Mercado financeiro hoje: Ibovespa oscila perto dos 173 mil pontos, dólar fica em R$ 5,17 e bitcoin ronda US$ 60 mil

Bolsa brasileira teve sessão de baixa volatilidade nesta segunda-feira, em meio à cautela com inflação, juros elevados e exterior mais positivo após alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã
O mercado financeiro brasileiro começou a semana em compasso de espera nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026. O Ibovespa operou próximo da estabilidade, na região dos 173 mil pontos, enquanto o dólar comercial permaneceu na casa de R$ 5,17. No exterior, Wall Street abriu em alta, impulsionada pela melhora das ações de tecnologia e pelo alívio parcial das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Por volta das 16h20, o Ibovespa era negociado perto de 173,3 mil pontos, praticamente estável, depois de ter oscilado entre 172,3 mil e 173,8 mil pontos ao longo do dia. A leitura reforça um pregão de baixa convicção, com investidores evitando grandes apostas antes de novos sinais sobre inflação, juros e atividade econômica.
Ibovespa tenta se sustentar nos 173 mil pontos
O principal índice da B3 teve uma sessão sem direção firme. Pela manhã, chegou a ensaiar alta, acompanhando o bom humor internacional, mas perdeu força ao longo do dia. Segundo a cobertura em tempo real do InfoMoney, a bolsa brasileira tentava sustentar a faixa dos 173 mil pontos, enquanto o dólar oscilava perto de R$ 5,16 e os juros futuros tinham comportamento misto.
A cautela doméstica tem explicação. O mercado ainda trabalha com um cenário de juros altos por mais tempo no Brasil. A Selic está em 14,25% ao ano, após o Banco Central reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Copom. Apesar do corte, o BC manteve tom prudente, diante das expectativas de inflação ainda elevadas e das incertezas externas.
Para empresas e investidores, esse ambiente segue desafiador. Juros elevados encarecem o crédito, reduzem o apetite por risco e pressionam setores mais dependentes de financiamento, como varejo, construção civil, tecnologia e empresas de menor capitalização. Por outro lado, bancos, exportadoras e companhias ligadas a commodities tendem a ter comportamento mais defensivo em momentos de incerteza.
Dólar fica perto de R$ 5,17
No câmbio, o dólar comercial operou ao redor de R$ 5,17. Dados do Investing.com mostravam a taxa próxima de R$ 5,1684, com abertura em R$ 5,1704 e oscilação diária entre R$ 5,1599 e R$ 5,1850.
A moeda americana iniciou o dia praticamente estável. Hoje, mais cedo, o dólar recuava 0,05%, negociado a R$ 5,168, em meio à atenção dos investidores aos desdobramentos do cessar-fogo no Oriente Médio e às expectativas de inflação no Brasil.
Para empresários, importadores e companhias com dívida em moeda estrangeira, o dólar nesse patamar continua exigindo atenção. Mesmo sem uma disparada no câmbio, a combinação de real volátil, juros elevados e incerteza global mantém o custo financeiro alto para quem depende de insumos importados, contratos dolarizados ou viagens corporativas internacionais.
Inflação segue no centro das decisões
A inflação continua sendo o principal ponto de atenção para o mercado brasileiro. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio, mas ainda acumulou alta de 3,45% no ano e de 4,80% em 12 meses. Alimentação e bebidas, com alta de 0,74%, e habitação, com avanço de 0,72%, foram os principais grupos de pressão no mês.
O dado trouxe algum alívio por ter vindo abaixo da leitura anterior, mas não foi suficiente para mudar de forma relevante a percepção sobre a política monetária. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou expectativa de IPCA em torno de 5,3% para 2026 e Selic projetada em 14% ao ano no fim do ano, segundo o Money Times.
Na prática, isso significa que o mercado ainda não vê espaço para uma queda rápida dos juros. Para o investidor, esse cenário favorece aplicações de renda fixa e aumenta a seletividade na bolsa. Para o empreendedor, o recado é claro: caixa, margem e custo de capital devem continuar no centro da gestão nos próximos meses.
Petróleo sobe com cautela geopolítica
As commodities também ficaram no radar. O petróleo avançou nesta segunda-feira, ainda refletindo as incertezas sobre o Oriente Médio. O Brent, referência internacional, fechou em alta de 1,61%, a US$ 73,15, enquanto o WTI subiu 2,20%, a US$ 70,75, segundo atualização do InfoMoney.
A alta do petróleo é relevante para o Brasil por dois canais. Primeiro, pode pressionar expectativas de inflação, especialmente por meio de combustíveis e fretes. Segundo, influencia diretamente ações de empresas ligadas ao setor de óleo e gás, como Petrobras, que têm peso importante no Ibovespa.
Mesmo com o avanço do dia, os preços ainda não indicam uma ruptura de cenário, mas reforçam a necessidade de acompanhar de perto os desdobramentos geopolíticos. Qualquer escalada no Oriente Médio pode recolocar pressão sobre petróleo, dólar e juros globais.
Bitcoin ronda US$ 60 mil
No mercado cripto, o bitcoin voltou a operar próximo dos US$ 60 mil. Dados do CoinMarketCap mostravam a criptomoeda em torno de US$ 60,2 mil, com alta de cerca de 1,3% em 24 horas, enquanto a cotação em reais estava próxima de R$ 312 mil.
A leitura correta para o dia é de volatilidade ao redor do nível psicológico de US$ 60 mil, e não de queda consolidada abaixo desse patamar. Mais cedo, o bitcoin chegou a ser citado abaixo de US$ 60 mil por veículos internacionais, mas ao longo do dia recuperou parte das perdas.
O movimento reflete um mercado ainda sensível ao apetite global por risco. Quando juros americanos, tensões geopolíticas e aversão a ativos especulativos aumentam, criptomoedas tendem a sofrer. Quando Wall Street melhora e o dólar perde força globalmente, o bitcoin costuma encontrar espaço para recuperação.
Exterior ajuda, mas Brasil segue cauteloso
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários avançaram com a melhora do setor de tecnologia e o alívio parcial nas tensões entre Estados Unidos e Irã. O Money Times informou que Wall Street abriu em alta nesta segunda-feira, sustentada pelo otimismo com a trégua e pela recuperação das ações de tecnologia após quedas recentes.
Esse ambiente externo mais positivo ajudou a reduzir a pressão sobre ativos de risco, mas não foi suficiente para destravar uma alta mais forte no Brasil. A bolsa local segue condicionada ao cenário doméstico: inflação acima da meta, juros ainda muito elevados, dúvidas fiscais e menor apetite por empresas dependentes de crescimento econômico.
O que acompanhar nos próximos dias
A semana marca o encerramento do primeiro semestre de 2026 e deve trazer ajustes de carteira, aumento de volatilidade e atenção redobrada aos indicadores econômicos. No Brasil, os investidores seguem monitorando inflação, câmbio, juros futuros e sinais do Banco Central sobre os próximos passos da Selic.
No exterior, o foco está nos dados de atividade e emprego dos Estados Unidos, que podem alterar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Qualquer mudança na percepção sobre juros americanos tende a afetar dólar, bolsa, commodities e criptomoedas.
Para o empresário, a mensagem do mercado nesta segunda-feira é de cautela ativa. O ambiente não é de pânico, mas também não autoriza excesso de confiança. Com dólar perto de R$ 5,17, Selic em 14,25% e inflação ainda resistente, decisões de investimento, contratação, estoque e crédito precisam ser tomadas com disciplina financeira.