Tesla Roadster voador faz manobras no ar; produção é prevista para 2028
Recriação por IA / Revista Empreende, baseada em imagens da Tesla. Ângulo reconstruído, não é foto original do evento.
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A Tesla apresentou na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, uma nova versão do Tesla Roadster capaz de subir uma rampa, permanecer de ponta-cabeça e executar manobras no ar com propulsores. A demonstração ocorreu no centro de testes da SpaceX em McGregor, no Texas, com Elon Musk e integrantes das equipes de engenharia e design. A produção foi anunciada para 2028. O evento exibiu protótipos e recursos em desenvolvimento, sem representar o início das entregas ao consumidor.
O chamado carro voador da Tesla combina motorização elétrica, sucção junto ao solo, aerodinâmica ativa e tecnologia de gás comprimido. A distinção entre suas configurações é essencial: no site da fabricante, a variante Rocket, associada ao voo e equipada com apenas um assento, aparece expressamente como não aprovada para uso em vias públicas.
O que aconteceu na apresentação do Tesla Roadster
Na transmissão Roadster Event, publicada pelo canal oficial da Tesla, o carro percorreu uma estrutura curva que o colocou em posição invertida. Depois, deixou a rampa, mudou de orientação no ar e voltou ao chão sobre as rodas. Outra sequência mostrou uma manobra de rotação, chamada de kickflip pelos apresentadores, sobre veículos alinhados.
Embora o projeto seja apresentado como um automóvel para condução humana, Musk explicou que a demonstração utilizou operação autônoma para evitar colocar pessoas em risco. O personagem Starman mostrado no veículo era um manequim. Essas condições fazem parte do contexto do teste e não devem ser confundidas com uma experiência disponível a motoristas comuns.
Como a Tesla e a SpaceX chegaram ao projeto
O nome Roadster está ligado à origem da Tesla. Segundo comunicado histórico da própria companhia, o primeiro protótipo foi revelado em 19 de julho de 2006, e a produção regular do modelo original começou em março de 2008. A proposta era demonstrar que um esportivo elétrico poderia combinar desempenho e uso real.
A nova geração apareceu em novembro de 2017, com entregas prometidas para 2020, conforme o registro contemporâneo da apresentação. Entre aquela estreia e o evento desta semana, passaram-se quase nove anos. Se o novo cronograma de 2028 for cumprido, o intervalo desde a apresentação inicial chegará a aproximadamente 11 anos.
Na apresentação de 2026, Musk descreveu o resultado como trabalho conjunto de engenheiros da Tesla e da SpaceX. A contribuição aeroespacial aparece nos reservatórios de alta pressão e nos propulsores que controlam o movimento do veículo. A equipe também citou o avião SR-71 como referência para o desenho. O projeto atual reúne, portanto, desenvolvimento automotivo, controle eletrônico e soluções normalmente associadas a veículos espaciais.
Não foi apresentado no evento um orçamento consolidado de pesquisa e desenvolvimento, nem uma cronologia completa dos testes internos. Assim, o tempo entre anúncios é verificável, mas não permite concluir quantos anos foram dedicados exclusivamente ao sistema de voo ou quanto ele custou.
Como o carro consegue ficar de ponta-cabeça e sair do chão
São dois mecanismos diferentes. O primeiro é o sistema de ventiladores e vedação inferior, que retira ar debaixo do carro e gera sucção. Segundo a explicação técnica feita no palco, esse conjunto pode produzir força equivalente a até 2 g para manter o veículo aderido à superfície, inclusive em posição invertida.
O segundo utiliza propulsores de gás frio, alimentados por ar armazenado sob alta pressão. No trecho técnico da transmissão, a equipe informou dois reservatórios, com capacidade total de 600 litros, aproximadamente 250 quilos de ar e dez bocais. Os jatos permitem alterar a orientação e impulsionar o carro. A Tesla disse que os reservatórios podem ser recarregados pelo próprio veículo, sem exigir um propelente especial.
A aerodinâmica também muda durante a condução. A equipe apresentou modos de maior pressão contra o solo e de menor resistência ao avanço, além de uma asa traseira com ajuste de inclinação. O objetivo anunciado é melhorar tração, aceleração e comportamento em curvas. Esses benefícios ainda precisam ser avaliados em condições reproduzíveis fora da apresentação da fabricante.
Os números anunciados e o que eles significam
Na demonstração de aceleração, a Tesla anunciou 0,81 segundo para ir de 0 a 60 milhas por hora. Isso corresponde a aproximadamente 96,6 km/h, e não a 100 km/h. O valor foi divulgado pela própria empresa durante o evento e não equivale a um ensaio independente de um automóvel de produção.
Também foi anunciada velocidade superior a 230 mph, cerca de 370 km/h. A apresentação não permite concluir que essa velocidade tenha sido atingida na mesma demonstração de aceleração. Para comparar o Roadster com concorrentes, será necessário conhecer configuração, pneus, superfície, método de cronometragem e repetibilidade dos resultados.
- 600 litros: capacidade conjunta dos dois reservatórios de ar informada no evento.
- Dez bocais: quantidade divulgada para o conjunto responsável pelas manobras.
- Até 2 g: capacidade de sucção descrita pela equipe na demonstração da rampa.
- 0,81 segundo: tempo anunciado de 0 a 60 mph.
- 2028: previsão de início de produção, sujeita à execução do projeto.
Versões, reservas e restrições do Roadster
A página oficial do Roadster apresenta a configuração Performance, com dois lugares, aerodinâmica ativa e sucção. A opção Thrust, também com dois lugares e disponibilidade limitada, acrescenta propulsores traseiros e anuncia aceleração de 0 a 60 mph em menos de um segundo.
A Rocket tem um lugar, propulsores distribuídos pelo perímetro e acesso por convite. É a configuração relacionada aos movimentos para cima e às rotações laterais. A advertência de ausência de aprovação para vias públicas acompanha essa variante, cuja disponibilidade também varia por região.
Na página de reservas dos Estados Unidos, consultada em 16 de outubro, a Performance exigia US$ 5 mil inicialmente e US$ 45 mil em até dez dias, totalizando US$ 50 mil. Para a Thrust, eram US$ 5 mil iniciais e mais US$ 245 mil no mesmo prazo, total de US$ 250 mil. São depósitos de reserva. Esses números não devem ser apresentados como preços finais dos veículos, nem como oferta confirmada no Brasil.
O que esperar depois da demonstração
O próximo marco relevante será transformar o protótipo em um produto fabricado de maneira repetível. Isso envolve demonstrar durabilidade dos componentes, controle consistente das manobras e funcionamento dos sistemas de proteção. Também será necessário esclarecer manutenção, autonomia em diferentes condições e os limites de utilização de cada configuração.
A apresentação não demonstra, por si só, uma solução de transporte aéreo urbano. Manobras curtas em uma instalação de testes não informam alcance de voo, operação em tráfego, infraestrutura necessária ou possibilidade de uso cotidiano. O próprio site restringe a versão aérea em relação às vias públicas.
Do ponto de vista empresarial, o projeto pode funcionar como vitrine de engenharia e diferenciação da marca. Seu impacto comercial, porém, dependerá de entregas, custos, demanda e margem, dados que a demonstração não quantificou. O leitor pode acompanhar o setor também na reportagem sobre a expansão das entregas de veículos elétricos da XPeng e na editoria Empresas da Revista Empreende.
Por enquanto, o avanço concretamente apresentado é um protótipo que combina aderência por sucção e propulsão por ar comprimido para realizar manobras incomuns. A expectativa para 2028 é um compromisso anunciado pela Tesla, que deverá ser acompanhado até a produção e as primeiras entregas.
Assista ao vídeo oficial da Tesla
A demonstração da rampa começa em 6min03s; a manobra kickflip, em 10min56s; e a sequência de aceleração, em 15min58s. Os horários são indicados na descrição oficial da transmissão.