Banco Master: liquidação segue ativa e FGC mantém pagamentos

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Banco Master voltou a figurar entre os termos mais pesquisados porque sua liquidação extrajudicial ainda está ativa e o pagamento de garantias permanece como questão relevante para clientes e credores. Embora a maior parte do valor estimado tenha sido desembolsada até março de 2026, o procedimento não foi encerrado e exige atenção aos limites aplicáveis a cada CPF ou CNPJ.
O interesse atual vai além da situação de um banco. O caso permite avaliar como mecanismos de proteção à liquidez, supervisão regulatória e gestão de riscos atuam depois de uma crise bancária. Também mostra que o pagamento rápido de garantias pode conter a perda de confiança, mas não substitui a liquidação dos ativos, o atendimento aos demais credores e a apuração de responsabilidades.
Por que o Banco Master continua sob liquidação
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A. e Master Corretora. Segundo a autoridade, a decisão decorreu de “grave crise de liquidez do Conglomerado Master”, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Naquele momento, o conglomerado representava 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do sistema financeiro. A participação relativamente pequena limitava sua dimensão sistêmica, mas o volume de depósitos e investimentos elegíveis à garantia produziu uma operação de grande escala. A Revista Empreende já analisou como a liquidação do Banco Master expôs custos e questões de governança.
O Banco Master Múltiplo seguiu inicialmente outro caminho. A instituição foi submetida ao Regime de Administração Especial Temporária em novembro de 2025, mas o Banco Central converteu o regime em liquidação extrajudicial em 17 de março de 2026. A consulta regulatória continua classificando as instituições do grupo mencionadas no processo como liquidações ativas.
FGC estimou garantias de R$ 40,6 bilhões
O Fundo Garantidor de Créditos iniciou em 17 de janeiro de 2026 as solicitações de garantia para credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Letsbank. Após a consolidação das informações pelo liquidante, a estimativa foi reduzida de 1,6 milhão para aproximadamente 800 mil credores elegíveis, com R$ 40,6 bilhões previstos em garantias.
Na atualização quantitativa mais recente localizada, de 23 de março de 2026, o FGC informou ter pago R$ 39 bilhões a 689 mil pessoas. Os números correspondiam a 96% do valor estimado e 89% da quantidade prevista de credores. Isso não significa que todos receberam integralmente nem que o processo de liquidação terminou.
O Fundo ainda mantém sua página oficial de pagamento de garantia. Pessoas físicas devem fazer a solicitação pelo aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas utilizam o Portal do Investidor. Créditos acima dos limites cobertos e outros valores não elegíveis seguem tratamento próprio no processo de liquidação.
Limite por conglomerado exige atenção dos credores
A cobertura ordinária observa o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, além do limite global de R$ 1 milhão em quatro anos. No caso Master, a regra de conglomerado é especialmente importante porque impede a multiplicação da garantia apenas pela distribuição dos recursos entre empresas financeiras relacionadas.
Quem já recebeu R$ 250 mil por aplicações nos bancos Master, Master de Investimento e Letsbank não tem um novo valor garantido em razão da liquidação da Will Financeira, integrante do mesmo conglomerado. Para instrumentos elegíveis adquiridos até 31 de agosto de 2024, a cobertura é preservada dentro do teto. Nas aquisições feitas a partir de 1º de setembro de 2024, o limite passou a ser consolidado no conglomerado Master.
O que o caso ensina sobre risco e gestão financeira
Para empresas e investidores, o episódio reforça que rentabilidade, liquidez e proteção institucional precisam ser avaliadas em conjunto. Concentrar caixa ou reservas em instituições do mesmo conglomerado pode reduzir a cobertura efetiva, mesmo quando os produtos são distribuídos por marcas diferentes. A análise de contraparte deve considerar a estrutura societária e as regras do garantidor.
O FGC cumpriu uma função de estabilização ao viabilizar pagamentos em larga escala, reduzindo o risco de uma reação desordenada dos depositantes. Ainda assim, o pós-crise do Banco Master permanece aberto. O encerramento dependerá da administração da liquidação, da classificação dos créditos e das decisões regulatórias cabíveis, etapas distintas do pagamento da garantia e essenciais para restaurar previsibilidade e confiança no mercado.