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O luxo mudou de endereço: por que Hermès e Louis Vuitton aceleram investimentos na Ásia enquanto redesenham sua estratégia global

Publicado em 02/07/2026 • 16:27 | Atualizado em 28/07/2026 • 16:59

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Mesmo diante da desaceleração em alguns mercados e do cenário geopolítico mais desafiador, as maiores grifes do mundo reforçam sua presença na Ásia para capturar uma nova geração de consumidores de alta renda e consolidar crescimento de longo prazo.

A indústria global do luxo vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Após anos de expansão impulsionada pelos Estados Unidos e pela Europa, os grandes conglomerados do setor voltaram seus investimentos para a Ásia, região que continua sendo considerada o principal motor de crescimento do consumo premium no longo prazo. Embora o ritmo de compras tenha desacelerado em mercados como a China continental, gigantes como Hermès, Louis Vuitton e Chanel mantêm uma estratégia de expansão baseada na abertura de lojas emblemáticas, experiências exclusivas para clientes e fortalecimento de suas operações locais.

Essa movimentação acontece em um momento de maior seletividade dos consumidores, inflação persistente em diversas economias e tensões comerciais internacionais. Ainda assim, os maiores grupos do setor demonstram confiança de que o crescimento da riqueza na Ásia continuará sustentando a demanda por produtos de alto padrão durante a próxima década.  

Hermès lidera valor de marca e reforça estratégia de exclusividade

A força dessa estratégia pode ser medida pelos rankings internacionais. Em 2026, a Hermès ultrapassou a Louis Vuitton e tornou-se a marca de luxo mais valiosa do mundo no levantamento anual da Kantar BrandZ, consolidando uma trajetória baseada em escassez controlada, produção artesanal e forte identidade de marca.  

Mesmo apresentando um crescimento mais moderado no primeiro trimestre de 2026, a companhia manteve resultados superiores aos de grande parte da concorrência. A empresa segue priorizando expansão gradual, preservando sua política de oferta limitada, fator considerado essencial para manter a percepção de exclusividade e elevado poder de precificação.  

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Enquanto outras marcas apostam em volumes maiores, a Hermès continua ampliando sua capacidade produtiva na França, ao mesmo tempo em que investe na experiência de compra em mercados estratégicos da Ásia, onde consumidores de alta renda seguem demonstrando preferência por produtos considerados verdadeiros ativos de luxo.

Ásia continua no centro da estratégia das grandes maisons

Apesar das oscilações econômicas observadas na China nos últimos anos, o continente asiático permanece como prioridade para os maiores grupos de luxo do planeta.

A LVMH, controladora da Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co. e dezenas de outras marcas, continua direcionando investimentos para fortalecer sua presença regional. O grupo aposta na recuperação gradual da demanda chinesa, no crescimento do turismo regional e no avanço do consumo em mercados como Coreia do Sul, Singapura e Sudeste Asiático.  

Mais do que abrir novas boutiques, a estratégia atual envolve criar destinos de marca. Lojas deixam de ser apenas pontos de venda para se transformar em espaços culturais, gastronômicos e de entretenimento, oferecendo exposições, restaurantes exclusivos, cafés assinados e experiências personalizadas para clientes de alto patrimônio.

Essa mudança busca fortalecer o relacionamento emocional entre consumidor e marca, reduzindo a dependência exclusivamente da venda de produtos.

Experiência supera produto no novo mercado de luxo

Outra tendência que vem redefinindo o setor é a crescente valorização da experiência.

Consumidores de alta renda, especialmente os mais jovens da Ásia, demonstram interesse cada vez maior por exclusividade, atendimento personalizado, serviços privados e acesso antecipado a lançamentos, muitas vezes valorizando esses benefícios tanto quanto o próprio produto.

A Chanel ilustra bem esse movimento. Após retornar ao crescimento em 2025, a empresa anunciou continuidade dos investimentos em expansão internacional e novas lojas, mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador. A estratégia combina renovação criativa, fortalecimento da experiência nas boutiques e manutenção do posicionamento altamente exclusivo da marca.  

Especialistas do mercado observam que o luxo atravessa uma mudança estrutural. Se antes o crescimento dependia principalmente do aumento da demanda global, agora ele está diretamente ligado à capacidade das marcas de construir relacionamento duradouro, oferecer experiências memoráveis e preservar sua raridade.

Para investidores, esse reposicionamento também envia um sinal importante. Mesmo enfrentando volatilidade econômica, conflitos geopolíticos e mudanças no comportamento do consumidor, as grandes maisons continuam destinando bilhões de euros à expansão de longo prazo, especialmente na Ásia.

O novo mapa do luxo mostra que a disputa deixou de acontecer apenas entre produtos icônicos. Hoje, ela envolve ecossistemas completos de experiências, hospitalidade, cultura e relacionamento. Nesse cenário, Hermès, Louis Vuitton e Chanel reforçam que o futuro do setor será definido menos pelo número de bolsas vendidas e mais pela capacidade de transformar cada compra em uma experiência única — e a Ásia permanece como o principal palco dessa nova estratégia global.

Este conteúdo de divulgação comercial foi fornecido por DINO e não é de responsabilidade editorial da revistaempreende.com.br.