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Medidas anunciadas pelo governo federal trazem impactos negativos para empresários

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Especialistas em Direito Tributário analisam mudanças em alíquotas, redução de créditos tributários e outras alterações publicadas recentemente

Com a mudança de governo na esfera federal, uma série de medidas na área da economia foi anunciada na tentativa de aumentar a arrecadação e trazer um pouco de equilíbrio às contas públicas. Porém, quando se trata de mexer em tributos, logo deve-se avaliar os impactos que isso vai trazer para toda a população.


Para a advogada Maria Carolina Soares, exigir o pagamento de mais impostos pelas empresas pode afetar a vida financeira do cidadão comum com o aumento de preços e a diminuição de empregos. “Em um exemplo prático, as empresas podem optar por reduzir gastos e demitir funcionários, o que pode levar a um aumento do desemprego e trazer dificuldades para as famílias dos trabalhadores”, pontua a especialista em direito tributário da RMS Advogados. Ainda segundo ela, isso pode reduzir o avanço da economia do país, já que as corporações podem diminuir investimentos em pesquisa, inovação e expansão. “Por isso é importante que a política de tributos seja cuidadosamente equilibrada: para garantir que as necessidades fiscais do país sejam atendidas sem prejudicar a economia e a sociedade”, pondera.

Uma dessas medidas – talvez a mais polêmica – envolve o retorno do voto de qualidade no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Retirada pela gestão anterior, o governo federal passa a ter direito a essa decisão novamente. Na prática, isso significa que os conselheiros representantes da Fazenda Nacional, que são os presidentes de turmas e câmaras no CARF, poderão desempatar as votações a favor da União. Porém, o contribuinte terá isenção de multas e juros, ponto incluído após uma negociação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com o presidente da OAB, José Alberto Simonetti.

Advogados da RMS avaliam medidas divulgadas pela equipe econômica do Governo Federal no início de 2023. Foto divulgação.
Advogados da RMS avaliam medidas divulgadas pela equipe econômica do Governo Federal no início de 2023. Foto divulgação.


Como a maioria dos processos administrativos que chegam ao Conselho são de grandes empresas, o julgamento é feito por membros com conhecimento técnico: metade pertence ao Ministério da Fazenda e a outra parte é composta por advogados que representam os contribuintes, indicados por entidades como a confederações ligadas ao setor produtivo, além de instituições financeiras e centrais sindicais.

Para o advogado Leonardo Roesler, há um receio de que as decisões do Conselho fiquem menos justas e equilibradas, o que poderia prejudicar aqueles que buscam uma solução para questões fiscais. “Empresas e empresários precisam estar cientes dessa mudança e considerar cuidadosamente o impacto ao buscar soluções para questões fiscais do CARF”, alerta o tributarista da RMS Advogados.

Outro assunto que rende discussões é a questão da edição do decreto que reduzia as alíquotas de PIS/Cofins. Publicado no último dia do governo Bolsonaro, a norma reduzia o percentual desses tributos para 0,33% e 2%, respectivamente. Até então, essa porcentagem era de 0,65% referente ao PIS e 4% no caso do Cofins. Porém, o atual governo revogou a medida com efeitos imediatos a partir da sua publicação, em 2 de janeiro. Entretanto, a Constituição Federal proíbe mudanças súbitas na cobrança de tributos por meio do princípio da anterioridade. Para que a alteração da alíquota fosse válida, seria necessário esperar pelo menos 90 dias, mas isso não ocorreu. Dessa forma, existe a possibilidade de os contribuintes solicitarem na justiça que as alíquotas sejam aplicadas neste período de três meses. “Com essa redução, mesmo que temporária, deve haver uma perda na arrecadação. O valor estimado é de 5 a 6 bilhões de reais”, calcula Maria Carolina Soares.


Outra medida que chama a atenção dos especialistas está relacionada à retirada do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. Os créditos tributários representam impostos pagos a mais ao longo da cadeia produtiva que podem ser devolvidos ao contribuinte ou usados para abater o pagamento de outros impostos. O efeito prático da mudança prevista na MP é que as empresas terão menos direito à devolução de tributo. Nos cálculos do governo, a retirada pode aumentar a arrecadação em até 30 bilhões de reais. “Os impactos não foram estimados inicialmente e seus reflexos certamente virão no preço do produto ao consumidor final, ou seja, equilibra de um lado e prejudica o outro”, avalia Maria Carolina.

Para a advogada, as medidas comentadas anteriormente geraram mais impactos negativos aos empresários e empreendedores. “Os pacotes até então possuem o objetivo específico de beneficiar ou recuperar valores em benefício do governo federal. Consequentemente, as empresas estão deixando de creditar e até mesmo pagando impostos mais altos”, conclui.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido
Por  Agência Maverick
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