Amazônia: Lula e Flávio Bolsonaro apresentam metas para desmatamento
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe alcançar o desmatamento líquido zero até 2030, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) prevê zerar o desmatamento ilegal até 2029. As metas constam dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que também apresentam medidas de fiscalização, financiamento ambiental e bioeconomia para a Amazônia.
A três dias do primeiro turno, em 4 de outubro, os documentos permitem comparar os compromissos das duas candidaturas. Os termos das metas são diferentes — uma trata do desmatamento líquido e a outra, do ilegal — e não devem ser apresentados como indicadores equivalentes. São propostas de campanha, cuja execução dependerá de medidas de governo.
O que prevê o programa de Lula
O plano de Lula disponível no TSE associa a meta de 2030 a ações de prevenção e controle do desmatamento e de manejo do fogo. O documento prevê a destinação de terras públicas para conservação, territórios indígenas e quilombolas e assentamentos, além de regularização fundiária.
Na frente econômica e ambiental, o programa inclui o Plano de Transformação Ecológica e instrumentos de financiamento, como o Fundo Clima. Para a integração regional amazônica, propõe fortalecer a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, com cooperação em bioeconomia, ciência, financiamento verde e combate a crimes transfronteiriços.
O que prevê o programa de Flávio Bolsonaro
O plano de Flávio Bolsonaro registrado no TSE prevê alcançar a meta de 2029 com prevenção, monitoramento e fiscalização. Entre os instrumentos citados estão satélites, inteligência artificial e coordenação entre órgãos públicos, com prioridade para áreas de maior pressão na Amazônia.
O documento propõe cooperação com países vizinhos contra crimes ambientais, incluindo extração ilegal de madeira e mineração irregular. Na economia, contempla cadeias produtivas sustentáveis, mercado de carbono, biotecnologia e ampliação do pagamento por serviços ambientais a proprietários, comunidades e produtores.
Os dados que ajudam a dimensionar o desafio
A taxa consolidada do Prodes para 2025, divulgada pelo INPE em agosto de 2026, foi de 5.731 km² de desmatamento na Amazônia Legal. O resultado representa queda de 12,07% diante dos 6.518 km² de 2024. A medição abrange de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
Já os alertas do sistema Deter divulgados em setembro apontaram 358 km² na Amazônia em agosto de 2026, alta de 12,1% sobre agosto de 2025. No trimestre de junho a agosto, porém, a área sob alerta caiu 20,4%, de 1.312 km² para 1.044 km².
Os sistemas têm funções distintas: o Deter emite alertas para orientar a fiscalização; o Prodes mede a taxa anual consolidada de desmatamento. Uma variação mensal dos alertas, portanto, não substitui a comparação anual. Esses dados descrevem o cenário observado, e não resultados das propostas eleitorais.