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Governo Trump acusa Brasil de censura após X alterar algoritmo para eleições de 2026

16/08/2026 • 20:48

Woman using a smartphone at a busy outdoor café in Lisbon
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Plataforma criou filtro específico para deixar de recomendar publicações de contas oficiais de candidatos a usuários que não as seguem; conteúdos permanecem disponíveis no X

Uma autoridade do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil de impor “censura” após o X, antigo Twitter, modificar seu algoritmo para atender às regras eleitorais brasileiras. A mudança afeta a forma como publicações de candidatos às Eleições 2026 aparecem no feed de recomendações da rede social, mas não determina a exclusão dos conteúdos da plataforma.

A manifestação foi feita neste domingo, 16 de agosto, por Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, depois que detalhes do funcionamento do algoritmo do X se tornaram públicos. Rogers classificou a medida como “censura imposta pelo Brasil”, ampliando o debate sobre liberdade de expressão, regulação das plataformas digitais e legislação eleitoral brasileira.

A alteração ocorre justamente no dia em que a propaganda eleitoral passou a ser permitida no país. De acordo com o calendário e as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha eleitoral pode ocorrer a partir de 16 de agosto.

O que mudou no algoritmo do X para as eleições de 2026

O mecanismo implementado pela plataforma recebeu o nome de Brazil2026ElectionFilter e está incorporado ao sistema que organiza o feed “Para Você”, área do X responsável por recomendar publicações com base em algoritmos.

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Na prática, o filtro impede que publicações feitas por determinadas contas de candidatos e campanhas comunicadas à Justiça Eleitoral sejam apresentadas como recomendações para usuários que não seguem essas contas. Caso o eleitor já siga o perfil do candidato, as publicações continuam podendo aparecer normalmente no feed.

Isso significa que a alteração não equivale ao bloqueio ou à remoção dos perfis. As contas permanecem acessíveis e suas publicações podem ser visualizadas diretamente pelos usuários. O impacto ocorre principalmente sobre o alcance algorítmico para pessoas que ainda não seguem determinado candidato.

O próprio repositório público do algoritmo do X informa que o Brazil2026ElectionFilter remove do sistema de recomendações posts das contas incluídas na regra eleitoral, a menos que o usuário siga explicitamente aquele perfil. O arquivo específico do filtro publicado no GitHub possui mais de 1.500 linhas de código.

Regra está prevista em resolução do TSE

A decisão do X está relacionada à Resolução nº 23.610/2019 do TSE, posteriormente modificada para incorporar novas regras para propaganda política nas plataformas digitais.

O texto atualmente em vigor estabelece que provedores que utilizam sistemas de recomendação devem excluir dos resultados os canais e perfis informados à Justiça Eleitoral pelas candidaturas e, salvo hipóteses legais de impulsionamento pago, os conteúdos publicados nessas contas.

A regra referente aos sistemas de recomendação foi incorporada à resolução em 2024 e integra o conjunto de normas aplicável ao processo eleitoral de 2026. Neste ano, o TSE voltou a atualizar as regras de propaganda eleitoral por meio da Resolução nº 23.755, de 2 de março de 2026.

As normas também aumentaram as obrigações das plataformas em temas como desinformação, inteligência artificial e integridade do processo eleitoral. A resolução determina, por exemplo, medidas relacionadas ao aprimoramento dos sistemas de recomendação e à prevenção da circulação de conteúdos considerados ilícitos no contexto eleitoral.

Governo Trump critica regra brasileira

A aplicação da regra ganhou repercussão internacional depois da manifestação de Sarah Rogers. A integrante do governo americano elogiou a transparência proporcionada pela abertura do algoritmo do X, mas usou a divulgação do código para criticar a legislação brasileira.

Segundo Rogers, a publicação do funcionamento do algoritmo torna explícita aquilo que ela considera uma forma de censura determinada pelo Brasil.

A legislação brasileira, por outro lado, não determina nesse caso a retirada das manifestações políticas dos candidatos da rede social. A restrição está direcionada ao sistema automatizado de recomendação, distinguindo o alcance orgânico decorrente da decisão do usuário de seguir uma conta da distribuição promovida pelo próprio algoritmo da plataforma.

Essa diferença deve ocupar o centro do debate: enquanto representantes do governo americano interpretam a limitação da recomendação algorítmica como interferência sobre a liberdade de expressão, a norma eleitoral brasileira trata a medida como parte das regras impostas às plataformas durante a disputa eleitoral.

X torna algoritmo mais transparente

A discussão ganhou uma dimensão tecnológica adicional porque o X disponibilizou publicamente parte relevante do código utilizado para organizar o feed “Para Você”.

O repositório do x-algorithm, mantido pela xAI, explica que o sistema combina publicações de contas que o usuário segue com conteúdos encontrados por mecanismos de inteligência artificial e outros sistemas de recomendação. Posteriormente, diferentes filtros determinam quais publicações podem efetivamente chegar ao feed.

Na atualização de 14 de agosto, o próprio projeto destacou especificamente as eleições brasileiras e afirmou que o Brazil2026ElectionFilter foi implementado em conformidade com a legislação eleitoral do país.

Redes sociais entram no centro das Eleições 2026

A controvérsia evidencia o peso que algoritmos, inteligência artificial e plataformas digitais terão nas Eleições 2026.

Mais do que decidir quais publicações permanecem disponíveis, as plataformas controlam sistemas capazes de definir quais conteúdos serão recomendados para milhões de usuários. Por isso, as discussões regulatórias passaram a envolver não apenas remoção de posts, mas também alcance, impulsionamento e mecanismos automatizados de recomendação.

No caso do X, o conteúdo político dos candidatos continuará disponível para consulta e para seus seguidores. A mudança está na capacidade de o algoritmo apresentar espontaneamente esses posts para novos públicos.

Com o início oficial da propaganda eleitoral neste domingo, a implementação do Brazil2026ElectionFilter coloca o Brasil no centro de uma discussão internacional que deve continuar ao longo da campanha: até onde regras eleitorais podem limitar a atuação dos algoritmos das redes sociais sem restringir a liberdade de expressão?