Eventos climáticos extremos ganharam peso como variável macroeconômica em 2026, com possíveis efeitos sobre alimentos, infraestrutura, cadeias de suprimento, juros e preços de ativos. Segundo o Bangkok Post, a chamada “climateflation” ocorre quando secas, tempestades e enchentes reduzem a produção ou elevam custos, transmitindo pressão inflacionária até o consumidor. O termo foi apresentado em 2022 por Isabel Schnabel, integrante da diretoria do Banco Central Europeu. Em junho de 2026, BCE e Banco da Inglaterra atualizaram suas estruturas de garantias para considerar fatores climáticos na avaliação de ativos. Papéis expostos a riscos elevados podem sofrer descontos de valor. O cenário também amplia o debate sobre diversificação de carteiras, embora o desempenho de commodities e ativos alternativos permaneça incerto.
Principais fatos e números
- “Climateflation” descreve altas de preços decorrentes dos efeitos físicos de eventos climáticos severos.
- Isabel Schnabel, do BCE, apresentou o termo em um discurso em 2022.
- Secas podem reduzir safras, enquanto tempestades e enchentes podem afetar transporte e infraestrutura.
- BCE e Banco da Inglaterra atualizaram suas estruturas de garantias em junho de 2026.
- Ativos com maior risco climático podem receber descontos em sua avaliação como garantia.
- O BIS modelou cenários de desastres no documento BIS Papers nº 169, de 2026.
Por que isso importa para empresários e investidores
Para investidores e empresas, a incorporação do risco climático à avaliação de garantias pode afetar crédito, renda fixa e custo de capital, sobretudo em atividades mais expostas a danos ambientais e interrupções logísticas. A persistência de choques de oferta também pode dificultar a queda dos juros, pressionando carteiras tradicionais de ações e títulos. Commodities e ativos alternativos aparecem como opções de diversificação, mas não oferecem proteção automática. A intensidade, a duração e a localização dos eventos extremos são incertas; portanto, decisões devem considerar cenários, concentração geográfica, liquidez e sensibilidade dos emissores ao clima.
