Saúde ganha papel de âncora e muda o mix dos shoppings da Alqia
Revista Empreende/IA
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Os shopping centers administrados pela Alqia estão ampliando o espaço dedicado a clínicas, academias e operações de bem-estar, em um movimento que reposiciona esses empreendimentos como destinos de serviços, além de centros de compras. A estratégia aparece tanto no desempenho do SuperShopping Osasco, em São Paulo, quanto na chegada da Rede D’Or ao Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro. O avanço sinaliza uma mudança no uso dos ativos comerciais, com atividades de saúde ganhando peso na composição do mix.
Para o mercado imobiliário, a relevância está na capacidade de incorporar usos que não dependem apenas da compra de produtos. Consultas, exames, vacinação, atividade física e autocuidado ampliam a função cotidiana dos complexos e podem estimular visitas recorrentes. A tese não elimina o varejo tradicional. Ela acrescenta uma camada de serviços ao ativo e cria novas possibilidades de ocupação para áreas comerciais.
Escala amplia o alcance da estratégia
A escala da Alqia ajuda a dimensionar o alcance da estratégia. A companhia informa administrar 12 shopping centers, com cerca de 400 mil m² de área bruta locável, mais de 1,6 mil lojas e aproximadamente 90 milhões de visitantes por ano. Em sua rede, as vendas totais informadas chegaram a R$ 5 bilhões em dezembro de 2024.
Esses números colocam a transformação do mix em uma plataforma de grande alcance. A inclusão de saúde e bem-estar pode distribuir a atração do público por diferentes necessidades, enquanto combina operações de varejo, serviços e cuidados pessoais. Para proprietários e administradores, o ponto central é articular essa diversidade sem perder coerência comercial entre as atividades.
Osasco registra avanço nas vendas
No SuperShopping Osasco, a Abrasce registrou crescimento de 11% nas vendas do segmento de saúde e bem-estar no primeiro semestre de 2026. O dado oferece um indicador concreto de tração dentro de um empreendimento administrado pela Alqia. Embora se refira a um shopping e a um período específicos, o resultado reforça a leitura de que serviços ligados ao cuidado pessoal vêm encontrando demanda no ambiente dos centros comerciais.
O mix local mostra como a categoria deixa de ser tratada como uma operação isolada. O SuperShopping Osasco reúne CEMA, Clínica Hosp e Doctor Feet, além de academias, nutrição esportiva, beleza e autocuidado. A variedade conecta atendimento médico, atividade física e consumo especializado, compondo uma oferta que acompanha diferentes etapas da rotina de saúde e bem-estar do visitante.
Rede D’Or amplia a estratégia no Rio
No Rio de Janeiro, a Alqia anunciou a chegada da Rede D’Or ao Via Parque Shopping, em uma unidade médica de 1.300 m². A iniciativa foi apresentada como parte da criação de um hub de saúde no empreendimento. Pela dimensão e pelo perfil da operação, o projeto evidencia a disposição de reservar uma área relevante a serviços médicos dentro de um ativo originalmente associado ao varejo.
A ocupação por uma instituição de saúde adiciona ao shopping uma finalidade distinta da compra discricionária. Também aproxima o empreendimento de um modelo de uso misto dos ativos comerciais, ainda que as atividades estejam reunidas sob o mesmo complexo. A combinação pode ampliar a utilidade do imóvel e integrar agendas de atendimento, exercício, alimentação e compras, sem pressupor que todos os visitantes percorram o mesmo roteiro.
Serviços redefinem a função dos ativos
A tendência observada na rede da Alqia faz parte de uma mudança mais ampla descrita pela Abrasce. A associação aponta a expansão dos shopping centers como polos de serviços de saúde, exames, vacinação, academias e bem-estar. Nesse desenho, saúde em shopping centers não é apenas uma nova categoria de locatário, mas um vetor para redefinir a relação do empreendimento com o público.
Do ponto de vista imobiliário, a transformação do mix exige avaliar compatibilidade entre operações, espaço ocupado e papel de cada serviço na atração de visitantes. Uma clínica de grande porte tem dinâmica diferente de uma loja, assim como academias e operações de autocuidado atendem motivações próprias. O desafio de gestão é fazer com que essas atividades coexistam e fortaleçam o conjunto do ativo.
Essa evolução também altera a leitura sobre o que sustenta a atratividade de um shopping. Em vez de concentrar a proposta apenas em compras, o empreendimento passa a reunir necessidades que podem ocorrer em frequências diferentes. A saúde traz compromissos programados, enquanto academias e autocuidado acrescentam rotinas, formando uma base de usos mais ampla.
Os casos de Osasco e do Rio de Janeiro mostram duas frentes complementares. Uma está no crescimento de vendas de um segmento já diversificado; a outra, na implantação de uma unidade médica de 1.300 m² associada a um hub de saúde. Juntas, elas indicam que o setor avança de operações pontuais para uma estratégia imobiliária mais estruturada, na qual serviços podem assumir papel de âncora e ampliar a relevância cotidiana dos shopping centers. Dados e números foram conferidos na fonte oficial Abrasce, Saúde e bem-estar.