INMET aponta 95% de chance de El Niño muito forte no fim de 2026
Ilustração gerada por IA / Revista Empreende
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O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou em 30 de setembro de 2026 que a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro chegou a 95% no Brasil. Na mesma data, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) reportou que os reservatórios do Sistema Interligado Nacional estavam, em 23 de setembro, com 65,9% do volume útil.
A projeção consta do Boletim nº 4 do Painel El Niño, elaborado por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.
Previsão indica distribuição desigual das chuvas
Para o período de outubro a dezembro de 2026, o boletim prevê chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do país. A combinação entre precipitação reduzida e temperaturas elevadas pode intensificar o déficit hídrico em parte do território.
O percentual de 65,9% representa a situação equivalente dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional em 23 de setembro, e não um nível em tempo real. A atualização da ANA também detalha o panorama de rios, vazões e áreas atingidas pela seca.
A intensidade projetada para o fenômeno não determina automaticamente o tamanho dos efeitos em cada região. A Organização Meteorológica Mundial ressalta que as previsões devem orientar a avaliação probabilística de riscos, sem serem tratadas como confirmação antecipada de perdas.
ANA prevê medidas operacionais até março de 2027
A ANA publicou em 14 de setembro um plano de preparação para o El Niño 2026/2027, com ações operacionais e regulatórias previstas até março de 2027. Conforme a evolução das condições, a agência poderá declarar situação de escassez hídrica, estabelecer regras especiais para reservatórios e definir condições específicas de uso da água em até 57 sistemas locais do Semiárido.
Na Amazônia, o plano identifica risco de vazões abaixo da média e níveis críticos a partir de meados de outubro, com possíveis reflexos sobre navegabilidade, abastecimento e geração hidrelétrica. No Nordeste, estão previstos cenários de alocação de água caso a estação chuvosa de 2026/2027 seja insuficiente, abrangendo irrigação, abastecimento e o bombeamento do Projeto de Integração do Rio São Francisco.
As medidas permanecem condicionadas ao monitoramento das chuvas, vazões e reservatórios. Até a publicação do boletim, as fontes oficiais confirmavam a elevação do risco climático e a preparação regulatória, mas não registravam perdas empresariais decorrentes do evento projetado.