Crédito empresarial em 2026: duplicata escritural favorece empresas organizadas

O acesso ao crédito empresarial em 2026 tende a depender cada vez mais da organização financeira e da qualidade dos dados de cada companhia. A avaliação é de Dema Oliveira, especialista em expansão empresarial e fundador da Goshen Land, que aponta a duplicata escritural, o Pix Automático e os modelos de análise por inteligência artificial como novas alternativas ao crédito bancário tradicional.
Segundo Oliveira, o cenário brasileiro combina juros elevados, deterioração da qualidade do crédito e aumento da inadimplência entre pequenas e médias empresas. No agronegócio, o índice citado pelo executivo supera 8%.
Duplicata escritural entra em vigor em 2026
A duplicata escritural substitui o documento em papel por um registro eletrônico vinculado à nota fiscal. A mudança entra em vigor plenamente em 2026 e busca reduzir riscos de fraude, aumentar a rastreabilidade e ampliar o uso de recebíveis como garantia em operações de crédito.
De acordo com os dados apresentados no artigo, o Brasil movimenta entre R$ 11 trilhões e R$ 13 trilhões em duplicatas, mas apenas cerca de R$ 3 trilhões são usados como garantia de crédito. A nova estrutura pode ampliar esse aproveitamento, desde que as empresas mantenham notas fiscais, conciliação de recebíveis e informações financeiras confiáveis.
Governança financeira influencia custo do crédito
Na análise de Oliveira, a diferença no acesso às novas modalidades não está apenas no porte da empresa. Negócios com sistemas de gestão, histórico organizado, fluxo de caixa previsível e dados atualizados tendem a ser avaliados como operações de menor risco.
Já empresas dependentes de controles informais ou planilhas incompletas podem continuar pagando mais caro, mesmo com a expansão de instrumentos digitais. Isso ocorre porque fintechs e modelos de scoring por IA analisam dados financeiros e comportamento de pagamento em tempo real.
O executivo avalia que o crédito brasileiro passa a operar em duas velocidades. Enquanto as linhas tradicionais continuam caras e seletivas, mecanismos baseados em recebíveis e dados digitais podem oferecer processos mais ágeis para empresas preparadas.
Como empresas podem se preparar
Entre os pontos destacados estão a emissão organizada de notas fiscais, a conciliação de recebíveis, a adoção de um sistema de gestão e o tratamento das informações financeiras como ativo estratégico. A preparação deve ocorrer antes de uma crise de caixa, já que buscar crédito apenas diante de uma emergência reduz as alternativas disponíveis.
A conclusão do especialista é que as mudanças não tornam o crédito automaticamente mais fácil para todas as empresas. Elas ampliam as opções para negócios capazes de demonstrar organização, previsibilidade e transparência financeira.
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