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China AI

Shandong mira crescimento anual acima de 20% no núcleo de IA

14/10/2026 • 09:41

Complexo tecnológico conceitual com robótica e servidores representando o plano digital de ShandongIlustração gerada por IA / Revista Empreende
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Shandong colocou a inteligência artificial entre os eixos de seu plano de desenvolvimento digital para 2026 a 2030. O documento provincial foi assinado em 9 de outubro, publicado em 13 de outubro e detalhado em coletiva governamental realizada em 14 de outubro de 2026. Entre as metas anunciadas está o crescimento médio anual superior a 20% da receita do núcleo da indústria de IA durante o quinquênio.

Em 2025, esse núcleo industrial registrou receita de 128,9 bilhões de yuans, equivalente a aproximadamente um décimo do total chinês, segundo a vice-diretora da Comissão de Desenvolvimento e Reforma provincial, Zhu Hong. O plano digital de Shandong abrange somente a província e não representa uma política nacional. Para empresas brasileiras, seus indicadores sinalizam escala produtiva, demanda tecnológica e possível pressão competitiva, mas não asseguram acesso ao mercado ou contratos.

Meta combina escala e crescimento

A taxa superior a 20% ganha relevância por partir de uma operação de 128,9 bilhões de yuans. Mantida por vários anos, ela representaria uma expansão expressiva, mas continua sendo um objetivo governamental, não uma projeção garantida. Os documentos consultados não identificam empresas que receberão recursos nem apresentam um orçamento consolidado para todo o plano. A execução dependerá de programas anuais, projetos selecionados e investimentos públicos e privados ainda não integralmente detalhados.

A estratégia articula modelos de inteligência artificial, conjuntos de dados, capacidade computacional e aplicações produtivas. Shandong pretende organizar um sistema de modelos básicos, setoriais e voltados a cenários específicos, criar reservatórios de computação inteligente e oferecer produtos de processamento adaptados a diferentes indústrias. A província também planeja integrar computação geral, inteligente, de alto desempenho e de borda, com centros provinciais concentrados principalmente em Jinan, Qingdao e Zaozhuang.

Robótica, servidores e materiais para chips

No hardware, as prioridades incluem robôs humanoides e biomiméticos, servidores de IA, componentes para computação avançada e materiais essenciais para circuitos integrados. A meta anunciada na coletiva é formar mais de 200 itens inovadores nas categorias de produtos eletrônicos pioneiros e equipamentos de primeira unidade. O avanço do software de IA para chips chineses ajuda a contextualizar a ligação entre infraestrutura física, ferramentas computacionais e a busca chinesa por cadeias tecnológicas mais integradas.

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Para fornecedores brasileiros, o conjunto aponta segmentos que merecem acompanhamento, como automação industrial, componentes eletrônicos, equipamentos de energia, resfriamento de centros de dados, gestão de informações e softwares especializados. Isso não significa que esses fornecedores terão preferência ou participação garantida. Ao ampliar a produção local de servidores, robôs e equipamentos eletrônicos, Shandong também pode fortalecer concorrentes chineses nos mercados doméstico e internacional, inclusive em áreas disputadas por empresas brasileiras.

Incentivos têm valores parciais divulgados

O plano prevê subsídios por meio de vouchers de computação, modelos, dados linguísticos e inovação, mas não informa no documento os valores individuais, os critérios de elegibilidade ou o benefício máximo por empresa. A coletiva apresentou outros parâmetros: implantação anual de três a cinco bases provinciais de testes intermediários, com subsídio de até 5 milhões de yuans por base, além de 50 milhões de yuans em recursos orçamentários provinciais para IA e apoio a cerca de dez projetos de aplicações por ano.

Infraestrutura e dados ampliam a política

A política não se limita à fabricação de equipamentos. Shandong pretende melhorar o acesso a dados, construir cerca de 30 agrupamentos empresariais do setor e criar aproximadamente dez bases de anotação de dados. Também prevê espaços confiáveis para compartilhamento de informações empresariais, industriais, urbanas, pessoais e transfronteiriças. Essas estruturas podem estimular serviços e aplicações comerciais, embora requisitos de segurança, licenciamento, circulação de dados e seleção de projetos ainda precisem ser observados em cada iniciativa.

Internacionalização exige leitura cautelosa

O documento determina apoio à internacionalização organizada de empresas de telecomunicações, computação, dados e inteligência artificial, além do desenvolvimento do comércio digital e de cadeias de suprimento digitais. O Brasil não é mencionado, mas a diretriz interessa a executivos que compram tecnologia chinesa ou disputam mercados com esses fornecedores. O acordo para desenvolver IA pública no Brasil envolvendo iFlytek e Serpro mostra como empresas chinesas já buscam cooperação institucional no país.

A oportunidade empresarial dependerá da conversão das diretrizes em editais, compras, parcerias, instalações e contratos. Indicadores como receita do núcleo de IA, capacidade computacional instalada, projetos apoiados, produção de servidores e robôs e desenvolvimento dos mais de 200 itens inovadores permitirão medir o avanço. Para companhias brasileiras, acompanhar essas etapas será mais útil do que interpretar a meta de 20% isoladamente, pois elas revelarão demanda efetiva, condições de entrada e intensidade da concorrência.