Justiça encerra recuperação judicial do Grupo Americanas
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Sentença da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro foi assinada em 19 de outubro; companhia havia informado avanço operacional de quase R$ 500 milhões em dois anos.
A 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro decretou, em 19 de outubro, o encerramento da recuperação judicial da Americanas S.A. e das demais empresas do Grupo Americanas. A sentença assinada pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira reconheceu o cumprimento das obrigações do plano que venceram nos dois anos posteriores à homologação.
O pedido de encerramento havia sido protocolado pela companhia em 25 de março de 2026. Na decisão, o magistrado registrou que a administração judicial e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro se manifestaram favoravelmente ao fim do processo.
Sentença preserva direitos de credores
A decisão encerra a etapa de recuperação judicial, mas não elimina discussões individuais sobre créditos ou pagamentos. O juízo determinou que incidentes pendentes de habilitação e impugnação prossigam e ressaltou que credores que entendam ter havido descumprimento poderão buscar execução específica das obrigações previstas no plano ou requerer falência, nos termos da legislação aplicável.
Também foram estabelecidos prazos para que a administração judicial apresente relatório sobre a execução do plano e prestação de contas. Após essas etapas, haverá a exoneração da administração judicial, além da comunicação do encerramento aos órgãos de registro empresarial e à Receita Federal.
Indicadores operacionais divulgados no primeiro semestre
Em resultados publicados em 12 de agosto, a Americanas informou que as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A receita bruta das lojas físicas e da operação online-to-offline somou R$ 7,2 bilhões, segundo a divulgação oficial da companhia.
A varejista também reportou alta de 10,3% na receita bruta por metro quadrado e melhora de R$ 251 milhões no resultado operacional no semestre. Somado ao avanço de R$ 238 milhões registrado no primeiro semestre de 2025, o ganho operacional se aproxima de R$ 500 milhões em dois anos, desconsiderados efeitos não recorrentes apontados pela empresa.
“Os resultados do semestre consolidam o acerto de um modelo ancorado no varejo físico, com um digital reposicionado para complementar a jornada de compras e gerar conveniência real aos nossos milhões de clientes. Estamos construindo uma nova Americanas, com disciplina de caixa a partir do resultado operacional e aceleração do plano de 100 Anos”, afirmou Fernando Soares, CEO da Americanas, em agosto.
Nova etapa para a varejista
O plano de recuperação judicial do Grupo Americanas foi homologado em fevereiro de 2024. Ao encerrar o processo, a sentença formaliza o término da supervisão judicial sobre as obrigações vencidas no período legal, sem afastar os mecanismos de cobrança previstos para eventuais controvérsias remanescentes.
Para a Americanas, o desfecho jurídico transfere o foco para a execução operacional: rentabilidade das lojas, disciplina de despesas e integração entre canais serão os indicadores que deverão sustentar a nova fase da companhia no varejo brasileiro.
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