Debate Globo é cancelado horas antes da transmissão; entenda o que aconteceu
Ilustração gerada por IA / Revista Empreende — representação conceitual
Ouvir materia
voz de IA no navegador
Encontro entre candidatos à Presidência estava previsto para a noite desta quinta-feira (1º), mas decisões do TSE e do STF alteraram regras do programa poucas horas antes da transmissão.
O debate Globo entre os candidatos à Presidência da República, previsto para a noite desta quinta-feira, 1º de outubro, foi cancelado poucas horas antes do horário marcado para a transmissão. O encontro seria o último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para domingo, 4 de outubro.
A TV Globo informou que tomou a decisão após receber duas determinações judiciais que modificavam pontos das regras previamente acertadas para o programa. Segundo a emissora, as decisões tomadas às vésperas da transmissão provocaram insegurança jurídica sobre a realização do debate.
Por que o debate Globo foi cancelado?
Duas decisões foram determinantes para a mudança de cenário.
A primeira partiu da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atendendo a um pedido apresentado pela coligação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ministra determinou que a Globo não poderia manter no cenário um púlpito vazio identificado com o nome de Lula, que já havia comunicado que não compareceria ao debate.
As regras previamente apresentadas pela emissora estabeleciam que o lugar destinado a um candidato ausente permaneceria no cenário e poderia ser identificado durante o programa. Também estava prevista uma rodada na qual os participantes poderiam dizer qual pergunta fariam ao candidato que não estivesse presente.
A decisão do TSE impediu a aplicação dessa dinâmica no caso do candidato ausente. Segundo a ministra, a exposição reiterada do púlpito vazio poderia gerar efeitos além da simples informação sobre o não comparecimento e deveria ser analisada considerando a igualdade de tratamento entre as candidaturas.
STF determinou participação de Renan Santos
A segunda mudança aconteceu ainda na noite desta quinta-feira.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos (Missão) fosse incluído no debate presidencial da Globo.
Renan não havia sido incluído originalmente entre os convidados obrigatórios porque o partido Missão possui apenas um parlamentar no Congresso. A legislação eleitoral estabelece convite obrigatório aos candidatos cujos partidos tenham representação mínima de cinco parlamentares.
Gilmar Mendes, porém, considerou também uma previsão existente nas próprias regras apresentadas pela Globo para a substituição de participantes. Na decisão, o ministro determinou que a emissora assegurasse a presença de Renan no encontro.
A mudança ocorreu poucas horas antes do horário inicialmente previsto para o debate Globo, às 21h30.
Flávio Bolsonaro desistiu do debate
Além das decisões judiciais, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que não participaria mais do programa.
A desistência ocorreu depois da decisão do TSE sobre o púlpito destinado a Lula. Flávio afirmou nas redes sociais que considerava a determinação uma interferência do Judiciário na organização do debate e anunciou que faria uma transmissão pela internet.
Lula (PT) já havia informado anteriormente à Globo que não compareceria. Na noite desta quinta-feira, o presidente participou de uma entrevista ao Flow Podcast.
É importante diferenciar, no entanto, as ausências dos candidatos da justificativa apresentada pela própria emissora para o cancelamento.
No comunicado divulgado após a decisão, a Globo destacou principalmente as duas determinações judiciais recebidas pouco antes da transmissão e afirmou que as mudanças nas regras provocaram insegurança jurídica e, na avaliação da empresa, interferiam na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais.
Quem participaria do debate da Globo?
Inicialmente, a Globo havia convidado Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT) com base nos critérios de representação parlamentar.
Posteriormente, uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, assegurou também a participação de Romeu Zema (Novo).
Nesta quinta-feira, poucas horas antes do programa, a decisão de Gilmar Mendes acrescentou Renan Santos (Missão) à relação de participantes.
Com Lula já ausente e Flávio Bolsonaro desistindo posteriormente, o encontro teria, no cenário que se formou antes do cancelamento, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos.
Globo alegou insegurança jurídica
Ao explicar o cancelamento do debate Globo, a emissora afirmou que possui tradição na organização de debates eleitorais e que o objetivo desses encontros é permitir que os eleitores conheçam e comparem propostas apresentadas pelos candidatos.
A empresa sustentou, contudo, que sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do evento modificaram regras já estabelecidas e criaram um quadro de insegurança jurídica. Foi nesse contexto que a Globo decidiu não realizar o debate desta quinta-feira.
O cancelamento aconteceu na reta final de uma campanha presidencial em que os debates televisivos tiveram uma dinâmica diferente de eleições anteriores. Lula não participou dos debates do primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro desistiu do encontro da Globo poucas horas antes de sua realização.
Com isso, o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 termina sem a realização do tradicional último debate da Globo entre os candidatos à Presidência.