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Fraudes de identidade: Brasil evita mais de R$ 665 milhões em agosto

20/10/2026 • 11:09

Fraudes de identidade: Brasil evita mais de R$ 665 milhões em agostoIlustração gerada por IA / Revista Empreende
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Mapa da Fraude da Serasa Experian registrou 505.759 tentativas no mês; serviços teve a maior taxa de risco, enquanto o setor financeiro concentrou quase metade das ocorrências.

O Brasil evitou mais de R$ 665 milhões em potenciais perdas associadas a fraudes de identidade em agosto de 2026, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. O levantamento identificou 505.759 tentativas no mês, volume 28% superior ao registrado em agosto de 2025 e equivalente a uma ocorrência a cada 5,3 segundos. A divulgação foi publicada em 19 de outubro na área de Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

O valor informado se refere a perdas potenciais evitadas pelas camadas de prevenção analisadas, e não a prejuízos efetivamente consumados. A distinção é relevante para empresas e consumidores: uma tentativa identificada pode ser bloqueada antes da abertura de uma conta, da contratação de um serviço, de uma transação ou de outra etapa da jornada digital. O indicador, portanto, dimensiona o valor que estaria exposto a risco caso essas ações suspeitas avançassem.

Tentativas de fraude de identidade crescem no acumulado do ano

De janeiro a agosto de 2026, a Serasa Experian registrou 3.889.581 tentativas de fraude de identidade, 974 mil ocorrências a mais do que no mesmo intervalo de 2025. A alta acumulada foi de 33,4%, e os oito meses analisados tiveram número de tentativas superior ao dos respectivos meses do ano anterior.

O avanço reforça que a fraude de identidade não está restrita a uma etapa específica da relação entre empresa e cliente. Dados pessoais obtidos indevidamente podem ser empregados em cadastros, recuperação de senhas, pedidos de crédito, abertura de contas, contratação de linhas telefônicas e operações de pagamento. Uma ocorrência identificada em um ponto da jornada pode, por isso, tentar abrir caminho para outras transações.

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Luis Filipe Morra, gerente executivo de Soluções Antifraude da Serasa Experian, afirma que o cenário exige mecanismos de proteção capazes de operar de maneira integrada. Para o executivo, “uma estratégia eficiente de prevenção não pode depender de uma única verificação”. A avaliação destaca a necessidade de combinar sinais cadastrais, elementos de identidade, informações de dispositivo e padrões de comportamento, sem adicionar barreiras desnecessárias aos usuários legítimos.

Na prática, a leitura dos dados demanda atenção para duas medidas diferentes: volume e taxa de risco. O volume mostra quantas tentativas foram identificadas em um segmento. Já a taxa informa a proporção de operações analisadas que foi classificada como tentativa de fraude. Um setor pode ter muitas ocorrências pela dimensão de sua base de transações, enquanto outro pode registrar menor volume absoluto, mas uma incidência proporcionalmente maior.

Serviços teve maior risco proporcional em agosto

O setor de serviços registrou 37.123 tentativas de fraude de identidade em agosto, mais de três vezes o total de 10.347 apontado no mesmo mês de 2025. Além do avanço em volume, o segmento apresentou a maior taxa de risco entre os setores analisados: 7,93% das operações avaliadas foram classificadas como tentativas de fraude de identidade.

Isso significa que, a cada 100 operações examinadas no setor de serviços, aproximadamente oito foram identificadas como suspeitas. A média geral de agosto foi de 2,53%, o que coloca o risco do segmento em patamar superior a três vezes a taxa média mensal. O resultado não permite concluir que todas as empresas de serviços tenham a mesma exposição, mas sinaliza uma concentração proporcional de alertas nas jornadas acompanhadas pelo levantamento.

Telefonia e varejo também ficaram acima da média geral. Na telefonia, o risco foi de 4,53%, 79% acima dos 2,53% registrados na média do mês. O segmento contabilizou 167.587 tentativas de fraude de identidade, mais que o dobro do observado em agosto de 2025. No varejo, a taxa foi de 4,27%, 69% acima da média, enquanto o número de ocorrências passou de 7.312 para 12.165 em um ano.

O peso da telefonia no levantamento está relacionado à função que o número de celular assumiu nas rotinas digitais. Linhas móveis são usadas para receber códigos de autenticação, validar cadastros e recuperar acessos a aplicativos e contas. Quando um número é contratado ou controlado indevidamente em nome de terceiros, o risco pode ultrapassar o próprio serviço de telecomunicações e alcançar plataformas que dependem daquele canal para confirmar a identidade do usuário.

Para negócios que operam com onboarding digital, essa interdependência aumenta a importância de avaliar sinais ao longo de toda a relação com o cliente. Não se trata apenas de verificar um documento no primeiro acesso, mas de observar alterações relevantes em dados, dispositivos, hábitos de navegação e tentativas de transação que destoem do comportamento esperado para aquela conta.

Setor financeiro concentrou 49,8% das tentativas

Os segmentos de bancos e cartões, financeiras e meios de pagamento reuniram 251.680 tentativas de fraude de identidade em agosto, o equivalente a 49,8% de todas as ocorrências identificadas no mês. O volume foi 2% maior que o observado em agosto de 2025.

Dentro desse grupo, meios de pagamento foi o principal vetor de alta: o segmento cresceu 10% e concentrou quase 170 mil tentativas. As financeiras apresentaram aumento de 4%, enquanto bancos e cartões tiveram recuo de 12% no comparativo anual. Os dados mostram que a evolução não ocorreu de forma uniforme entre as diferentes jornadas financeiras, ainda que o conjunto tenha mantido participação próxima da metade das ocorrências nacionais.

O componente financeiro ajuda a explicar a atratividade da fraude de identidade. Informações pessoais ou identidades assumidas indevidamente podem ser usadas para movimentar recursos, contratar produtos, acessar crédito ou efetuar transações em nome de outra pessoa. Como resume Morra, “O objetivo dos fraudadores é, justamente, monetizar a fraude tirando vantagem dos dados das vítimas.”

Para empresas de serviços financeiros, varejistas com oferta de crédito, fintechs, plataformas de pagamento e negócios que vendem a prazo, o desafio é equilibrar segurança e fluidez. Controles excessivamente rígidos podem impedir transações legítimas e aumentar o abandono de cadastro; controles insuficientes podem permitir que uma identidade fraudulenta percorra etapas críticas da operação. A resposta indicada pela Serasa Experian é uma estratégia em camadas, com diferentes sinais sendo avaliados ao longo da jornada.

Essa abordagem inclui a checagem de consistência cadastral, a validação de identidade, o reconhecimento de dispositivos e a análise de comportamento. O uso combinado dessas informações busca elevar a capacidade de identificar uma ação suspeita antes que ela resulte em uma abertura de conta, contratação, compra ou transferência. A empresa também recomenda revisar continuamente a qualidade dos dados que alimentam ferramentas antifraude, já que mudanças no comportamento dos criminosos exigem atualização dos critérios de detecção.

Geração X e Geração Z lideram recorte de idade

O levantamento trouxe ainda um recorte etário para 220.559 tentativas de fraude de identidade nas quais foi possível identificar a idade. Nesse grupo, a Geração X concentrou 31,6% das ocorrências, seguida pela Geração Z, com 30,6%, e pelos Millennials, com 24,6%.

Os Boomers responderam por 10,5% das tentativas com idade identificada. As gerações Alpha e Beta, juntas, somaram 2,7%. As demais ocorrências registradas em agosto não entraram nessa distribuição porque não tiveram a idade identificada. Por isso, os percentuais não devem ser aplicados ao total de 505.759 tentativas do mês.

Telefonia, meios de pagamento e bancos e cartões aparecem de forma recorrente entre os setores com maior número de tentativas nas diferentes gerações, embora em ordens distintas. A Serasa Experian também apontou taxas de risco próximas de 1% entre os públicos mais jovens. Segundo a análise divulgada, esse grupo amplia suas interações com contas, cartões, meios de pagamento e modalidades de crédito, multiplicando os pontos em que uma identidade pode ser usada indevidamente.

O dado não significa que jovens sejam necessariamente responsáveis por fraudes ou que estejam menos protegidos. O recorte trata de tentativas que envolvem identidades pertencentes a essas faixas geracionais. Para empresas, a leitura é que novos clientes e consumidores em expansão de vida financeira exigem processos de autenticação capazes de reconhecer o usuário legítimo desde o início da relação e de acompanhar eventuais sinais de risco depois da adesão.

Cuidados para consumidores e empresas

Entre as orientações da Serasa Experian aos consumidores estão manter documentos, cartões e celular protegidos; usar senhas fortes nos aplicativos; desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado; e evitar abrir links ou arquivos de procedência duvidosa recebidos por e-mail, SMS, redes sociais e aplicativos de mensagem.

A recomendação também é não fornecer senhas, códigos de acesso ou dados pessoais sob pressão de supostos atendentes, amigos ou familiares. Quando houver pedido de transferência ou compartilhamento de informações, a confirmação por outro canal pode reduzir o risco de uma abordagem baseada em conta ou número de telefone comprometido. O monitoramento frequente do CPF ajuda a identificar movimentações que mereçam atenção.

Para as empresas, a companhia recomenda tratar a prevenção a fraudes como componente da estratégia de negócio, e não como uma etapa isolada de conformidade. Isso envolve investir em tecnologia, combinar diferentes ferramentas de análise, avaliar a qualidade das bases de dados e reduzir pontos de atrito sem abrir mão de segurança. A Sala de Imprensa da Serasa Experian reúne outras divulgações da empresa sobre autenticação, riscos digitais e prevenção a fraudes.

Os dados de agosto mostram que fraude de identidade é um tema operacional para negócios de diversos setores, especialmente aqueles que dependem de cadastros, pagamentos, crédito e canais digitais de atendimento. A prevenção efetiva exige reconhecer que uma única tentativa pode atravessar serviços diferentes; proteger cada etapa da jornada, portanto, é também proteger a confiança que sustenta a relação entre empresas e clientes.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por Edelman e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.