Companhia prevê avanço de 252% no faturamento até 2026, chegada a 20 unidades e geração de 700 empregos no setor
A +Pet anunciou sua fusão com a VFP, rede especializada em hospitais veterinários de alta complexidade, em uma operação que dá origem a um novo ecossistema integrado de saúde veterinária no Brasil. Com o movimento, a empresa alcança valuation de R$ 415 milhões e reforça sua estratégia de consolidação no mercado.
Mais do que uma operação societária, a fusão reposiciona a companhia ao criar um modelo verticalizado ainda inédito no país. A proposta reúne planos de saúde, clínicas, exames e hospitais em uma mesma rede, permitindo maior controle sobre toda a jornada de atendimento.
Antes da união com a VFP, a empresa contava com cerca de 26 mil planos ativos, aproximadamente 84 mil atendimentos anuais, 65 mil exames realizados e 2.700 cirurgias por ano.
Para 2026, a expectativa é chegar a 50 mil planos ativos, 139 mil atendimentos anuais, 100 mil exames e 7.700 cirurgias por ano. No período, o faturamento deve saltar de R$ 44 milhões para R$ 155 milhões, crescimento estimado em 252%.
Novo modelo de saúde veterinária no país
A estrutura proposta pela companhia concentra todas as etapas do cuidado — do plano de saúde ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento — em uma única operação. O objetivo é reduzir a fragmentação que ainda caracteriza o setor veterinário no Brasil.
“A saúde veterinária no Brasil ainda é altamente pulverizada. O tutor transita por múltiplos pontos de atendimento, sem continuidade no cuidado. O que estamos construindo é um novo ecossistema integrado, que conecta todas as etapas dentro da mesma rede”, afirma Pablo Teixeira, CEO da +Pet.
Com a incorporação da VFP, a +Pet passa a contar com estrutura hospitalar própria e amplia sua capacidade para procedimentos de maior complexidade. A integração também permitirá reunir dados clínicos e o histórico dos pacientes em um único ambiente.
Expansão, tecnologia e consolidação
Atualmente, o grupo possui mais de 10 unidades em operação, sendo 8 hospitais e 2 clínicas avançadas. A meta é incorporar novos centros ao longo do ano e alcançar até 20 unidades até o fim de 2026.
A rede já mantém unidades próprias em São Paulo, Campinas, Brasília e Goiânia. Além disso, hospitais localizados em cidades como Ribeirão Preto, Araraquara, São José dos Campos e Uberlândia passarão a operar como +Pet.
O plano de crescimento também inclui uma transição estruturada das marcas das unidades incorporadas. Inicialmente, as operações seguem com suas marcas originais, acompanhadas da identificação +Pet, preservando o reconhecimento regional e a continuidade do atendimento. Gradualmente, a integração avança até a consolidação completa sob uma única marca, refletindo a padronização de processos, da experiência do cliente e da estrutura clínica em toda a rede.
A companhia também prepara a entrada em novas praças, com unidades previstas em Palmas (TO) e Campo Grande (MS) a partir de maio. A iniciativa reforça a estratégia de fusões para acelerar a presença nacional.
Com a ampliação da operação, o grupo passa a reunir cerca de 700 colaboradores diretos, com perspectiva de crescimento desse número conforme novas unidades forem abertas e incorporadas.
A operação também aposta em tecnologia avançada para diagnóstico e tratamento, incluindo tomografia computadorizada, ultrassonografia de alta definição e radiografia digital. A rede utiliza ainda sistemas integrados de gestão clínica e prontuários eletrônicos.
O modelo contempla monitoramento remoto de pacientes e apoio tecnológico a cirurgias, aumentando a precisão dos diagnósticos e a eficiência dos procedimentos.
“O diferencial está na combinação entre integração e capacidade técnica. Conseguimos oferecer desde o atendimento básico até procedimentos de alta complexidade dentro do mesmo ecossistema, com padrão único de qualidade”, diz o executivo.
A estratégia da +Pet combina crescimento orgânico com a aquisição e incorporação de clínicas e hospitais já em funcionamento. A prioridade é integrar estruturas com capacidade instalada e aderência ao padrão técnico da rede.
Com isso, a companhia pretende acelerar sua expansão geográfica, reduzir o tempo de entrada em novos mercados e ampliar a eficiência de capital, consolidando uma rede nacional integrada.
“O setor já atingiu um estágio de maturidade que exige escala, eficiência e padronização. A consolidação é um caminho natural, e estamos estruturando uma plataforma capaz de liderar esse movimento no Brasil”, afirma Teixeira.
A movimentação ocorre em um mercado que movimentou cerca de R$ 75,4 bilhões em 2024 e reúne mais de 160 milhões de animais de estimação no Brasil. Apesar do tamanho do setor, a adesão a planos de saúde veterinários ainda é baixa: cerca de 1% dos pets têm cobertura.
Ao integrar toda a jornada de cuidado, a +Pet passa a adotar um modelo semelhante ao de grandes grupos da saúde humana, com maior controle sobre qualidade, custos e resultados clínicos.
“Não se trata apenas de crescer. Estamos redefinindo a forma como o cuidado veterinário é estruturado no Brasil, com impacto direto na qualidade do atendimento e na experiência do cliente”, conclui o CEO.