Excesso de chuva atrasa colheita e compromete lavouras de trigo no Sul
Imagem gerada por IA / Revista Empreende
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O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informou em 20 de outubro de 2026 que o excesso de chuva e a umidade elevada já dificultam as operações agrícolas e comprometem lavouras de trigo na Região Sul. Segundo o órgão, as precipitações interrompem trabalhos no campo, limitam o acesso de máquinas e aumentam os problemas de qualidade e sanidade dos grãos.
Em setembro de 2026, estações do INMET no Paraná e no Rio Grande do Sul registraram volumes de chuva entre 60% e 135% acima da normal climatológica de 1991 a 2020. O cenário é associado à intensificação do El Niño, fenômeno que favorece chuvas acima da média, eventos extremos e cheias no Sul.
Umidade amplia riscos nas lavouras
De acordo com a análise técnica do INMET, o excesso de umidade eleva o risco de encharcamento do solo e de doenças fúngicas, além de dificultar o manejo e a colheita. Nas lavouras gaúchas, foram relatadas ocorrências mais frequentes de giberela, brusone e bacterioses.
As condições afetam diretamente o cronograma das operações em campo. Até 9 de outubro, 40,3% da área brasileira de trigo havia sido colhida. No Rio Grande do Sul, o INMET registrava somente 1% da área colhida naquela referência.
Um informativo da Emater/RS-Ascar, datado de 15 de outubro e citado pelo instituto, apontou avanço posterior para 9% da área gaúcha. O índice ainda estava abaixo da média de cinco anos, de 15%. O estado cultivou 814.220 hectares de trigo, com produtividade média projetada em 2.701 quilos por hectare.
Produção nacional está estimada em 5,73 milhões de toneladas
O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento para a safra 2026/2027, reproduzido pelo INMET, estima uma produção brasileira de aproximadamente 5,73 milhões de toneladas de trigo. O volume representa queda de 27,2% em comparação com a temporada 2025/2026.
A retração projetada não é atribuída exclusivamente às chuvas recentes. A estimativa considera a redução da área cultivada e da produtividade. O INMET também não apresentou cálculo de perdas financeiras, impacto sobre preços ou interrupções logísticas mensuradas.
Para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, o instituto aponta probabilidade de 83% de o episódio atual de El Niño superar em intensidade os eventos anteriores observados desde 1950. A previsão citada pelo órgão mantém o fenômeno entre as categorias forte e muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.