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Startups enfrentam seca de investimento em 2026, mas 18 internacionais chegam ao Brasil

Five people collaborating around a wooden table with laptops, notebooks, and coffee cups in a modern office

Enquanto mercado interno de venture capital arrefece, programa ScaleUp inBrazil traz startups de Israel, Japão e Finlândia para se conectar com investidores locais

O investimento em startups brasileiras enfrenta pressão. O volume aplicado em 2025 caiu para cerca de R$ 24 bilhões, contra R$ 29 bilhões em 2024 — redução de aproximadamente 17% impulsionada por juros elevados e retração do crédito. Mas enquanto o mercado interno se contrai, startups internacionais descobrem oportunidade em solo brasileiro.

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital) anunciaram o programa ScaleUp inBrazil, que seleciona startups internacionais para se conectar com investidores, corporações e oportunidades de crescimento no Brasil. A primeira onda traz 18 empresas de Israel, Japão e Finlândia — mercados com ecossistema de inovação consolidado.

Por que startups internacionais buscam o Brasil agora?

A paradoxo é apenas aparente. Enquanto investimento doméstico diminui, o Brasil permanece mercado grande e com demanda real por inovação. Startups internacionais que já validaram modelo de negócio em seus mercados veem oportunidade em expandir para Brasil com menor risco — porque já têm tração, já têm receita, já têm modelo operacional testado.

Para elas, o Brasil é porta de entrada para América Latina. O mercado local é grande o suficiente para justificar operação, os investidores brasileiros buscam opportunities de valor comprovado e há corporações dispostas a integrar soluções inovadoras se a proposta for clara.

O que startups internacionais buscam aqui

Fintech e empresas de software são as vertentes mais representadas no ScaleUp inBrazil. Israel é tradicional nesse campo — empresas de cibersegurança, pagamentos e software. Japão traz inovação em hardware e automação. Finlândia contribui com expertise em educação digital e games. Todas veem mercado brasileiro como oportunidade de escala a custo menor do que Europa ou EUA.

O que isso significa para o ecossistema local

A chegada de startups internacionais pode oxigenar o mercado de venture capital brasileiro. Investidores locais que investem nessas empresas ganham exposição a múltiplos mercados e reduzem concentração de risco. Corporações brasileiras que adotam soluções dessas startups ganham acesso a tecnologia de primeira linha. E o ecossistema como um todo sinaliza ao mercado que o Brasil segue sendo destino relevante para inovação.

A seca de investimento em startups brasileiras é real e preocupante. Mas a presença de startups internacionais mantém viva a conversa sobre inovação e pode servir como ponte para que investidores ganhem confiança e voltem a apostar em founders brasileiros quando o cenário macroeconômico melhorar.

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