Horário de verão segue em avaliação: o que muda para as empresas

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O horário de verão voltou a ganhar interesse em 21 de setembro de 2026, às vésperas do período em que a mudança dos relógios historicamente entrava em vigor no Brasil. A medida, porém, não está confirmada para 2026/2027. O Ministério de Minas e Energia mantém a política sob avaliação periódica, enquanto o setor elétrico combina reforço da oferta de potência, gestão da demanda e estudos sobre o comportamento do consumo.
Para as empresas, o ponto central não é apenas saber se os relógios serão adiantados, mas entender se uma eventual mudança reduziria a pressão sobre o sistema nos horários mais críticos. Isso influencia planejamento energético, contratos, turnos de operação e exposição às tarifas horárias, embora não permita concluir, neste momento, que haveria economia automática na conta de luz.
Horário de verão ainda depende de avaliação técnica
O Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, revogou as regras anteriores do horário de verão. Segundo a página oficial do Ministério de Minas e Energia, os estudos realizados naquele ano indicaram que a medida havia deixado de produzir os benefícios esperados de economia e redução da demanda.
A explicação foi a mudança no perfil de consumo. O mecanismo buscava diminuir a concentração de carga entre 18h e 21h, aliviando redes de transmissão, subestações e sistemas de distribuição. Com o deslocamento do maior consumo diário para a tarde, o efeito sobre a ponta tornou-se neutro sob o padrão observado em 2019.
A Agenda Estratégica Eletroenergética de 2026, contudo, incluiu uma ação específica para avaliar a implantação do horário de verão em 2026/2027, com estudos atribuídos ao Operador Nacional do Sistema Elétrico. No relatório de 30 de abril, a iniciativa aparecia com avanço de 30% e prazo de decisão previsto para maio. Não foi localizada, nas fontes oficiais consultadas, uma decisão posterior que determine a volta da medida.
Oferta de potência avança em paralelo
Enquanto avalia a alteração dos relógios, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico adotou uma medida concreta para ampliar a segurança do atendimento. Em julho, o colegiado recomendou antecipar contratos que somam 1.827,1 MW, com vigência a partir de 1º de setembro de 2026.
Essa contratação não decorre de uma decisão sobre o horário de verão. Ela integra o esforço para reforçar o sistema diante das necessidades de potência. No Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026, a necessidade para atendimento da ponta foi fixada em 4,2 GW, enquanto o volume contratado chegou a 2,2 GW.
O movimento mostra que o governo trabalha com instrumentos diferentes. A contratação de potência amplia recursos disponíveis ao sistema. A resposta da demanda procura ajustar o consumo em momentos críticos. Já o horário de verão altera a relação entre luz natural, rotina econômica e curva de carga. O debate também se conecta à expansão de soluções de flexibilidade, tema presente na discussão sobre o papel das baterias no setor elétrico brasileiro.
Conta empresarial não muda de forma automática
Para indústrias, comércio e grandes consumidores, adiantar o relógio não significa, por si só, pagar menos pela energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica estabelece que o posto tarifário de ponta das modalidades horárias corresponde a três horas consecutivas nos dias úteis. Os horários exatos são definidos para cada área de concessão ou permissão.
O efeito financeiro depende, portanto, da distribuidora, da modalidade tarifária contratada e da capacidade da empresa de deslocar consumo. Um negócio com operação intensiva no período de ponta pode ter exposição diferente de outro que concentre atividades durante o dia. Sem um estudo atualizado do ONS e sem decisão formal, não há base para estimar ganhos setoriais ou prometer redução de custos.
Planejamento deve considerar mais de um cenário
Empresas podem preparar simulações com e sem horário de verão, cruzando curvas de carga, turnos, demanda contratada e regras da distribuidora local. A análise também deve separar custos de energia de despesas operacionais ligadas a escalas, atendimento, transporte e logística, evitando tratar a mudança do relógio como uma solução isolada.
O sinal mais relevante para a gestão é que a segurança do sistema está sendo tratada por uma combinação de oferta, flexibilidade e monitoramento da demanda. Até que exista uma decisão oficial, o horário de verão deve permanecer como cenário de planejamento, não como premissa orçamentária. Para as empresas, a melhor resposta é medir o próprio perfil de consumo e identificar quais ajustes realmente alterariam risco e custo.