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Anthropic acelera rumo ao IPO e projeção de US$ 200 bilhões em receita coloca gigante da IA na corrida dos trilhões

17/08/2026 • 18:19

Anthropic acelera rumo ao IPO e projeção de US$ 200 bilhões em receita coloca gigante da IA na corrida dos trilhões
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Criadora do Claude já foi avaliada em US$ 965 bilhões, ultrapassou US$ 47 bilhões em receita anualizada e projeta faturamento próximo de US$ 200 bilhões em 2028; abertura de capital pode transformar a disputa com a OpenAI em uma das maiores batalhas por capital da história da tecnologia.

A Anthropic está deixando de ser apenas uma das principais concorrentes da OpenAI no desenvolvimento de inteligência artificial para assumir outro papel: o de candidata a protagonizar uma das maiores aberturas de capital já realizadas por uma empresa de tecnologia.

A companhia responsável pelo Claude apresentou confidencialmente em junho documentos para uma oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, avançando formalmente no processo de IPO. Os termos da operação ainda não foram divulgados, mas os números que circulam entre investidores ajudam a dimensionar a magnitude potencial da estreia.

O dado que mais chama a atenção está no futuro. A Anthropic trabalha com uma projeção de aproximadamente US$ 190 bilhões a US$ 200 bilhões em receita em 2028, segundo informações obtidas pela Reuters. O número está sendo utilizado por banqueiros e investidores como uma das referências para tentar determinar quanto a empresa poderia valer no mercado acionário.

É uma situação incomum mesmo para os padrões do setor de tecnologia. Em vez de avaliar a companhia principalmente pelo lucro atual, Wall Street está olhando dois anos à frente e tentando calcular quanto vale hoje uma empresa que acredita poder multiplicar rapidamente suas receitas enquanto reduz proporcionalmente o gigantesco custo computacional necessário para operar modelos de IA.

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A pergunta central, portanto, deixou de ser apenas se a Anthropic conseguirá competir com a OpenAI. Agora é outra: quanto pode valer uma das maiores plataformas de inteligência artificial do mundo se suas projeções realmente se confirmarem?

Receita da Anthropic dispara e sustenta expectativas para o IPO

A velocidade de crescimento ajuda a explicar o entusiasmo. A Anthropic terminou 2025 com aproximadamente US$ 9 bilhões em receita anualizada. Em maio de 2026, esse indicador já havia ultrapassado US$ 47 bilhões, segundo a própria companhia. A empresa afirma ainda que seu run rate de receita cresceu mais de dez vezes ao ano em cada um dos três anos até o início de 2026.

A transformação também aparece nos números trimestrais. Para o segundo trimestre de 2026, a companhia projetou receita de pelo menos US$ 10,9 bilhões, mais que o dobro do trimestre anterior. Ainda mais relevante para investidores preocupados com a sustentabilidade econômica da IA, a Anthropic caminhava para registrar seu primeiro lucro operacional trimestral, estimado em aproximadamente US$ 559 milhões.

O salto entre o run rate de US$ 47 bilhões divulgado em maio e a projeção de até US$ 200 bilhões para 2028 mostra a dimensão da aposta.

Para atingir a parte superior dessa estimativa, a empresa precisará adicionar mais de US$ 150 bilhões em receita anual em poucos anos — escala que colocaria a Anthropic não mais no universo tradicional das startups, mas entre as maiores companhias de tecnologia do planeta em faturamento.

Uma das locomotivas dessa expansão é o mercado corporativo. A empresa informou anteriormente que mais de 500 clientes já gastavam pelo menos US$ 1 milhão por ano com suas soluções, contra apenas cerca de uma dúzia dois anos antes. O Claude também já estava presente em oito das dez maiores empresas da Fortune 10.

O Claude Code tornou-se particularmente importante nessa estratégia. No início de 2026, sua receita anualizada havia ultrapassado US$ 2,5 bilhões, enquanto assinaturas empresariais do produto quadruplicaram desde o começo do ano. Mais da metade de sua receita já vinha do segmento corporativo.

Valuation salta de US$ 380 bilhões para US$ 965 bilhões em poucos meses

O crescimento operacional foi acompanhado por uma valorização extraordinária no mercado privado.

Em fevereiro de 2026, a Anthropic levantou US$ 30 bilhões em uma rodada que avaliou a companhia em US$ 380 bilhões. Apenas três meses depois, em maio, anunciou uma nova captação de US$ 65 bilhões, passando para uma avaliação pós-money de US$ 965 bilhões. Ou seja: em aproximadamente três meses, seu valuation aumentou cerca de 154%.

A rodada de US$ 65 bilhões foi liderada por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital, com Coatue e ICONIQ entre os co-líderes. Blackstone, Brookfield, D1 Capital Partners, GIC, General Catalyst e Insight Partners também aparecem entre os investidores envolvidos na expansão da companhia.

A estrutura de capital mostra outra característica importante da corrida pela inteligência artificial: fornecedores de infraestrutura estão se transformando simultaneamente em parceiros, investidores e peças estratégicas do crescimento das empresas de modelos.

Micron, Samsung e SK Hynix participaram da rodada mais recente. Parte do financiamento também incorporou investimentos anteriormente comprometidos por grandes provedores de infraestrutura, incluindo US$ 5 bilhões da Amazon.

A Amazon havia anunciado que poderia investir até US$ 25 bilhões adicionais na Anthropic, enquanto a desenvolvedora do Claude se comprometeu a gastar mais de US$ 100 bilhões ao longo de dez anos em tecnologias de nuvem da Amazon. Esse acordo se soma a um investimento anterior de US$ 8 bilhões da gigante do comércio eletrônico.

O grande desafio: transformar bilhões em receita sem que o custo da IA cresça no mesmo ritmo

Se a receita é o principal argumento favorável à Anthropic, o custo computacional representa o principal risco.

Modelos de fronteira exigem enormes quantidades de GPUs, data centers, energia, redes, armazenamento e engenheiros altamente especializados. Além do treinamento dos modelos, cada interação realizada por usuários gera custos de inferência.

É justamente por isso que Wall Street começa a prestar atenção não apenas em usuários, mas também no volume e na economia dos tokens processados pelos modelos de inteligência artificial. O consumo empresarial pode ser muito superior ao dos usuários comuns, especialmente em ferramentas utilizadas por programadores e agentes autônomos. O desafio é fazer com que a receita cresça mais rapidamente do que esses custos.

Uma análise da Reuters Breakingviews estimou que, em um cenário de aproximadamente US$ 100 bilhões de receita, os custos computacionais da Anthropic poderiam chegar a cerca de US$ 56 bilhões por ano. Uma redução de apenas 10% nessa estrutura representaria economia potencial de US$ 5,6 bilhões anuais. Esse ponto pode ser decisivo para o valuation.

Quanto mais eficientes forem os modelos, chips e sistemas de inferência, maior poderá ser a margem da Anthropic. Em outras palavras, avanços tecnológicos deixam de ser apenas diferenciais de produto: tornam-se diretamente responsáveis pela geração de lucro.

Wall Street começa a olhar para 2028 para calcular quanto a Anthropic vale

A complexidade é tamanha que investidores estão adotando uma metodologia pouco convencional. Em vez de olhar apenas para lucro ou Ebitda atual, banqueiros envolvidos nas discussões sobre a companhia estão considerando múltiplos de enterprise value sobre receita futura, utilizando as projeções para 2028.

Entre as referências analisadas aparecem Palantir, Cloudflare e SpaceX. Dados compilados pela LSEG mostravam a Palantir negociada a cerca de 53 vezes a receita esperada para o ano, enquanto Cloudflare e SpaceX estavam próximas de 41,6 vezes suas receitas projetadas para 2026.

Isso não significa que esses múltiplos possam simplesmente ser aplicados aos US$ 200 bilhões projetados pela Anthropic — o resultado produziria avaliações pouco realistas. O que Wall Street tenta determinar é qual prêmio uma companhia com crescimento extraordinário poderá sustentar quando seu ritmo inevitavelmente começar a normalizar. É nesse debate que aparecem estimativas de valuation na casa dos US$ 2 trilhões.

A cifra ainda não representa uma avaliação oficialmente definida pela Anthropic e deve ser tratada como uma hipótese de mercado. Mas, para que um valor dessa magnitude seja sustentável, investidores precisarão acreditar simultaneamente em três fatores: crescimento extraordinário da receita, expansão relevante das margens e manutenção da posição competitiva da empresa no mercado de modelos de fronteira.

Anthropic x OpenAI: a corrida pela IA chega a Wall Street

A disputa com a OpenAI acrescenta outra camada à história. Em março de 2026, a OpenAI anunciou US$ 122 bilhões em capital comprometido, em uma operação que estabeleceu avaliação pós-money de US$ 852 bilhões.

A rodada de maio colocou a Anthropic em US$ 965 bilhões, fazendo com que, naquele momento, sua avaliação privada ultrapassasse a da rival.

A OpenAI também avançou posteriormente com os preparativos para sua abertura de capital. Assim, as duas principais empresas independentes de modelos de IA podem chegar às bolsas em uma janela relativamente próxima.

Mas seus modelos econômicos possuem diferenças importantes. A OpenAI construiu uma das maiores plataformas de IA voltadas ao consumidor, impulsionada pelo ChatGPT, ao mesmo tempo em que expande APIs, produtos corporativos e ferramentas para desenvolvedores.

A Anthropic, embora também possua produtos destinados ao usuário final, construiu uma posição especialmente forte em clientes empresariais e desenvolvimento de software, com Claude Code transformando-se em um dos motores de crescimento.

As duas compartilham, porém, o mesmo problema fundamental: precisam financiar uma expansão de infraestrutura em escala sem precedentes.

No caso da OpenAI, o tamanho dessa corrida fica evidente pelos números. A empresa gastou cerca de US$ 34 bilhões em 2025, incluindo aproximadamente US$ 19 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. A receita naquele ano foi de cerca de US$ 13 bilhões.

A corrida por capacidade computacional continua acelerando. Nesta segunda-feira, 17 de agosto, a Nvidia anunciou apoio financeiro de até US$ 105 bilhões relacionado a um gigantesco projeto de data center da OpenAI em Ohio, ilustrando o tamanho da infraestrutura necessária para sustentar a próxima geração de IA.

IPOs de Anthropic e OpenAI podem inaugurar uma nova fase do mercado de capitais

A eventual chegada simultânea das duas empresas às bolsas teria consequências que vão muito além do setor tecnológico.

Durante anos, grande parte da criação de valor das principais startups permaneceu concentrada no mercado privado. Fundos de venture capital, private equity, fundos soberanos e grandes empresas de tecnologia capturaram boa parte dessa valorização antes que investidores comuns tivessem acesso às companhias.

Anthropic e OpenAI podem ajudar a inverter parcialmente esse movimento. Um IPO próximo de US$ 1 trilhão — ou eventualmente acima desse nível — colocaria imediatamente qualquer uma das empresas entre as maiores companhias listadas do mundo.

Analistas já alertaram que a demanda conjunta de capital de empresas como Anthropic, OpenAI e SpaceX pode ser tão elevada que provoque alterações relevantes nos fluxos dos mercados financeiros.

O primeiro grande teste já ocorreu. A SpaceX realizou em junho uma oferta de US$ 75 bilhões, estabelecendo um novo recorde mundial de captação em IPO. Agora, a inteligência artificial pode produzir a próxima onda.

O IPO da Anthropic será, sobretudo, um teste sobre o valor econômico da inteligência artificial

A abertura de capital da Anthropic poderá representar algo maior do que a estreia de uma nova companhia de tecnologia.

Será um teste sobre quanto o mercado está disposto a pagar hoje pela expectativa de que inteligência artificial se transforme em uma das maiores plataformas econômicas das próximas décadas.

Os números apresentados até agora são extraordinários: valuation de US$ 965 bilhões, receita anualizada superior a US$ 47 bilhões, projeção trimestral de pelo menos US$ 10,9 bilhões e expectativa de aproximadamente US$ 190 bilhões a US$ 200 bilhões em receita em 2028.

Mas o valuation futuro dependerá menos do tamanho do Claude e mais da economia por trás dele. A Anthropic terá de provar que consegue transformar capacidade computacional em receita numa velocidade maior do que transforma receita em gastos com capacidade computacional.

Se conseguir, uma avaliação na casa dos trilhões poderá deixar de parecer apenas consequência da euforia em torno da inteligência artificial.

E, se Anthropic e OpenAI chegarem às bolsas em sequência, Wall Street poderá entrar em uma nova fase: aquela em que os próprios fabricantes dos modelos de inteligência artificial — e não apenas Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet — passam a ocupar diretamente o centro do mercado global de capitais.