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China EV

BYD busca ampliar fábrica de Camaçari para 600 mil veículos por ano

23/10/2026 • 17:26

BYD busca ampliar fábrica de Camaçari para 600 mil veículos por anoIlustração gerada por IA / Revista Empreende
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Montadora entrou na fase final de obras e testes de estamparia, soldagem e pintura e projeta iniciar 2027 com mais de 50% de conteúdo local nos veículos produzidos na Bahia.

A BYD iniciou pedidos de licenciamento para ampliar a capacidade anual de sua fábrica em Camaçari (BA) para 600 mil veículos. O movimento ocorre enquanto a montadora entra na fase final de obras e testes dos galpões de estamparia, soldagem e pintura, estruturas necessárias para aprofundar a fabricação local de automóveis eletrificados. A atualização foi informada pelo vice-presidente sênior da companhia no Brasil, Alexandre Baldy, em entrevista à Reuters publicada em 23 de outubro.

A fábrica baiana foi inaugurada em 9 de outubro de 2025 e começou a operar com a linha de montagem final. Um ano depois, a estratégia da empresa passou a reunir duas frentes: avançar da montagem para processos industriais como estampagem, soldagem e pintura e elevar a escala de produção instalada no complexo que ocupou a antiga área industrial da Ford em Camaçari.

Capacidade projetada passa por novas licenças

A expansão pretendida leva a capacidade planejada da unidade para 600 mil veículos anuais. Quando inaugurou oficialmente a linha de montagem final, a BYD informou que a primeira etapa do complexo tinha capacidade para 150 mil unidades por ano, com previsão de chegar a 300 mil veículos em uma fase posterior. Na ocasião, Wang Chuanfu, fundador e CEO global da companhia, anunciou a intenção de ampliar o patamar para até 600 mil unidades anuais.

O plano, portanto, depende agora do trâmite de licenças para a nova ampliação. A capacidade de 600 mil veículos não representa a produção já realizada pela fábrica, mas a meta de longo prazo divulgada pela empresa e reafirmada no processo de expansão informado nesta semana. A distinção é relevante porque o complexo ainda está concluindo instalações que permitirão incorporar etapas produtivas hoje em desenvolvimento.

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Na comunicação oficial de inauguração, a BYD também informou que o complexo possui área superior a 4,6 milhões de metros quadrados e recebeu investimento anunciado de R$ 5,5 bilhões. A companhia descreveu a planta como sua maior instalação fora da Ásia e afirmou que a unidade seria estruturada para realizar a fabricação completa de modelos da marca quando todas as fases estivessem concluídas.

Soldagem, pintura e estamparia entram na etapa final

As áreas de estampagem, soldagem e pintura são centrais para o plano de nacionalização da produção. A estamparia transforma chapas metálicas em peças de carroceria; a soldagem une esses componentes para formar a estrutura do veículo; e a pintura finaliza a proteção e o acabamento da carroceria antes da montagem de sistemas e equipamentos.

Em janeiro, a BYD já havia informado que a estratégia de 2026 incluía ampliar a produção de Camaçari, incorporar fornecedores locais e colocar em operação as fábricas de soldagem, estamparia e pintura. Em setembro, uma atualização no site oficial da BYD classificava as três áreas como em fase final de construção.

Na mesma atualização de setembro, a empresa informou que as unidades de soldagem, pintura e estamparia somavam 589 colaboradores: 356 em soldagem, 172 em pintura e 61 em estamparia. O texto também citava a contratação de outros 500 profissionais para essas estruturas, além das admissões voltadas à preparação do terceiro turno de produção. Os dados mostram que a formação de equipes vinha ocorrendo antes da atual etapa final de obras e testes.

Conteúdo local e transição para 2027

Segundo Baldy, a BYD pretende iniciar 2027 ultrapassando o mínimo de 50% de nacionalização de componentes exigido para atender às regras aplicáveis e abrir caminho para exportações regionais. “A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local”, afirmou o executivo à Reuters.

A meta de conteúdo local marca uma mudança em relação à fase inicial da planta, que começou com montagem de veículos a partir de conjuntos importados. A própria BYD descreveu, na apresentação institucional do complexo, que a operação começaria pelo sistema SKD e evoluiria gradualmente para a produção local completa, com estampagem, soldagem, pintura e maior participação de componentes nacionais.

Esse avanço industrial também depende da consolidação de fornecedores no país. A nacionalização não se limita à instalação de novos galpões: envolve a compra ou produção local de peças, a homologação de empresas e a capacidade de manter padrões técnicos e volume suficiente para abastecer a linha. Por isso, a operação das novas áreas é tratada pela montadora como um passo necessário para reduzir a dependência de kits importados.

Empregos e terceiro turno em Camaçari

Em 17 de setembro, a BYD informou oficialmente ter superado 8 mil colaboradores diretos em Camaçari e anunciou a antecipação de 1.500 contratações para preparar o terceiro turno. Na ocasião, cerca de 500 admissões previstas para essa nova etapa já haviam sido realizadas. As vagas estavam ligadas à montagem final, logística e qualidade, com recrutamento pela plataforma Gupy e por parcerias com órgãos públicos de intermediação de mão de obra na Bahia.

Na entrevista publicada nesta sexta-feira, Baldy afirmou que a fábrica emprega cerca de 9 mil pessoas e que a expectativa é encerrar 2026 com aproximadamente 10 mil trabalhadores. Como os números foram divulgados em momentos diferentes, a referência mais recente é a estimativa apresentada pelo executivo em 23 de outubro; ela sucede a marca de mais de 8 mil colaboradores divulgada pela companhia em setembro.

A BYD também planeja alcançar produção mensal de 25 mil veículos até o fim de 2026, de acordo com Baldy. O executivo declarou que a demanda mensal da empresa gira em torno de 30 mil carros e estimou perdas potenciais de faturamento entre 5 mil e 6 mil vendas por mês diante da limitação atual de oferta. Trata-se de uma projeção comercial informada pela companhia, e não de um volume de produção já atingido.

Modelos produzidos na Bahia

Na inauguração da fábrica, a BYD informou que Dolphin Mini, King e Song Pro estavam entre os modelos montados em Camaçari. Mais recentemente, a montadora passou a informar em sua página oficial que o BYD Atto 2 DM-i é fabricado na unidade baiana. A ampliação das etapas de fabricação busca justamente permitir que a produção desses veículos avance em conteúdo local e integração industrial.

O complexo de Camaçari concentra, assim, uma aposta da BYD em escala produtiva, empregos e cadeia de fornecedores no Brasil. A execução do cronograma de licenças, testes e nacionalização será determinante para transformar a capacidade projetada em produção efetiva e para definir o papel da unidade baiana na estratégia regional da montadora.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por FSB Comunicação e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.