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Mercados

Banco Master: liquidação expõe custo bilionário e falhas de governança

11/09/2026 • 11:06

Fachada financeira representa a liquidação do Banco Master e a atuação do FGC e da CVM
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O caso do Banco Master permanece aberto em frentes decisivas para investidores, credores e reguladores. A CVM pautou para 8 de setembro de 2026 um processo sancionador que inclui a instituição, já em liquidação extrajudicial, e ex-administradores. Ao mesmo tempo, questões sobre sigilo, ressarcimento e supervisão mantêm o episódio relevante para o mercado financeiro.

O ponto empresarial vai além do destino de um banco. O caso mostra como uma instituição que representava 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional produziu um impacto operacional bilionário no mecanismo de proteção aos depositantes. Também expõe os custos de falhas de liquidez, controles internos, transparência e integração entre estruturas de fiscalização.

Liquidação do Banco Master começou com crise de liquidez

O Banco Central decretou em 18 de novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master, do Banco Master de Investimento, do Letsbank e da Master Corretora. Na mesma data, submeteu o Banco Master Múltiplo ao Regime de Administração Especial Temporária, o RAET. A autoridade apontou uma “grave crise de liquidez do Conglomerado Master”, comprometimento relevante da situação econômico-financeira e graves violações das normas aplicáveis às instituições financeiras.

Em 17 de março de 2026, o Banco Central converteu o RAET do Banco Master Múltiplo em liquidação extrajudicial. Segundo a autarquia, a instituição não captava depósitos do público e o regime temporário buscava permitir a continuidade dos negócios da controlada Will Financeira. A sequência evidencia uma lição de gestão de risco: participação reduzida no sistema não significa resolução simples nem impacto financeiro limitado.

FGC transformou o caso Master em teste de escala

O Fundo Garantidor de Créditos iniciou em 17 de janeiro de 2026 o pagamento de garantias aos credores do Banco Master, do Master de Investimentos e do Letsbank, depois da consolidação e revisão das informações pelo liquidante. Ao fim de 2025, o fundo havia provisionado R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias relacionadas às três instituições.

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Até 6 de abril de 2026, foram pagos R$ 39,3 bilhões, equivalentes a 96,90% do montante previsto naquele momento. O percentual elevado não significa encerramento integral. A página do FGC ainda mantém as instituições entre aquelas cujos credores podem solicitar garantia, conforme a finalização das listas pelos liquidantes.

Para o mercado, o valor provisionado dimensiona o efeito econômico da captação protegida pelo fundo. O episódio reforça a necessidade de investidores avaliarem liquidez, concentração, governança e modelo de distribuição, em vez de tratarem a garantia como substituta da análise de risco.

CVM amplia a discussão sobre controles e transparência

A frente de mercado de capitais ganhou peso com o diagnóstico do grupo de trabalho da CVM sobre Master, Reag e entidades conexas. A autarquia analisou 314 processos instaurados desde 2017, dos quais 131 foram abertos em 2025. Também identificou 65 ofícios de alerta e 14 termos de acusação.

As ocorrências mais recorrentes envolveram falhas na divulgação ou prestação de informações obrigatórias e deficiências de conformidade e controles internos. A CVM classificou o cenário analisado como de “deficiências estruturais e sistêmicas na transparência e na governança”, mas ressaltou que o levantamento não corresponde a julgamento de mérito pelo colegiado.

A agenda regulatória incluiu 15 recomendações voltadas ao aprimoramento da supervisão. O movimento sugere que a resposta institucional não ficará restrita a processos individuais, alcançando auditoria, qualidade de dados e capacidade de detectar conexões entre participantes. Os desdobramentos relacionados ao sigilo no caso Master também ajudam a explicar por que o assunto continua sob atenção pública.

Processo sancionador exige cautela sobre responsabilidades

Na sessão pautada pela CVM para 8 de setembro, o processo PAS 19957.007976/2020-94 incluiu o Banco Master e outros acusados. A acusação, apresentada em maio de 2021, apura supostas irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos fechados.

O relatório do diretor relator descreve a tese acusatória de inflação artificial de valores de imóveis e venda de cotas do Brazil Realty FII com potencial vantagem associada ao sobrepreço. Essas formulações são alegações de um processo administrativo, não conclusões definitivas. O dossiê oficial disponível não confirma condenação, absolvição ou acordo após a sessão.

O legado econômico do Banco Master, portanto, combina três dimensões: liquidação, proteção de credores e responsabilização regulatória. Para instituições financeiras e gestores, a principal conclusão é que crescimento baseado em captação exige controles compatíveis, liquidez verificável e transparência contínua. Quando esses elementos falham, o custo ultrapassa acionistas e administradores, mobiliza fundos de garantia e pressiona toda a arquitetura de supervisão.