2026.

O dado foi apresentado no relatório global The Commerce Revolution: Where East Meets West, elaborado pela NielsenIQ. O estudo mostra que o chamado comércio agêntico — modelo no qual agentes de IA pesquisam, avaliam e compram produtos de maneira autônoma — começa a deixar a fase experimental para integrar a infraestrutura cotidiana do varejo.

A evolução já movimenta projeções trilionárias. Estimativas citadas no relatório indicam que o mercado global de comércio mediado por agentes de IA poderá representar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030.

Nos Estados Unidos, esses sistemas poderão responder por aproximadamente US$ 190 bilhões a US$ 385 bilhões em vendas do comércio eletrônico no mesmo período, segundo projeções atribuídas ao Morgan Stanley.

O que é comércio agêntico?

O comércio agêntico é um modelo no qual sistemas de inteligência artificial deixam de apenas sugerir produtos e passam a executar diferentes etapas da jornada de compra.

Esses agentes podem pesquisar preços, comparar características, verificar avaliações, analisar disponibilidade, selecionar a melhor oferta e concluir o pagamento de acordo com preferências previamente definidas pelo consumidor.

Na prática, uma pessoa poderia pedir para a IA encontrar determinado produto dentro de um orçamento específico. O sistema analisaria diferentes lojas, condições de entrega, histórico de preços e avaliações antes de realizar a compra automaticamente.

Essa tecnologia representa uma evolução dos atuais assistentes virtuais e mecanismos de recomendação utilizados por plataformas de comércio eletrônico.

China lidera adoção de compras realizadas por IA

O avanço do Alipay AI Pay demonstra que os agentes de compras já operam em escala relevante em alguns mercados asiáticos.

Além das mais de 120 milhões de transações processadas em apenas uma semana, o relatório cita dados segundo os quais o assistente de IA Qwen, desenvolvido pelo Alibaba, alcançou 100 milhões de usuários ativos mensais apenas dois meses depois de seu lançamento.

Para a NielsenIQ, esses números mostram uma diferença importante entre os mercados oriental e ocidental. Enquanto empresas e consumidores do Ocidente ainda discutem os limites da automação, algumas plataformas asiáticas já utilizam agentes de IA em operações comerciais de grande volume.

“Enquanto grande parte do Ocidente ainda debate se a IA fará compras por nós, em partes da Ásia ela já faz isso, concluindo compras em uma escala que muitas diretorias ainda não perceberam”, afirmou Emilie Darolles, presidente da NielsenIQ para a Europa Ocidental.

Tráfego de ferramentas de IA cresce no varejo

A influência da inteligência artificial sobre as decisões de compra também está avançando nos Estados Unidos.

Dados da Adobe Analytics citados no estudo mostram que o tráfego enviado por plataformas de IA generativa para sites de varejo norte-americanos aumentou 1.200% entre julho de 2024 e fevereiro de 2025.

Os consumidores que chegaram às lojas virtuais por meio dessas ferramentas também apresentaram maior engajamento, com mais páginas acessadas por visita e menores taxas de rejeição.

Apesar disso, a taxa de conversão desses usuários ainda permanece abaixo da registrada por canais mais consolidados, como mecanismos tradicionais de busca, publicidade digital e acesso direto aos sites.

O cenário mostra que a IA já influencia a descoberta e a avaliação de produtos, mas ainda enfrenta desafios para assumir completamente a etapa de pagamento.

Consumidores ainda demonstram resistência

Embora os agentes de IA tenham capacidade técnica para concluir compras, a confiança continua sendo uma das principais barreiras para a adoção da tecnologia.

Dados da NielsenIQ mostram que aproximadamente 34% dos consumidores já utilizam inteligência artificial para pesquisar produtos. Outros 23% recorrem às ferramentas para resumir avaliações e opiniões publicadas na internet.

Entretanto, apenas cerca de 8% afirmaram já ter permitido que uma IA concluísse uma compra em seu nome.

A diferença indica que a influência da inteligência artificial sobre o consumo avança mais rapidamente do que a disposição das pessoas para conceder autonomia financeira aos sistemas.

“A verdadeira questão não é apenas o que a IA pode fazer, mas o que os consumidores permitirão que ela faça”, destacou Emilie Darolles.

Segundo a executiva, as empresas que conquistarem a confiança dos consumidores poderão ser escolhidas tanto pelas pessoas quanto pelos próprios agentes de IA.

Marcas podem se tornar invisíveis para agentes de IA

A expansão do comércio agêntico também altera as regras de visibilidade no ambiente digital.

No modelo tradicional, uma marca tenta atrair o consumidor por meio de anúncios, resultados de busca, redes sociais, conteúdos e promoções. Com a utilização de agentes de IA, parte desse caminho pode desaparecer.

Quando um sistema seleciona apenas três opções entre milhares de produtos disponíveis, as empresas que não apresentarem dados estruturados, informações completas e conteúdos compreensíveis pelas máquinas poderão deixar de aparecer nas recomendações.

Isso significa que descrições de produtos, preços, estoque, avaliações, especificações técnicas, políticas de entrega e informações comerciais precisarão estar organizados de maneira que possam ser interpretados pelos sistemas de inteligência artificial.

A otimização para mecanismos de busca também tende a evoluir. Além de aparecer no Google, as marcas precisarão disputar espaço nas respostas e recomendações apresentadas por assistentes e agentes de IA.

Varejo terá de se preparar para consumidores humanos e digitais

O relatório da NielsenIQ aponta que a inteligência artificial está conectando diferentes modalidades de consumo, como comércio ao vivo, compras pelas redes sociais, entregas rápidas e redes de mídia de varejo.

Nesse novo cenário, o comprador nem sempre será uma pessoa navegando diretamente por uma loja virtual. Em algumas situações, poderá ser um agente digital executando instruções em nome do consumidor.

As empresas que desejam se preparar para essa transformação deverão investir na estruturação de dados, na qualidade das informações sobre seus produtos e em formas de medir vendas influenciadas ou realizadas por agentes de IA.

Também será necessário desenvolver mecanismos de segurança, transparência e controle, especialmente para compras de maior valor ou que envolvam informações financeiras sensíveis.

Enquanto a China demonstra que existe demanda para transações automatizadas em grande escala, empresas ocidentais trabalham no desenvolvimento de padrões de confiança, proteção e mensuração.

A tendência é que os dois movimentos se encontrem nos próximos anos, consolidando um mercado no qual pessoas e agentes digitais participam conjuntamente das decisões de consumo.

Comércio com agentes de IA pode movimentar até US$ 5 trilhões

A projeção de um mercado global entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030 mostra o potencial econômico da tecnologia.

No entanto, o crescimento dependerá não apenas da capacidade dos sistemas, mas também da confiança dos consumidores e da preparação das empresas.

Os dados apresentados pela NielsenIQ indicam que os agentes de IA já conseguem realizar compras em escala significativa. O próximo desafio será transformar essa capacidade técnica em uma experiência segura, transparente e aceita pelo público.

Para marcas e varejistas, a mudança representa uma nova disputa por visibilidade. No comércio agêntico, não será suficiente convencer apenas o consumidor: os produtos também precisarão ser encontrados, compreendidos e escolhidos pelos sistemas de inteligência artificial.

Fonte: relatório The Commerce Revolution: Where East Meets West, da NielsenIQ, com dados atribuídos ao Ant Group, Adobe Analytics, McKinsey, Morgan Stanley e Alibaba. As estimativas de mercado citadas no estudo não foram verificadas de maneira independente pela NielsenIQ.