BR-116 abre disputa por concessão de R$ 14,33 bilhões na Bahia

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A BR-116 voltou ao centro do mercado de infraestrutura após a aprovação do edital da Rota 2 de Julho, projeto que reorganiza a concessão de um dos principais corredores logísticos da Bahia. A disputa abrange 653,3 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-324, terá contrato de 30 anos e prevê R$ 14,33 bilhões em investimentos.
O novo desenho afeta transportadoras, concessionárias, construtoras, fornecedores de tecnologia e empresas dependentes do transporte rodoviário. A Agência Nacional de Transportes Terrestres aprovou o edital em 3 de setembro de 2026, após o aval do Tribunal de Contas da União. O leilão está previsto para 18 de dezembro de 2026, às 10h, na B3. Até o momento, não há vencedor definido.
BR-116 retorna ao mercado após transição contratual
A Rota 2 de Julho reconstrói a operação do corredor que conecta Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e a divisa entre Bahia e Minas Gerais. O contrato anterior, administrado pela ViaBahia e relacionado também às rodovias BA-526 e BA-528, foi encerrado em 15 de maio de 2025. Desde então, os trechos federais estão sob administração provisória do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e permanecem sem cobrança de pedágio.
O TCU aprovou o processo de desestatização em 26 de agosto de 2026, por meio do Acórdão 2.337/2026-TCU-Plenário. Na semana seguinte, a ANTT autorizou o edital, classificado como parte da 5ª Etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais. Os dados oficiais da Rota 2 de Julho apresentam a extensão e as intervenções previstas.
Investimentos se concentram nos primeiros oito anos
Dos R$ 14,33 bilhões estimados para toda a concessão, R$ 10,52 bilhões estão previstos para os oito primeiros anos. A concentração exigirá capacidade financeira, contratação de obras em escala e coordenação entre projetos executivos, licenciamento, fornecedores e operação do tráfego. Para a futura concessionária, o cumprimento das obrigações será tão relevante quanto o deságio oferecido no leilão.
O escopo contempla 306,6 quilômetros de duplicações, 63,7 quilômetros de faixas adicionais em pista simples e 192 quilômetros em pista dupla. Estão previstos ainda 35,9 quilômetros de vias marginais, 42 passarelas, 239 acessos e 328 pontos de ônibus. O conjunto abre demanda potencial para serviços de engenharia, materiais, sinalização, manutenção e soluções digitais, como ocorre em outros programas de ampliação rodoviária.
A execução, porém, não possui um cronograma definitivo divulgado para cada intervenção. Prazos específicos dependerão do resultado da disputa, da assinatura do contrato, da assunção da operação e das condições estabelecidas para o desenvolvimento dos projetos e das obras.
Free Flow muda cobrança na BR-116
O edital determina a implantação de 12 pórticos de Free Flow no primeiro ano da concessão, dez na BR-116 e dois na BR-324. O sistema substitui praças físicas pela cobrança eletrônica em livre passagem, ampliando a importância da leitura de placas, identificação de veículos, gestão de pagamentos e comunicação com os usuários.
Segundo a ANTT, a cobrança está prevista a partir do sexto mês após a futura concessionária assumir as rodovias. Isso não representa uma data definitiva, pois o início depende do leilão, da assinatura contratual e da assunção operacional. A tarifa básica modelada para o primeiro ano é de R$ 0,08396 por quilômetro, mas o valor efetivamente cobrado dependerá do deságio apresentado pela vencedora.
Receita projetada dimensiona o ativo
A modelagem estima cerca de R$ 63,81 bilhões em receita tarifária durante os 30 anos, além de R$ 957,12 milhões em receitas acessórias. O custo operacional projetado, ou OPEX, soma R$ 6,70 bilhões. Os números mostram a escala do ativo, mas não equivalem a retorno garantido, pois o desempenho dependerá da demanda, do financiamento, dos custos, das obras e das obrigações contratuais.
Como referência de mercado, a EPR Participações venceu, em 23 de julho de 2026, o leilão da Régis Bittencourt, trecho da BR-116 entre São Paulo e Paraná. A proposta teve deságio de 22,53%, enquanto os investimentos foram estimados em R$ 7,2 bilhões. O resultado sinaliza interesse por concessões rodoviárias, embora cada projeto tenha estrutura e riscos próprios.
Na Bahia, a nova rodada transforma a BR-116 em oportunidade de infraestrutura e teste de capacidade operacional. Empresas que utilizam o corredor precisarão acompanhar a transição para planejar custos logísticos, rotas e abastecimento.